Benefícios corporativos: guerra entre startups e empresas tradicionais

Os benefícios corporativos estão no centro de uma disputa intensa entre startups inovadoras e empresas tradicionais que dominam o mercado há décadas. Nesse sentido, o que antes parecia um setor estável (marcado principalmente por vale-alimentação e vale-refeição) agora vive um momento de transformação profunda, impulsionado por mudanças regulatórias, novas tecnologias e modelos de negócio mais flexíveis.

A guerra entre startups e empresas tradicionais de benefícios corporativos

A disputa no setor de benefícios corporativos ganhou força durante os últimos anos, especialmente após mudanças na regulamentação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). No centro desse embate está o Decreto nº 10.854, publicado em novembro de 2021, que trouxe novas diretrizes para o funcionamento do mercado.

O que mudou com o Decreto nº 10.854?

O decreto passou a reconhecer dois modelos principais de operação no setor:

  • Arranjo fechado: neste modelo, a empresa que fornece o benefício também controla a rede de aceitação e as maquininhas de pagamento utilizadas pelos estabelecimentos. Esse formato é característico das companhias tradicionais, que sempre dominaram o mercado;
  • Arranjo aberto: nesse sistema, o cartão de benefício pode ser aceito em qualquer maquininha, independentemente da operadora. Isso amplia a concorrência e traz mais liberdade para trabalhadores e estabelecimentos.

As empresas tradicionais, que operam majoritariamente no modelo fechado, sempre tiveram forte controle sobre toda a cadeia de pagamentos. Em contrapartida, as startups apostam no modelo aberto, que promove maior interoperabilidade e reduz barreiras de entrada.

Quem são os protagonistas do conflito

De um lado, estão empresas consolidadas, com décadas de atuação e forte presença no mercado. Já do outro, surgem startups que buscam democratizar o acesso e modernizar o sistema.

Em outras palavras, as startups enxergam uma oportunidade de romper com práticas consideradas engessadas. Ao mesmo tempo, as empresas tradicionais defendem a estabilidade e a segurança de um modelo já testado ao longo dos anos.

O impacto para empresas e trabalhadores

Essa disputa não afeta apenas as empresas envolvidas. Na prática, ela influencia diretamente:

  • A liberdade de escolha dos trabalhadores;
  • A competitividade entre estabelecimentos comerciais;
  • As taxas cobradas no sistema;
  • A experiência de uso dos benefícios.

Dessa forma, o modelo aberto tende a favorecer maior aceitação e flexibilidade, enquanto o modelo fechado oferece maior controle e previsibilidade.

Está acontecendo uma guerra entre startups e empresas tradicionais de benefícios corporativos.
Está acontecendo uma guerra entre startups e empresas tradicionais de benefícios corporativos. | Foto: DALL-E 3

Momentos anteriores desse conflito entre startups e empresas tradicionais de benefícios corporativos

O conflito não surgiu da noite para o dia. Por outro lado, ele foi sendo construído ao longo de decisões regulatórias e também de disputas judiciais que intensificaram a rivalidade entre os dois lados.

O prazo de adaptação e a “vacatio legis”

O Decreto nº 10.854 estabeleceu um período de transição de 18 meses para a implementação completa das novas regras. Esse intervalo, conhecido juridicamente como “vacatio legis”, serve para que empresas e instituições se adaptem antes da plena vigência da norma. Vale ressaltar que o prazo terminou em 11 de maio de 2023, e foi justamente esse ponto que deu origem a uma das principais disputas judiciais do setor.

A acusação de concorrência desleal

A Associação Brasileira de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), que representa as empresas tradicionais, entrou com uma ação judicial alegando que as startups começaram a operar no modelo aberto antes do prazo permitido. Segundo a entidade, isso configuraria concorrência desleal, já que as novas empresas estariam se beneficiando de uma flexibilidade que ainda não deveria estar em vigor.

A decisão em primeira instância

No mês de dezembro de 2023, a Justiça de São Paulo deu razão à ABBT em primeira instância. Em outras palavras, a decisão condenou as startups envolvidas ao pagamento de indenização, reforçando a interpretação de que o prazo de adaptação deveria ser respeitado de forma rígida. Tal episódio marcou um dos momentos mais críticos da disputa, trazendo insegurança jurídica e aumentando a tensão entre os dois lados.

Por que a guerra entre startups e empresas tradicionais de benefícios corporativos está em alta?

A disputa ganhou um novo capítulo recente, com uma reviravolta importante no cenário jurídico. Nesse sentido, a decisão mais recente trouxe novos elementos para o debate e reacendeu as discussões sobre o futuro do setor.

A reviravolta na segunda instância

Na última quinta-feira (19), a segunda instância do Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu a decisão anterior que condenava as startups por concorrência desleal. Essa mudança de entendimento foi um marco relevante, pois alterou completamente o rumo do conflito.

O entendimento do relator

O desembargador responsável pelo caso argumentou que, embora o decreto previsse um prazo de 18 meses, não havia uma proibição explícita para a adoção do modelo aberto antes desse período. Além disso, ele destacou que a legislação anterior também não tratava especificamente sobre arranjos de pagamento, o que abre margem para interpretações mais flexíveis.

O papel das autorizações públicas

Em adição, outro ponto fundamental foi o fato de que os órgãos responsáveis pelo PAT concederam autorizações de funcionamento às startups. Para o relator, isso legitima a atuação dessas empresas e reforça a interpretação de que não houve ilegalidade no uso antecipado do modelo aberto.

O que isso significa para o mercado

Desse modo, tal decisão foi responsável por trazer um novo fôlego para as startups e fortalecer o modelo aberto como uma alternativa viável e legal. Ao mesmo tempo, aumentou a pressão sobre as empresas tradicionais, que agora precisam se adaptar a um ambiente mais competitivo e dinâmico.

O conflito entre startups e empresas tradicionais de benefícios corporativos pode ter mais desdobramentos?

Apesar da decisão favorável às startups, o conflito está longe de chegar ao fim. Isso se deve ao fato de que o cenário ainda é marcado por incertezas, disputas estratégicas e a possibilidade de novos embates judiciais e comerciais.

Possíveis recursos e novas ações

Um ponto importante é que as empresas tradicionais ainda têm espaço para recorrer da decisão ou adotar outras estratégias jurídicas para proteger seus interesses. Isso pode incluir questionamentos sobre interpretação das normas, tentativas de limitar a atuação das startups ou até a criação de novas estruturas de negócio que se adaptem às regras vigentes. 

Paralelamente, à medida que o mercado evolui e surgem novas práticas, é natural que novos processos e disputas apareçam. Tal contexto mantém o ambiente competitivo e instável.

A atuação dos órgãos reguladores

O papel dos órgãos reguladores será determinante nos próximos anos. Em outras palavras, a forma como as regras serão interpretadas, fiscalizadas e eventualmente atualizadas pode influenciar diretamente o equilíbrio entre modelos mais fechados e os mais abertos. Nesse sentido, mudanças regulatórias adicionais não estão descartadas, especialmente diante da velocidade das transformações no setor de benefícios corporativos.

A evolução tecnológica como fator decisivo

A tecnologia continuará sendo um dos principais motores dessa disputa. Soluções digitais, integração com aplicativos, personalização de serviços e novas formas de pagamento tendem a favorecer empresas mais ágeis e inovadoras. Dessa maneira, esse movimento deve acelerar a migração para modelos mais flexíveis, o que pode ampliar a competitividade e redefinir o futuro do mercado.

Lições a aprender com a guerra entre startups e empresas tradicionais de benefícios corporativos

Esse conflito traz diversas lições importantes para empresas, gestores e profissionais que atuam no mercado de benefícios corporativos.

A importância da adaptação

Empresas que não acompanham mudanças regulatórias e tecnológicas correm o risco de perder relevância. Sendo assim, a capacidade de adaptação se torna um diferencial competitivo essencial.

O papel da inovação

As startups mostraram que é possível desafiar modelos consolidados ao apostar em inovação e experiência do usuário. Ou seja, esse movimento reforça a necessidade de investimento contínuo em tecnologia e novos modelos de negócio.

A relevância da segurança jurídica

Paralelamente, o conflito evidencia como a segurança jurídica é fundamental para o desenvolvimento de qualquer setor. Isso se deve ao fato de que ambiguidade nas regras pode gerar disputas prolongadas e impactar negativamente o ambiente de negócios.

O foco no usuário final

No fim das contas, quem mais se beneficia dessa disputa são os trabalhadores e empresas contratantes. Mais concorrência tende a gerar:

  • Melhor experiência de uso;
  • Menores custos;
  • Maior liberdade de escolha.

Um mercado em transformação

O setor de benefícios corporativos está passando por uma transformação estrutural. A tendência é que o modelo aberto ganhe cada vez mais espaço, mas isso não significa o fim das empresas tradicionais. Na verdade, o mais provável é a coexistência de diferentes modelos, com empresas se adaptando e evoluindo conforme as demandas do mercado.

Resumindo, os benefícios corporativos deixaram de ser um mercado estático para se tornar um campo de disputa estratégica entre inovação e tradição. A guerra entre startups e empresas consolidadas revela não apenas uma mudança regulatória, mas uma transformação profunda na forma como esses serviços são oferecidos e utilizados.

Com decisões judiciais recentes favorecendo modelos mais abertos, o setor caminha para um cenário mais competitivo e dinâmico. Ainda assim, o desfecho dessa disputa dependerá de fatores como regulamentação, tecnologia e comportamento do mercado. Se você quer acompanhar de perto essa transformação e entender como ela pode impactar sua empresa ou carreira, fique atento às mudanças no universo de benefícios corporativos.

*com uso de inteligência artificial

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