Carregadores de carros elétricos proibidos em condomínio. Veja!

Os carregadores de carros elétricos vêm se tornando cada vez mais presentes no cotidiano urbano, principalmente diante do crescimento da mobilidade sustentável no Brasil e no mundo. Entretanto, um caso recente em Florianópolis chamou a atenção para as dificuldades que ainda cercam a instalação desses equipamentos em espaços coletivos, como prédios residenciais. 

Nesse sentido, a Justiça de Santa Catarina determinou a suspensão imediata do uso de carregadores em um condomínio da Beira-Mar Norte. Adicionalmente, proibiu também novas instalações até a conclusão do processo.

Tal episódio trouxe à tona não apenas questões legais e técnicas, mas também o debate sobre como os condomínios devem lidar com as transformações que a eletrificação dos veículos traz. 

Assim, neste artigo, iremos explorar a proibição de carregadores de carros elétricos em condomínio e também apresentar o que explica esta decisão. Juntamente com isso, listaremos os detalhes dela, bem como pensaremos se a mesma pode inspirar outros locais. Por fim, iremos elencar as lições que podem ser aprendidas com o contexto.

A proibição de carregadores de carros elétricos em condomínio

No mês de junho de 2025, os moradores de um condomínio que fica na Beira-Mar Norte, em Florianópolis, votaram em assembleia para autorizar a instalação de equipamentos de recarga de veículos elétricos nas garagens subterrâneas. 

Parte dos presentes aprovou a medida. Mas um ponto de atenção foi que o evento não atingiu o quórum legal exigido, que seria de pelo menos dois terços dos condôminos, conforme determina a legislação para mudanças em áreas comuns.

Logo, pouco tempo depois, acionou-se a Justiça, e uma liminar determinou a proibição do uso de carregadores de carros elétricos já instalados. Além disso, suspendeu qualquer nova instalação até a conclusão do processo judicial.

Entendimento jurídico sobre o caso

A lei brasileira é clara ao afirmar que qualquer alteração em áreas comuns de um condomínio precisa de aprovação qualificada em assembleia. Em paralelo, como um quórum abaixo do mínimo autorizou a instalação dos equipamentos de recarga, a decisão judicial apontou irregularidades. Da mesma forma, o caso ganhou ainda mais relevância por envolver a segurança das 48 famílias que residem no edifício.

Impacto imediato para os moradores

Com a determinação judicial, os carregadores já em funcionamento foram desativados. Isso é algo que gerou insatisfação entre os moradores que haviam investido na adaptação para seus veículos elétricos. 

Adicionalmente, a decisão também trouxe à tona um problema prático: como atender às demandas crescentes de mobilidade elétrica em condomínios sem ferir a legislação ou comprometer a segurança coletiva?

O que explica a proibição de carregadores de carros elétricos em condomínio?

Zélia Iara da Silveira foi a moradora responsável por mover a ação judicial que questionou as obras realizadas nas garagens subterrâneas do condomínio. No processo, ela alegou que a instalação dos carregadores de veículos elétricos poderia comprometer a segurança dos moradores e a própria estrutura elétrica do prédio, levantando preocupações legítimas sobre os impactos dessa modernização.

Questões de segurança

Um dos pontos centrais do debate envolve as baterias de lítio, presentes nos veículos elétricos. Apesar de seguras quando usadas corretamente, em situações de falha ou acidente podem provocar incêndios de difícil controle. Em garagens subterrâneas, esse risco se intensifica pela baixa ventilação e pela proximidade entre os automóveis.

Outro aspecto destacado foi a necessidade de adaptações na rede elétrica. Sem o devido planejamento e execução técnica, a instalação pode causar sobrecargas, curtos-circuitos e até blecautes, afetando todos os moradores do edifício.

Estrutura elétrica do condomínio

A infraestrutura elétrica dos prédios mais antigos raramente foi pensada para suportar a alta demanda de energia dos carregadores. Em tal sentido, a ausência de estudos detalhados antes da instalação pode gerar riscos adicionais, como por exemplo falhas no fornecimento de energia e até incêndios.

Tal caso evidencia que a transição para a mobilidade elétrica exige não apenas interesse dos moradores, mas também análise técnica, planejamento adequado e respeito às normas de segurança, para que a modernização ocorra sem comprometer a integridade do condomínio.

Detalhes sobre a proibição de carregadores de carros elétricos em condomínio

Na decisão, o juiz responsável pelo caso ressaltou que a disputa ultrapassa um simples conflito entre moradores, configurando uma questão de interesse público. Em outras palvras, para ele, a instalação irregular de carregadores de veículos elétricos em garagens subterrâneas não afeta apenas a harmonia do condomínio, mas coloca em risco vidas humanas e o patrimônio coletivo.

Ponto central da decisão judicial

O magistrado destacou que “a manutenção da situação atual representa ameaça real à segurança dos condôminos, sendo imperioso o imediato restabelecimento da legalidade e da segurança predial”. Sendo assim, determinou a suspensão do uso dos equipamentos até que todas as exigências legais e técnicas sejam devidamente observadas, evitando riscos de acidentes e falhas estruturais.

Anulação parcial da assembleia

Mais um aspecto relevante foi a anulação de parte da assembleia condominial que foi realizada no dia 5 de junho de 2025. De acordo com o juiz, tanto a aprovação da instalação das tomadas quanto a reeleição do síndico e do conselho fiscal foram inválidas, pois não alcançaram o quórum exigido pela convenção interna e pela legislação vigente.

Multa em caso de descumprimento

Para assegurar o cumprimento da decisão, o juiz estipulou uma multa diária de 500 reais, limitada a 30 mil reais, em caso de descumprimento. Essa medida visa garantir que os carregadores permaneçam inativos até que o processo seja concluído, preservando a segurança de todos os moradores e reforçando a necessidade de gestão responsável em condomínios.

A proibição de carregadores de carros elétricos em um condomínio de Florianópolis teve o apoio de uma decisão judicial.
A proibição de carregadores de carros elétricos em um condomínio de Florianópolis teve o apoio de uma decisão judicial. | Foto: DALL-E 3

Outros locais podem se inspirar na proibição de carregadores de carros elétricos em condomínio?

A decisão de Florianópolis não é um caso isolado. Por outro lado, ela é responsável por abrir precedentes e pode até mesmo servir de referência para outros condomínios e tribunais em todo o Brasil, especialmente diante do crescimento da frota de veículos elétricos e da ausência de uma legislação unificada sobre o tema.

Normas técnicas e exigências legais

A instalação de carregadores em ambientes condominiais exige uma série de requisitos técnicos. Sendo assim, entre os principais deles, estão:

  • Sistemas automáticos de combate a incêndio;
  • Detectores de fumaça em todas as vagas;
  • Ventilação mecânica individual por garagem;
  • Extintores específicos para incêndios em baterias de lítio;
  • Reservatórios de água com autonomia mínima de 60 minutos;
  • Barreiras corta-fogo ou afastamento mínimo entre veículos.

Todas essas exigências são difíceis de serem atendidas em prédios residenciais comuns, o que na prática inviabiliza muitas obras.

Experiências de outros estados

Em Sergipe, por exemplo, foi criada uma norma específica em parceria com o Corpo de Bombeiros, o CREA e o Ministério Público. Nesse sentido, a regra determina que, em ambientes fechados, os veículos elétricos devem estar separados por pelo menos três metros ou isolados por barreiras resistentes ao fogo por 60 minutos.

Vale ressaltar que, mesmo em garagens abertas, a legislação permanece rigorosa, pois exige sistemas robustos de segurança. Ou seja, isso é algo que mostra que o tema é tratado com seriedade em todo o país e que os riscos são reais.

Custos de manutenção

Além da instalação, há também a questão da manutenção. Em outras palavras, o monitoramento constante das baterias e dos equipamentos de recarga pode ser caro, e nem todos os condomínios estão dispostos a arcar com esse investimento.

Lições a aprender com o contexto da proibição de carregadores de carros elétricos em condomínio

Esse caso levanta reflexões relevantes não apenas para moradores e síndicos, mas também para construtoras, incorporadoras e o próprio setor de mobilidade elétrica. Isso se deve ao fato de que ele mostra que a transição para novas tecnologias precisa ser acompanhada de responsabilidade e planejamento adequado.

Planejamento é essencial

Antes de aprovar qualquer mudança em áreas comuns, os condomínios devem avaliar aspectos legais, estruturais e de segurança. Estudos de viabilidade elétrica e análises contra incêndios precisam ser conduzidos por profissionais especializados, garantindo que a modernização não comprometa a integridade do prédio nem a segurança dos moradores.

Respeito às normas e quórum condominial

A decisão judicial reforça que normas legais e condominiais não podem ser ignoradas. Em outras palavras, aprovar alterações sem o quórum exigido pode resultar em anulações, multas e conflitos internos, além de atrasar projetos que poderiam ser realizados de maneira correta e segura.

O futuro da mobilidade elétrica nos condomínios

Mesmo com os obstáculos, é inevitável que a demanda por carregadores cresça nos próximos anos. Construtoras já projetam edifícios com vagas equipadas para atender veículos elétricos, antecipando uma tendência que deve se consolidar rapidamente.

Em resumo, o caso da proibição dos carregadores de carros elétricos em um condomínio de Florianópolis mostra os desafios da mobilidade elétrica no Brasil. Questões legais, técnicas e de segurança revelam que modernizar exige planejamento e respeito às normas para proteger todos os moradores. Sendo assim, esse é apenas um dos muitos debates que ainda surgirão com a eletrificação dos transportes. 

Por isso, é essencial que síndicos e condôminos acompanhem as exigências legais e técnicas para implementar carregadores de carros elétricos. Ficar atento às novidades ajuda a evitar problemas e a preparar os condomínios para um futuro que já está em curso.

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