Celulares: mercado global diminui 20% no terceiro trimestre do ano

O mercado global de celulares registrou queda de 20% nas remessas no terceiro trimestre de 2026, segundo a Counterpoint Research. Isso se deve ao fato de que a crise de semicondutores, os componentes mais caros e os preços elevados pressionaram a indústria.

A queda de 20% do mercado global de celulares no terceiro trimestre do ano

Vale ressaltar que o setor mundial de smartphones enfrentou um dos períodos mais difíceis de sua história recente entre julho e setembro de 2026. De acordo com um levantamento da Counterpoint Research, as remessas globais diminuíram 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, aproximando-se dos níveis mais baixos para um terceiro trimestre desde 2012.

A retração acende um alerta para fabricantes e fornecedores. O indicador representa o volume de aparelhos enviados ao mercado, não necessariamente as compras realizadas pelos consumidores, mas ajuda a avaliar a atividade comercial do setor.

Crise de componentes pressiona fabricantes

Um dos principais fatores associados à queda é a crise de semicondutores. O encarecimento dos componentes eletrônicos elevou os custos de fabricação e dificultou o planejamento das empresas.

Entre os itens mais afetados estão as memórias NAND, utilizadas no armazenamento de dados, e as DRAM, essenciais para operações temporárias e o desempenho dos aparelhos. Ambas estão presentes em smartphones de diferentes categorias. Com os preços elevados e os estoques reduzidos, as fabricantes enfrentam dificuldades para controlar despesas, manter a produção e preservar suas margens financeiras.

Impactos diferentes entre as empresas

A situação evidencia a dependência da indústria de uma cadeia global de fornecimento especializada. Mesmo empresas com capacidade tecnológica e recursos financeiros podem enfrentar limitações na produção e distribuição.

Entretanto, os impactos variam conforme o posicionamento comercial. Fabricantes com portfólios diversificados e presença no segmento premium podem ter maior capacidade de absorver custos adicionais. Já marcas concentradas em aparelhos baratos encontram mais dificuldades para reajustar preços sem perder consumidores.

Sendo assim, a retração do terceiro trimestre de 2026 revela não apenas uma queda nas remessas, mas também desafios estruturais que podem continuar afetando o mercado nos próximos períodos.

Constatou-se uma queda de 20% do mercado global de celulares no terceiro trimestre de 2026.
Constatou-se uma queda de 20% do mercado global de celulares no terceiro trimestre de 2026. | Foto: DALL-E 3

Mais detalhes da queda de 20% do mercado global de celulares no terceiro trimestre do ano

A crise de componentes é algo que provocou mudanças nas estratégias comerciais das fabricantes. Em outras palavras, com o encarecimento das memórias e a redução dos estoques, muitas empresas passaram a transferir custos adicionais aos consumidores, elevando os preços dos smartphones.

Segundo o levantamento apresentado, o preço médio dos aparelhos aumentou aproximadamente 20% ao longo de 2026. Tal valorização encarece a compra de novos dispositivos e pode alterar as prioridades dos consumidores.

Dessa forma, o impacto é especialmente relevante quando até os modelos acessíveis ficam mais caros. Nesse cenário, substituir um celular pode deixar de ser prioridade para quem já possui um aparelho capaz de executar tarefas cotidianas.

Consumidores prolongam o uso

A analista Shilpi Jain, da Counterpoint Research, aponta que os preços maiores incentivam os usuários a prolongar a utilização dos dispositivos. Em vez de comprar um smartphone novo após poucos anos, parte dos consumidores prefere manter o aparelho atual. Tal mudança reduz o ritmo de renovação do mercado e pode diminuir a demanda por novos produtos, mesmo quando os celulares continuam sendo utilizados diariamente.

Desafios para as fabricantes

Com menos consumidores dispostos a trocar de aparelho, as empresas precisam avaliar cuidadosamente seus lançamentos, campanhas promocionais e portfólios. Recursos avançados podem justificar preços elevados, mas nem sempre convencem quem deseja economizar.

A percepção de valor também ganha importância. Quando os reajustes não são acompanhados de melhorias relevantes, os usuários podem preferir manter seus dispositivos antigos.

Portanto, a crise é algo que afeta tanto os custos industriais quanto a relação entre marcas e clientes. A oferta limitada de componentes pressiona a produção, enquanto os preços elevados desestimulam parte da demanda, exigindo equilíbrio entre rentabilidade, competitividade e atração de compradores.

Outros aspectos do mercado global de celulares

Mesmo com a retração geral, algumas fabricantes ampliaram sua participação no mercado global de celulares no terceiro trimestre de 2026. Os resultados mostram que as empresas foram afetadas de maneiras diferentes pela crise.

A Samsung elevou sua participação de 19% para 23%, impulsionada pela estratégia de priorizar produtos premium, incluindo os dobráveis Galaxy Z Fold 8. Esses dispositivos oferecem recursos avançados e ajudam a melhorar a rentabilidade. De qualquer modo, a fabricante registrou queda de 3% nas remessas.

Paralelamente, a Apple também se destacou, alcançando 22% de participação, seu maior índice para um terceiro trimestre. O resultado foi favorecido pelo lançamento inicial dos iPhones 18 Pro, especialmente em mercados como China e Índia.

Fabricantes chinesas enfrentam dificuldades

Entre as empresas chinesas, o cenário foi menos favorável. A Xiaomi, responsável pelas marcas Poco e Redmi, viu sua participação cair de 14% para 10%. O volume de remessas recuou mais de 30%, refletindo dificuldades no segmento de aparelhos acessíveis.

Com componentes mais caros, fabricantes que trabalham com margens reduzidas enfrentam dificuldades para absorver os aumentos sem reajustar preços. Entretanto, repassar os custos aos consumidores pode reduzir a competitividade dos produtos.

A Oppo e a Vivo também registraram quedas superiores a 20% nas remessas, acompanhadas de perdas de participação. Para proteger suas margens, ambas precisaram elevar os preços de aparelhos de entrada e intermediários, o que pode prejudicar a demanda.

Estratégias diferentes, resultados distintos

Os resultados evidenciam a importância da adaptação em períodos de retração. Samsung e Apple ampliaram sua participação com estratégias voltadas a produtos de maior valor agregado, enquanto concorrentes dependentes de modelos acessíveis enfrentaram maiores obstáculos para equilibrar preços, rentabilidade e volume de vendas.

Expectativas para o próximo trimestre do mercado global de celulares

As perspectivas para o quarto trimestre de 2026 indicam que o mercado de celulares continuará enfrentando dificuldades. Sendo assim, as fabricantes devem priorizar a preservação das margens de lucro, em vez de buscar apenas o aumento das remessas.

Essa estratégia pode limitar descontos e dificultar a recuperação das vendas. Diante dos custos elevados, as empresas precisam avaliar se ampliar as vendas compensa a redução da rentabilidade.

Custos elevados e produção

Outro fator preocupante é a expectativa de manutenção dos preços elevados de chips e memórias. De acordo com o cenário apresentado, essa pressão poderá persistir até 2028, prolongando os desafios do setor.

Caso os custos permaneçam altos, a recomposição dos estoques poderá ser lenta. A disponibilidade limitada de componentes também dificulta o planejamento industrial, exigindo ajustes na fabricação e nos cronogramas de lançamento.

Impactos para os consumidores

Para os consumidores, o cenário pode significar smartphones mais caros e menos oportunidades de encontrar modelos competitivos. As fabricantes também poderão priorizar aparelhos mais rentáveis, reduzindo o espaço para o segmento de entrada.

Entretanto, a crise não se limita aos celulares. O mercado de computadores também registrou retração de 20%, conforme levantamento citado da IDC. Nesse sentido, o encarecimento das memórias e as dificuldades de fornecimento estão entre os fatores associados à queda.

O que esperar do mercado

A situação evidencia como as pressões sobre a cadeia de semicondutores afetam diferentes segmentos tecnológicos. Computadores e celulares dependem de componentes cuja disponibilidade influencia a produção.

Dentro desse contexto, o quarto trimestre será decisivo para acompanhar os ajustes das fabricantes. Uma recuperação dependerá da capacidade produtiva, da normalização dos estoques e de condições que mantenham os aparelhos acessíveis ao público.

Lições a aprender com a queda de 20% do mercado global de celulares no terceiro trimestre do ano

A retração do terceiro trimestre de 2026 evidencia a necessidade de tornar as cadeias de fornecimento mais resilientes. Fabricantes precisam aprimorar estoques, diversificar fornecedores e reduzir a exposição à alta dos componentes.

Preços e posicionamento de mercado

Mais um desafio envolve equilibrar rentabilidade e acessibilidade. Repassar custos aos consumidores pode preservar margens, mas também reduzir a procura. O desempenho de Samsung, Apple e fabricantes chinesas demonstra a importância do posicionamento comercial diante das mudanças do mercado.

Entretanto, apostar exclusivamente em smartphones premium não garante resultados. As estratégias devem considerar diferenças regionais, poder aquisitivo e necessidades dos consumidores.

Mudanças no comportamento dos consumidores

Paralelamente, a disposição dos usuários para prolongar a vida útil dos aparelhos também exige atenção. Com trocas menos frequentes, as empresas precisam oferecer melhorias relevantes para justificar novas compras.

Recursos diferenciados, maior desempenho e durabilidade podem ser responsáveis por estimular a substituição. Em adição, atualizações de software e manutenção tornam-se importantes para prolongar a experiência de uso.

Por fim, a retração mostra que o crescimento do setor depende de fatores como disponibilidade de componentes, custos industriais, poder de compra e decisões estratégicas, além do lançamento constante de novidades tecnológicas.

Em suma, a retração de 20% nas remessas globais é um sinal de alerta, mas também evidencia a importância de acompanhar as transformações da indústria e suas consequências para o consumidor. Com a crise de semicondutores ainda pressionando os custos, o comportamento das fabricantes nos próximos trimestres será determinante para compreender os rumos do mercado de celulares. 

Logo, acompanhe as novidades sobre celulares e descubra como essas mudanças podem afetar os preços, os lançamentos e suas próximas decisões de compra, além de conhecer tendências e tecnologias que transformarão o mercado nos próximos meses.

*com uso de inteligência artificial

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