Bitcoin perdeu o posto de “ouro digital”? Entenda!

O Bitcoin (BTC), muitas vezes chamado de “ouro digital”, está sendo questionado em relação a essa comparação. Em outras palavras, no ano de 2025, enquanto o ouro valorizou significativamente, o BTC apresentou perdas relevantes, o que gerou debates entre investidores e analistas. 

Adicionalmente, a queda recente, aliada à correlação com o mercado acionário e à instabilidade geopolítica, fez com que muitos se perguntassem se a principal criptomoeda perdeu seu prestígio como um ativo seguro em tempos de crise.

Portanto, neste conteúdo, iremos explicar os motivos pelos quais o Bitcoin pode estar perdendo o título de “ouro digital”, bem como explorar a relação atual entre a cripto e outros ativos. Além disso, discutiremos se há possibilidade do BTC se recuperar desse contexto e também listaremos as lições a aprender com o mesmo. Finalmente, iremos refletir se, pensando em tal cenário, vale a pena comprar a moeda virtual agora.

Por que o Bitcoin pode estar perdendo o título de “ouro digital”?

Segundo analistas do JPMorgan, o Bitcoin pode ter perdido sua narrativa como “ouro digital”. Essa crítica ganhou força após uma análise recente que comparou o desempenho do ouro e do BTC ao longo desse primeiro trimestre de 2025. Sendo assim, enquanto o ouro registrou uma valorização de 18,2% até o momento, a principal criptomoeda apresentou uma queda de 12,5%.

Ou seja, a comparação direta evidencia um movimento oposto entre os dois ativos. Isso levanta questões sobre o papel do Bitcoin como uma reserva de valor em cenários de incerteza. 

Tradicionalmente, o ouro se valoriza durante períodos de instabilidade econômica, pois é considerado um porto seguro. Já o BTC, embora limitado em oferta como o ouro, não seguiu essa lógica no último ciclo.

A influência do mercado acionário no preço do Bitcoin

O JPMorgan também observou que o preço do BTC tem demonstrado forte correlação com o mercado acionário dos Estados Unidos. Em outras palavras, com o avanço das tensões comerciais e o chamado “tarifaço de Trump”, houve uma queda expressiva em índices como S&P 500, Dow Jones Industrial e Nasdaq-100. Desse modo, o Bitcoin acompanhou esse movimento, registrando uma queda de 5,6%.

Já o ouro, mesmo com a mesma pressão macroeconômica, recuou apenas 1%. Isso reforça a ideia de que o ouro mantém sua função tradicional de proteção. Por outro lado, o BTC parece mais sensível aos movimentos do mercado de ações, afastando-se do papel de ativo estável em momentos de crise.

Tendência desde o início do ano

Tal diferença de comportamento entre Bitcoin e ouro já pode ser observada desde o início de 2025. Enquanto o ouro se beneficia do aumento da procura por segurança, a cripto tem oscilado em sincronia com o apetite por risco do mercado. 

Logo, esse padrão é algo que reforça a tese de que o BTC, no atual momento, está mais próximo de um ativo de risco do que de um ativo que é responsável por oferecer uma proteção patrimonial.

A relação atual entre o Bitcoin e outros ativos

A percepção do BTC como ativo de proteção tem sido contestada não apenas por bancos, mas também por investidores individuais. Nesse sentido, um exemplo claro disso é o caso de David Bateman.

Ele é um investidor que recentemente aportou cerca de R$5,8 bilhões em prata. Depois, em uma postagem pública, Bateman destacou que também possui ouro, mas não confia na criptomoeda como um “bote salva-vidas” em tempos turbulentos.

Tal movimento é algo que mostra como parte do mercado começa a considerar o Bitcoin como uma aposta mais arriscada. Em paralelo, a escolha por metais tradicionais como por exemplo prata e ouro demonstra uma volta às origens em busca de proteção contra crises.

A aquisição de uma grande quantia de prata por David Bateman e sua fala sobre a situação da cripto são fatores que endossam a tese do JPMorgan.
A aquisição de uma grande quantia de prata por David Bateman e sua fala sobre a situação da cripto são fatores que endossam a tese do JPMorgan. | Foto: DALL-E 3

Estudo da Bitwise aponta para possível recessão

A gestora de ativos digitais Bitwise publicou um estudo no dia 1º de abril de 2025, alertando para a possibilidade de os EUA entrarem em recessão. Sendo assim, o relatório explora como o BTC poderia reagir diante de um cenário recessivo. Embora a análise não seja conclusiva, ela levanta dúvidas sobre a estabilidade do ativo digital.

Desse modo, a gestora sugere que, apesar do histórico de crescimento, a principal moeda virtual ainda não demonstrou consistência suficiente para se firmar como refúgio em períodos econômicos adversos. Isso contrasta com a estabilidade observada no comportamento de ativos como ouro e prata.

Baixa correlação do Bitcoin com o ouro e o mercado tradicional

O dado mais revelador do estudo da Bitwise é a correlação do BTC com outros ativos. Em relação ao ouro, a correlação é de apenas 0,08. Já com o S&P 500, sobe ligeiramente para 0,1. Tais números mostram que o BTC ainda caminha em trajetória independente e não acompanha diretamente os movimentos de ativos tradicionalmente seguros.

Ao não apresentar uma correlação significativa nem com o ouro, nem com os mercados tradicionais, o Bitcoin se posiciona em uma zona ambígua. Isso pode ser positivo para estratégias de diversificação, mas também acentua a desconfiança em relação à sua estabilidade.

Há possibilidade de o Bitcoin se recuperar?

Apesar das quedas recentes e das críticas ao seu papel de “ouro digital”, o BTC ainda possui características que podem sustentar uma recuperação futura. Em outras palavras, a escassez programada, com emissão limitada a 21 milhões de unidades, continua sendo um de seus principais pilares.

Da mesma maneira, outro ponto positivo é a crescente institucionalização. Grandes empresas e fundos seguem investindo em Bitcoin, mesmo com as quedas recentes. O avanço de regulamentações mais claras e a adoção por bancos centrais como reserva podem mudar novamente a percepção sobre o ativo.

Impacto de eventos geopolíticos e monetários

Crises políticas, inflação descontrolada e desvalorização de moedas fiduciárias ainda podem favorecer a principal criptomoeda como uma alternativa. Se esses cenários se intensificarem, é possível que o ativo digital recupere parte de sua narrativa original como refúgio financeiro.

Em conjunto a isso, eventos como por exemplo o Halving, que reduz a recompensa dos mineradores e a oferta de novos BTCs no mercado, tendem a gerar ciclos de valorização histórica. Se essa tendência se repetir, poderemos observar uma revalorização significativa nos próximos trimestres.

Lições a aprender com esse contexto do Bitcoin

A atual situação do BTC é algo que pode ensinar diversas lições sobre a volatilidade e as outras características específicas do mercado de criptomoedas. Em seguida, temos algumas delas:

  • Volatilidade como característica intrínseca: o principal aprendizado que os investidores podem tirar desse cenário é que o Bitcoin ainda é um ativo altamente volátil. Embora tenha pontos em comum com o ouro, como a escassez, sua curta trajetória e sensibilidade a fatores de mercado o tornam imprevisível. Portanto, é essencial que o investidor entenda que a segurança prometida pelo “ouro digital” pode não se materializar em todos os momentos. Estratégias de alocação e diversificação continuam sendo fundamentais;
  • Importância de estudar os fundamentos: outro ponto relevante é que não se deve investir no BTC apenas por sua fama. Por outro lado, é necessário compreender os fundamentos técnicos e macroeconômicos que afetam seu preço. Estar atento à correlação com outros ativos e à reação do mercado em cenários adversos é essencial para decisões mais embasadas;
  • Narrativas podem mudar rapidamente: o caso atual mostra como uma narrativa de mercado pode se enfraquecer rapidamente. A moeda virtual, que já foi símbolo de resistência a crises, agora é vista por muitos como um ativo especulativo. Essa mudança exige do investidor uma postura dinâmica e questionadora.

Pensando nesse cenário, vale a pena comprar Bitcoin agora?

A decisão de investir ou não no BTC em meio a essa crise de identidade depende do perfil de cada investidor. Em primeiro lugar, para aqueles com alta tolerância a risco, a queda de preço pode representar uma oportunidade de entrada. Segundamente, para os conservadores, o momento atual exige cautela.

Desse modo, avaliar a porcentagem da carteira destinada a ativos voláteis como o Bitcoin é algo essencial. Em outras palavras, especialistas sugerem alocações entre 1% e 5% para minimizar riscos e, ao mesmo tempo, aproveitar possíveis ganhos.

Estratégias de médio e longo prazo

Investir em Bitcoin não deve ser uma decisão baseada apenas no curto prazo. Sendo assim, estratégias como o “buy and hold” (comprar e manter) ou o “DCA” (dollar-cost averaging) podem ajudar a suavizar a volatilidade.

O importante é ter uma visão de longo prazo, considerando o papel do BTC em um cenário global que está em constante transformação. Sua tecnologia, descentralização e escassez continuam sendo pontos fortes.

Em resumo, apesar das recentes perdas e da crescente desconfiança de alguns investidores, a principal criptomoeda ainda possui atributos que podem sustentá-la como um ativo relevante no cenário financeiro global. No entanto, sua jornada como “ouro digital” encontra-se em uma encruzilhada, o que exige uma análise criteriosa de quem decide investir.

Quer aproveitar as oportunidades mesmo em meio à instabilidade? Então, comece a estudar o Bitcoin agora mesmo e veja como ele pode se encaixar dentro da sua estratégia financeira!

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