As big techs enfrentam uma das maiores perdas de valor de mercado da história recente durante o segundo mandato do presidente Donald Trump. Nesse sentido, desde o início de sua nova gestão, diversas grandes empresas já viram uma queda, que acumulada atinge quase US$4 trilhões.
Sendo assim, tal dado alarmante acende o sinal de alerta em investidores, consumidores e reguladores. O impacto desse contexto tem causas múltiplas e consequências ainda difíceis de calcular, mas que já afetam diretamente o ecossistema tecnológico global.
Então, neste artigo, entenderemos o contexto de perda de dinheiro das big techs na atual gestão Trump e também listaremos quais as grandes empresas que foram mais afetadas por ele. Juntamente com isso, iremos refletir sobre possíveis consequências do mesmo, bem como sobre o que o governo pode fazer em relação a isso. Por último, elencaremos algumas lições que esse cenário pode nos ensinar.
Entenda o contexto de perda de dinheiro das big techs no governo Trump
As principais empresas de tecnologia do mundo tiveram perdas significativas desde o início do segundo mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Em outras palavras, um levantamento feito pelo G1 aponta que, juntas, essas big techs perderam US$3,8 trilhões (equivalente a R$21,36 trilhões) em valor de mercado.
As medidas políticas e econômicas do governo Trump
Desde que reassumiu a presidência no dia 20 de janeiro deste ano, Trump adotou uma série de medidas que impactaram diretamente o mercado. Em tal sentido, o foco em políticas protecionistas, tensões com a China e novas tarifas sobre produtos chineses criaram instabilidade nas bolsas. As big techs, por estarem profundamente integradas à cadeia global de fornecimento, foram as mais afetadas.
O efeito das tarifas na tecnologia
O ápice da turbulência ocorreu ontem, dia 3 de abril, quando Trump anunciou mais um aumento de tarifas sobre importações chinesas. Isso é algo que provocou uma onda de desvalorização imediata nas ações das gigantes da tecnologia. A insegurança quanto aos próximos passos do governo aumentou o temor entre os investidores.
Reação dos mercados financeiros
O mercado reagiu de forma negativa e imediata. As ações das big techs caíram fortemente na Nasdaq, o que reflete o receio generalizado quanto ao futuro das empresas e também ao ambiente regulatório. Desse modo, a desvalorização acumulada dessas empresas desde janeiro é um indicativo claro do impacto da atual política econômica dos EUA.
Quais as big techs que mais perderam dinheiro na gestão Trump
Algumas big techs foram mais impactadas que outras, tanto em termos absolutos quanto em termos proporcionais. Na sequência, detalhamos as empresas que mais perderam valor de mercado desde o início do novo governo Trump.
Nvidia: a maior perda absoluta
A Nvidia lidera o ranking de perdas em valores absolutos. Ou seja, a empresa, que é especializada na produção de chips e GPUs, perdeu US$889 bilhões desde janeiro. Isso representa uma queda de 26,4% em relação ao valor de mercado que o negócio iniciou no ano de 2025.
Tal contexto se deve ao fato de que a Nvidia estava em alta nos últimos anos, impulsionada pela demanda por Inteligência Artificial (IA) e jogos. No entanto, a instabilidade política e as barreiras comerciais reduziram suas projeções de receita.
Tesla: a maior perda proporcional
A Tesla foi a empresa que mais perdeu valor proporcionalmente. Em outras palavras, a fabricante de veículos elétricos de Elon Musk viu seu valor de mercado cair quase 40%, o que representa US$509 bilhões de prejuízo. Tal queda chama ainda mais atenção por conta da proximidade de Musk com o governo Trump.
O bilionário atua como conselheiro direto do presidente e lidera o recém-criado Departamento de Eficiência Governamental (DOGE). A agência tem como foco a redução de gastos públicos.
Entretanto, a associação de Musk com a administração atual parece não ter impedido o colapso no valor da Tesla. Portanto, muitos investidores questionam o conflito de interesses envolvido nessa relação.
Outras big techs afetadas
Além da Nvidia e da Tesla, outras big techs também registraram perdas expressivas nesse primeiro trimestre do segundo mandato de Donald Trump:
- Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads): sofreu com o aumento da regulação de dados;
- Alphabet (Google): impactada pela desmonetização de serviços e investigações antitruste;
- Apple: altamente dependente da cadeia produtiva chinesa, sofreu com as tarifas;
- Amazon: viu desaceleração nas vendas globais devido à inflação e ao câmbio;
- Microsoft: afetada pelo aumento da fiscalização sobre aquisições estratégicas e pelo cenário de juros elevados;
Possíveis consequências da atual situação das big techs
As perdas bilionárias das big techs no início da gestão Trump é algo que pode gerar consequências de longo prazo para o setor tecnológico, para a economia dos EUA e também para o mercado global. Em seguida, temos algumas possíveis:
- Redução de investimentos em inovação: com a perda de valor de mercado, muitas empresas precisarão rever seus investimentos. Ou seja, alguns projetos de inovação podem ser suspensos, adiados ou até mesmo cancelados. Isso pode prejudicar o desenvolvimento de novas tecnologias e desacelerar a transformação digital;
- Demissões em massa e reestruturações: já há sinais de que diversas big techs estão se preparando para cortes de pessoal. Em outras palavras, a busca por eficiência operacional tende a aumentar diante da instabilidade econômica. Isso pode impactar milhares de trabalhadores em todo o mundo;
- Menor confiança dos investidores: o mercado de tecnologia sempre foi considerado promissor e relativamente seguro. Com a queda das big techs, essa percepção pode mudar. Investidores podem migrar para setores mais previsíveis, o que pode reduzir o fluxo de capital para o setor;
- Impacto nas startups e ecossistemas de inovação: startups e pequenas empresas de tecnologia dependem do ecossistema criado pelas big techs. Sendo assim, com a retração dessas empresas gigantes, há menos recursos disponíveis para parcerias, aquisições e investimentos em novas ideias. Logo, o efeito dominó pode ser severo.

O que o governo Trump pode fazer para resolver a situação das big techs?
O governo Trump ainda tem ferramentas que pode utilizar no intuito de tentar reverter o quadro atual das big techs e estabilizar o setor de tecnologia. Abaixo, estão algumas das principais:
- Rever as tarifas comerciais: uma das ações mais eficazes seria a revisão das tarifas impostas sobre produtos da China. A redução dessas barreiras pode restaurar parte da confiança do mercado e diminuir os custos operacionais das big techs;
- Incentivar a produção local com responsabilidade: ainda que a ideia de fortalecer a produção nacional seja positiva, isso deve ser feito com planejamento. Ou seja, programas de incentivo à indústria tecnológica dos EUA podem ser úteis. No entanto, exigem equilíbrio entre proteção e abertura de mercado;
- Estabilizar a política econômica: investidores esperam previsibilidade. Em tal sentido, o governo Trump poderia adotar medidas mais transparentes e consistentes na área fiscal e monetária. Paralelamente, a redução de ruídos políticos também pode ajudar a reverter o pessimismo atual;
- Incentivar políticas de inovação e pesquisa: incentivos fiscais para pesquisa e desenvolvimento são outra medida possível. Esses estímulos ajudam empresas a manter projetos estratégicos mesmo em cenários de crise.
Lições a aprender com a situação das big techs na gestão Trump
A atual crise das big techs durante o primeiro trimestre da gestão Trump traz diversas lições importantes para governos, empresas e sociedade em geral. Em seguida, listamos algumas delas:
- A interdependência global é inevitável: em um mundo hiperconectado, decisões unilaterais têm efeitos colaterais globais. O rompimento de cadeias de fornecimento, especialmente no setor de tecnologia, afeta diretamente o valor de mercado das empresas;
- Política e economia estão intrinsecamente ligadas: as decisões políticas impactam o mercado de forma direta e imediata. Em outras palavras, a gestão Trump serve como alerta sobre como medidas protecionistas e populistas podem desestabilizar setores inteiros da economia;
- Proximidade política não garante proteção econômica: o caso de Elon Musk mostra que mesmo aliados políticos de primeira linha não estão imunes aos efeitos das políticas de governo. Sendo assim, as relações institucionais precisam ser bem equilibradas para não gerar mais insegurança;
- Diversificação é fundamental: empresas que são excessivamente dependentes de um único país para sua produção ou vendas estão mais vulneráveis a mudanças políticas. Diversificar a cadeia produtiva e os mercados consumidores pode ser uma forma de proteção.
O futuro das big techs e a recuperação possível
Apesar das perdas, as big techs ainda são os pilares da economia global. Nesse sentido, o cenário atual exige uma reavaliação estratégica e também um diálogo constante entre governos e empresas. Logo, a recuperação dependerá da capacidade de adaptação às novas regras do jogo político e econômico.
Em conclusão, o impacto do segundo mandato de Trump nas big techs ainda será debatido por anos. Porém, é inegável que esse período já entrou para a história como um dos mais desafiadores para o setor. Dessa maneira, a forma como essas empresas irão responder à crise será determinante para o futuro da inovação global.
Se você quer continuar acompanhando os desdobramentos dessa crise e entender o que está em jogo para as big techs, continue pesquisando sobre o tema!