A discussão sobre o uso de celulares no ambiente escolar ganhou força nos últimos anos, mas foi em 2025 que o tema se consolidou como política pública em diversas redes de ensino no Brasil.
Com a proibição do uso de celulares nas escolas, especialmente durante as aulas, os primeiros resultados concretos começaram a aparecer, e chamaram a atenção de educadores, gestores e especialistas. Entre os dados mais expressivos está a queda histórica na taxa de reprovação, indicando que a medida teve impacto direto no desempenho e na permanência dos alunos na escola.
A experiência de Mato Grosso do Sul tornou-se um dos principais exemplos desse novo cenário educacional. Os números divulgados pela Secretaria Estadual de Educação mostram uma melhora consistente em indicadores que há décadas preocupavam o sistema de ensino. A seguir, você confere uma análise detalhada dos dados, dos fatores envolvidos e das lições que podem ser aprendidas com a proibição dos celulares nas escolas.
A queda na taxa de reprovação após a proibição dos celulares nas escolas
A lei que proibiu o uso de celulares nas escolas brasileiras representou um marco importante para a educação em 2025. Em Mato Grosso do Sul, a medida contribuiu para que a rede estadual de ensino alcançasse o menor índice histórico de alunos reprovados desde o início do acompanhamento sistemático desses dados.
Segundo o secretário estadual de Educação, Helio Daher, o percentual de reprovação registrado em 2025 é o mais baixo em cerca de 20 anos. A série histórica acompanha a criação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
Nesse sentido, ele foi instituído em 2007, quando os municípios passaram a oficializar dados sobre repetência, evasão e desempenho escolar. De acordo com o secretário, é provável que os índices anteriores a esse período fossem ainda mais elevados, o que reforça o caráter histórico do resultado alcançado.
Dados de reprovação escolar
Os números confirmam essa evolução positiva ao longo dos anos. No ano de 2019, a rede estadual registrou 30.406 alunos reprovados, o equivalente a 12,75% do total. Em 2020, houve queda para 23.258 reprovações (10,53%). Já em 2021, o percentual voltou a subir levemente, com 24.270 alunos reprovados, representando 11,36%.
O movimento de redução se retomou no ano de 2022, com 23.132 reprovações (11,58%), e ganhou força em 2023, quando o total caiu para 21.559 alunos, ou 11,20%. Em 2024, a tendência de melhora continuou, com 19.125 reprovações, correspondendo a 10,10%. No entanto, foi em 2025 que ocorreu a queda mais acentuada: apenas 10.251 alunos reprovados, o que representa 5,38% do total.
Vale ressaltar que esse salto positivo coincide diretamente com o período de implementação e consolidação da proibição dos celulares nas escolas. Ou seja, isso reforça a relação entre a medida e a melhora no rendimento acadêmico.

Mais detalhes da relação entre a proibição dos celulares nas escolas e a taxa de reprovação
A redução da reprovação não foi o único indicador positivo observado após a proibição dos celulares nas escolas. Paralelamente, outro dado que chamou a atenção foi o abandono escolar, que também atingiu o menor nível histórico em 2025. Segundo Helio Daher, a taxa de evasão ficou em apenas 0,1%, um número considerado irrisório dentro do universo da rede estadual de ensino.
Juntamente com a permanência dos alunos na escola, houve avanços significativos no aprendizado. Nesse sentido, a proficiência média dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática ultrapassou a marca de 7 pontos, algo inédito na rede estadual. Em outras palavras, esse resultado indica não apenas aprovação formal, mas também aprendizagem efetiva, um dos principais objetivos das políticas educacionais.
Do mesmo modo, outro destaque foi a expansão do ensino profissionalizante. Em 2025, Mato Grosso do Sul ultrapassou a média europeia de oferta de educação profissional no Ensino Médio. O percentual de alunos matriculados nessa modalidade saltou de 7% para aproximadamente 45%. Atualmente, 100% dos municípios do estado contam com pelo menos uma escola oferecendo educação profissional.
Sendo assim, tal conjunto de resultados sugere que a proibição dos celulares nas escolas ajudou a criar um ambiente mais favorável ao aprendizado, reduzindo distrações, aumentando o foco em sala de aula e fortalecendo o vínculo dos estudantes com a escola.
O impacto do ambiente escolar mais focado
Um dos principais argumentos a favor da restrição ao uso de celulares nas escolas sempre foi a redução das distrações. Com menos interrupções causadas por redes sociais, jogos e mensagens, os alunos conseguem se concentrar melhor nas atividades propostas, participar mais das aulas e acompanhar o ritmo do conteúdo.
Professores também relatam melhora na dinâmica em sala, com menos conflitos, mais atenção e maior interação entre alunos e educadores. Esse ambiente mais organizado tende a refletir diretamente no desempenho acadêmico e, consequentemente, na diminuição das reprovações.
Outros aspectos além da proibição dos celulares nas escolas que contribuíram para a redução da taxa de reprovação
Mesmo que reconheça a importância da proibição dos celulares nas escolas, o secretário Helio Daher destaca que a melhora nos indicadores educacionais não pode ser atribuída a uma única ação. De acordo com ele, a restrição ao uso de celulares contribuiu para um ambiente mais harmonioso, mas foi parte de um conjunto mais amplo de políticas públicas.
Entre as principais iniciativas está um programa desenvolvido em parceria com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A ação instituiu avaliações mensais ao longo de todo o calendário escolar, permitindo identificar rapidamente os alunos com dificuldades de aprendizagem. Com isso, tais estudantes passaram a receber reforço direcionado, com atividades de recuperação adaptadas às suas necessidades específicas.
Diferentemente de modelos tradicionais, o reforço não ficou restrito ao fim do ano letivo. Por outro lado, ele ocorreu de forma contínua, mês a mês. Ou seja, isso é algo que aumentou significativamente as chances de recuperação do aprendizado antes que o aluno acumulasse defasagens.
Em paralelo, outro fator relevante foi a reforma da infraestrutura escolar. Nesse sentido, cerca de 70% das escolas da rede estadual passaram por reformas, algo que totalizou investimentos de aproximadamente 1,3 bilhão de reais. Ambientes mais adequados, seguros e confortáveis contribuem para a motivação de alunos e professores, o que favorece o processo de ensino-aprendizagem.
Tecnologia como aliada, não como distração
Curiosamente, o acesso à tecnologia também foi apontado como um dos motores da melhora nos resultados. Em outras palavras, a diferença está na forma como se utiliza a mesma. Ao invés do uso indiscriminado de celulares pessoais, as escolas passaram a contar com novos computadores, laboratórios atualizados e a inserção do ensino de robótica em todas as unidades.
Portanto, esse uso pedagógico da tecnologia aumenta o interesse dos estudantes, estimula o pensamento crítico e prepara os jovens para o mercado de trabalho, sem os efeitos negativos que estão associados ao uso inadequado de celulares durante as aulas.
É possível que a taxa de reprovação continue caindo nos próximos anos com a consolidação da proibição dos celulares nas escolas?
A tendência é que os indicadores educacionais continuem melhorando nos próximos anos, desde que as políticas implementadas em 2025 sejam mantidas e aprimoradas. Em outras palavras, a consolidação da proibição dos celulares nas escolas tende a reforçar hábitos de estudo mais saudáveis, tanto para os alunos quanto para os professores.
Com o passar do tempo, estudantes que ingressam na rede já adaptados a esse modelo educacional tendem a apresentar menos resistência à regra e maior capacidade de concentração. Além disso, o monitoramento constante do desempenho escolar e o reforço pedagógico contínuo ajudam a evitar retrocessos.
No entanto, especialistas ressaltam que a proibição dos celulares não deve ser encarada como solução isolada. Ela precisa caminhar junto com investimentos em infraestrutura, formação docente, currículo atualizado e uso consciente da tecnologia educacional.
Lições a aprender com a proibição dos celulares nas escolas
A experiência de Mato Grosso do Sul oferece importantes lições para outras redes de ensino do país. Nesse sentido, a primeira delas é que medidas aparentemente simples, como a restrição ao uso de celulares em sala de aula, podem gerar impactos significativos quando bem implementadas e acompanhadas de outras políticas estruturantes.
Segundamente, outra lição é a importância de dados e acompanhamento constante. O uso de avaliações frequentes permitiu intervenções rápidas e eficazes, evitando que dificuldades pontuais se transformassem em reprovações ao fim do ano letivo.
Por fim, o caso mostra que tecnologia e educação não são conceitos opostos. O problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada. Sendo assim, ao substituir o uso descontrolado de celulares por ferramentas pedagógicas adequadas, a escola consegue unir inovação, foco e aprendizado de qualidade.
Resumindo, em um cenário de desafios históricos na educação brasileira, os resultados de 2025 mostram que é possível avançar com planejamento, investimento e decisões baseadas em evidências. A proibição dos celulares nas escolas, quando integrada a um conjunto mais amplo de ações, surge como um exemplo concreto de como políticas educacionais bem estruturadas podem transformar realidades.
*com uso de Inteligência Artificial

