Brasileiros não pensam em se relacionar com IA, diz estudo

Os brasileiros seguem demonstrando que, apesar do avanço da inteligência artificial, ainda preferem construir vínculos afetivos com pessoas reais. Essa é a principal conclusão de um estudo do aplicativo de relacionamento happn, que analisou como os solteiros enxergam a presença da IA na vida amorosa. 

Mesmo que chatbots estejam mais sofisticados, a maioria dos entrevistados não deseja substituir o contato humano por interações artificiais. A pesquisa mostra, porém, que a tecnologia tem espaço em funções práticas, como organizar encontros, sugerir assuntos para conversas e oferecer conselhos sobre comportamento. 

Paralelamente, o levantamento também destaca a tendência internacional que é conhecida como “Situationship com IA”, em que pessoas criam vínculos emocionais com assistentes virtuais. No entanto, entre os brasileiros, esse comportamento ainda está longe de representar a realidade da maioria dos usuários.

O estudo que apontou que os brasileiros não pensam em se relacionar com IA

Nos últimos anos, diferentes empresas de tecnologia lançaram assistentes virtuais capazes de conversar por horas, oferecer apoio emocional e até simular relações afetivas. Em alguns países, esse fenômeno passou a ser conhecido como “Situationship com IA”, caracterizando um tipo de relacionamento emocional entre usuários e chatbots alimentados por inteligência artificial. 

O avanço dos modelos de linguagem tornou essas interações cada vez mais naturais, despertando debates sobre os impactos da IA na vida social e afetiva. Ainda assim, especialistas ressaltam que essas ferramentas foram desenvolvidas para oferecer suporte e entretenimento, sem substituir as conexões humanas.

Brasileiros preferem usar IA apenas como apoio

Entretanto, o levantamento realizado pelo happn mostra que essa tendência ainda não conquistou a maioria dos solteiros brasileiros. Segundo a pesquisa, 78% dos entrevistados afirmam limitar rigorosamente o uso da inteligência artificial a atividades como auxílio na escrita, revisão de textos e conversas rápidas. 

Em outras palavras, eles mantêm a tecnologia distante de assuntos íntimos e da construção de vínculos amorosos. Mesmo entre aqueles que utilizam IA diariamente, a preferência continua sendo aproveitar seus recursos como uma ferramenta de apoio. 

Isso se deve ao fato de que muitos enxergam valor na tecnologia para organizar encontros, receber sugestões de mensagens ou ganhar mais confiança durante conversas, mas sem substituir a experiência de interagir com pessoas reais.

A tecnologia complementa, mas não substitui relacionamentos

Os resultados reforçam que, apesar da rápida evolução da inteligência artificial, ela ainda é percebida pelos brasileiros como um recurso complementar. Sendo assim, a pesquisa indica que autenticidade, empatia e contato humano continuam sendo elementos fundamentais para a construção de relacionamentos, enquanto a IA ocupa um papel de assistência e praticidade no dia a dia.

Um estudo apontou que os brasileiros não têm a intenção de se relacionar com uma IA.
Um estudo apontou que os brasileiros não têm a intenção de se relacionar com uma IA. | Foto: DALL-E 3

Mais aspectos que esse estudo disse sobre os brasileiros

Como dito anteriormente, o levantamento também foi responsável por revelar que os solteiros brasileiros enxergam utilidade prática na inteligência artificial. Em vez de procurar um namoro virtual, muitos utilizam essas ferramentas para facilitar diferentes etapas da vida amorosa. A tecnologia é vista como uma aliada para reduzir inseguranças e tornar as interações mais naturais, sem substituir o contato humano.

Sendo assim, entre as aplicações mais comuns estão: o planejamento de encontros, a busca por sugestões de locais para sair, o pedido de conselhos sobre comportamento, a procura por ajuda para compreender necessidades pessoais e simulações de conversas antes de iniciar um relacionamento. Tais recursos são percebidos como formas de aumentar a confiança e melhorar a comunicação.

Opiniões divididas sobre chatbots nos relacionamentos

Mais um dado interessante diz respeito aos relacionamentos intermediados por inteligência artificial. Os resultados mostram uma divisão de opiniões. Cerca de 50% aceitariam que o parceiro mantivesse uma relação próxima com um chatbot. Em contrapartida, 42% disseram que ficariam desconfortáveis, enquanto 8% classificaram esse comportamento como uma espécie de “traição emocional”.

Jovens ainda mantêm distância dos companheiros virtuais

A pesquisa também mostra que a Geração Z continua relativamente distante dessa realidade. De acordo com o levantamento, 83% dos usuários dessa faixa etária ainda não incorporaram a inteligência artificial à rotina de relacionamentos online.

Por outro lado, aproximadamente 27% dos solteiros afirmaram recorrer a companheiros virtuais no intuito de reduzir a sensação de solidão. Ainda assim, os dados reforçam que esse comportamento é algo que permanece minoritário, enquanto a preferência da maioria continua sendo construir conexões genuínas com pessoas reais.

Pontos de atenção acerca desse estudo sobre os brasileiros

Além de apresentar o comportamento dos usuários, o happn destacou as medidas adotadas para preservar a autenticidade das interações dentro da plataforma. Segundo a empresa, contas totalmente geradas por inteligência artificial e mensagens automatizadas são proibidas.

É importante destacar que, para reforçar essa política, o aplicativo utiliza sistemas capazes de identificar comportamentos não humanos. Juntamente com isso, oferece ferramentas de denúncia e equipes de moderação que são responsáveis por analisar casos suspeitos e remover perfis irregulares.

Nesse sentido, a CEO do happn, Karima Ben Abdelmalek, afirmou que o objetivo é garantir que a paquera continue sendo genuinamente humana. Para isso, o aplicativo combate fraudes produzidas por IA e, assim, fortalece a confiança entre os usuários.

Cresce a preocupação com golpes envolvendo IA

Esse posicionamento acompanha uma preocupação crescente no mercado digital. À medida que ferramentas de inteligência artificial conseguem produzir textos, imagens, vídeos e vozes extremamente realistas, aumentam também os riscos de perfis falsos, golpes sentimentais e manipulações emocionais. Plataformas de relacionamento vêm investindo em tecnologias de detecção para impedir o uso malicioso desses recursos.

Assistentes virtuais não foram criados para substituir relacionamentos

Adicionalmente, mais um ponto envolve o futuro dos assistentes virtuais. Um exemplo disso é que uma nova versão da Siri equipada com inteligência artificial foi anunciada recentemente, oferecendo respostas mais naturais e personalizadas. 

No entanto, seu desenvolvimento continua focado em produtividade, organização pessoal e assistência digital. Sendo assim, essas tecnologias continuam sendo projetadas no intuito de complementar a rotina dos usuários, e não substituir relacionamentos afetivos ou conexões humanas.

É possível que esse pensamento dos brasileiros se altere no futuro?

Embora a pesquisa indique uma clara preferência pelos relacionamentos humanos, isso não significa que esse cenário permanecerá exatamente igual nos próximos anos. A evolução da inteligência artificial acontece em ritmo acelerado.

Isso é algo que torna os chatbots cada vez mais naturais, capazes de compreender emoções, adaptar respostas ao contexto e manter conversas mais complexas. Desse modo, cresce a possibilidade de que parte da população desenvolva maior interesse em estabelecer vínculos mais próximos com sistemas inteligentes.

Mudanças sociais podem acelerar essa tendência

Em conjunto ao avanço tecnológico, fatores sociais também influenciam esse comportamento. O aumento da solidão, as transformações nas formas de comunicação e a popularização das ferramentas de IA podem levar mais pessoas a enxergar valor em companheiros virtuais. 

Logo, em determinados contextos, esses assistentes podem oferecer apoio emocional, reduzir a sensação de isolamento e facilitar interações, especialmente para quem enfrenta dificuldades para socializar.

Ainda assim, os dados do levantamento indicam que esse cenário permanece distante da realidade da maioria dos brasileiros, que continua priorizando conexões afetivas construídas entre pessoas.

A IA deve complementar, e não substituir, o contato humano

Especialistas costumam destacar que a inteligência artificial dificilmente substituirá completamente as experiências proporcionadas pelos relacionamentos humanos. Aspectos como empatia genuína, contato físico, espontaneidade, linguagem corporal e a construção compartilhada de memórias continuam sendo características exclusivas das interações entre pessoas.

Por isso, a tendência é que o futuro seja marcado pela convivência entre tecnologia e relacionamentos reais. Ao invés de ocupar o lugar do afeto humano, a inteligência artificial deverá atuar como uma ferramenta de apoio, auxiliando na comunicação, na organização da vida cotidiana e até na aproximação entre casais, sem substituir os vínculos emocionais que fazem parte da experiência humana.

Lições a aprender com esse estudo sobre os brasileiros

O estudo mostra que a inteligência artificial já faz parte da rotina dos brasileiros, mas seu papel ainda é predominantemente funcional. Em vez de ocupar o espaço reservado aos relacionamentos afetivos, ela vem sendo utilizada para facilitar tarefas, melhorar a comunicação e oferecer suporte em situações específicas. 

Sendo assim, esse cenário indica que os usuários enxergam a tecnologia como uma ferramenta capaz de complementar a vida amorosa, sem substituir as conexões construídas entre pessoas.

Segurança e autenticidade ganham importância

Adicionalmente, os dados também demonstram uma preocupação crescente com autenticidade, privacidade e segurança nas plataformas de relacionamento. Devido a isso, empresas do setor investem cada vez mais em sistemas capazes de identificar perfis automatizados, bloquear atividades suspeitas e reduzir o risco de golpes e fraudes.

Equilíbrio deve marcar o futuro

Simultaneamente, a pesquisa revela que a tecnologia pode contribuir positivamente quando utilizada com equilíbrio. Ferramentas inteligentes ajudam na organização de encontros, na elaboração de mensagens e até no desenvolvimento de habilidades sociais. Logo, a tendência é que a inteligência artificial continue evoluindo como um recurso de apoio, enquanto os relacionamentos humanos permanecem no centro da experiência afetiva.

No fim das contas, o levantamento reforça que os brasileiros continuam valorizando conexões verdadeiras, construídas por meio da convivência, da confiança e das emoções compartilhadas. 

Portanto, se você deseja conferir mais pesquisas, tendências e novidades envolvendo brasileiros, inteligência artificial e tecnologia, continue acompanhando todos os nossos conteúdos e fique sempre bem informado.

*com uso de inteligência artificial

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