A ciberespionagem tornou-se uma preocupação crescente para governos e empresas na América Latina. Nesse sentido, a operação PassiveNeuron (detectada e monitorada desde meados de 2024 por uma empresa de segurança) revela ataques sofisticados voltados a servidores Windows em setores governamentais, financeiros e industriais.
Desse modo, relatórios indicam que a campanha evoluiu ao longo de 2024 e 2025, com novas infecções registradas até agosto de 2025, incluindo alvos latino-americanos. Ou seja, esse cenário mostra que o contexto deixou de ser uma hipótese remota e se consolidou como uma ameaça concreta à estabilidade digital e econômica da região.
Logo, neste conteúdo, iremos explorar a circunstância da preocupação da América Latina em relação à ciberespionagem, bem como explicar o funcionamento de um esquema desse tipo. Juntamente com isso, pensaremos sobre possíveis desdobramentos da situação e também listaremos dicas para se proteger dela. Por fim, iremos elencar algumas lições que podem ser aprendidas com a mesma.
Por que a ciberespionagem está preocupando a América Latina?
Uma campanha internacional de ciberespionagem, nomeada PassiveNeuron, está afetando organizações em países da América Latina, Ásia e África. Em tal sentido, o ataque, em operação desde abril de 2024, emprega implantes APT (Ameaças Persistentes Avançadas) inéditos para comprometer servidores Windows com técnicas de evasão de alto nível.
Paralelamente, vale ressaltar que a campanha foi detectada em junho de 2024, e teve uma nova onda de ataques em dezembro do mesmo ano e continua ativa em 2025, com infecções recentes em países latino-americanos não revelados publicamente.
Alvos e impacto
O foco principal da operação recai sobre órgãos governamentais, instituições financeiras e empresas industriais. Todos esses são setores que concentram dados críticos e que, se comprometidos, podem expor informações estratégicas e paralisar atividades essenciais.
Sendo assim, o impacto potencial inclui roubo de segredos de Estado, espionagem econômica e interrupção de serviços públicos. Ou seja, essa combinação de persistência e sofisticação transforma a PassiveNeuron em uma ameaça sem precedentes para a segurança digital da região.
Por que o ataque preocupa tanto
O perigo vai além do roubo de dados. Em outras palavras, o uso de múltiplas camadas de ofuscação, mecanismos de persistência e técnicas de disfarce é algo que eleva o nível de complexidade.
Com isso, os atacantes buscam permanecer invisíveis o maior tempo possível dentro das redes, explorando vulnerabilidades em infraestruturas críticas e mantendo controle remoto sem disparar alarmes. Desse modo, tal abordagem demonstra não apenas alta capacidade técnica, mas também objetivos estratégicos de longo prazo.
Funcionamento desse esquema de ciberespionagem
A investigação técnica revelou que a maioria das máquinas comprometidas executava o Microsoft SQL Server. Sendo assim, o vetor inicial de ataque envolvia explorar vulnerabilidades conhecidas, injeção de SQL (SQL injection) e ataques de força bruta contra contas administrativas.
Ou seja, a partir do acesso obtido, os invasores tentavam instalar um web shell ASPX, que é um script malicioso responsável por criar uma porta dos fundos e permitir a execução remota de comandos.
Primeiras etapas do ataque
Os criminosos codificavam comandos usando Base64, hexadecimal e PowerShell, tentando escapar da detecção automática. Então, quando os sistemas de defesa bloqueavam as tentativas, os invasores recorriam a implantes mais sofisticados. Nesse sentido, a campanha usa três principais componentes: Neursite, NeuralExecutor e o Cobalt Strike, ferramenta legítima frequentemente abusada em ataques avançados.
Neursite: o cérebro da ciberespionagem
O Neursite é um backdoor modular em C++, feito sob medida para espionagem. Ele coleta informações do sistema, executa comandos remotos, gerencia processos e permite movimentação lateral em redes comprometidas.
Paralelamente, também pode carregar plugins adicionais conforme necessário, o que o torna flexível e perigoso. Em adição, o Neursite ainda define horários específicos de operação, evitando agir fora do expediente comercial para reduzir a chance de detecção.
NeuralExecutor e Cobalt Strike
O NeuralExecutor, escrito em .NET, funciona como um loader (carregador) para outras cargas maliciosas. Ele se comunica via TCP, HTTP, WebSockets e named pipes, além de ser protegido por um ofuscador que dificulta a análise. Já o Cobalt Strike é uma ferramenta legítima usada para testes de invasão, mas explorada por cibercriminosos devido à sua versatilidade.
Técnica de Phantom DLL Hijacking
Os atacantes também aplicam a técnica conhecida como Phantom DLL Hijacking, posicionando DLLs maliciosas em System32. Esses arquivos, com nomes semelhantes a componentes legítimos (como wlbsctrl.dll e oci.dll), são executados automaticamente quando o sistema inicia. Cada DLL ultrapassa 100 MB, tamanho inflado com bytes inúteis para confundir antivírus que associam arquivos grandes a processos legítimos.
Mecanismos de ofuscação e personalização
Antes de executar o código malicioso, as DLLs verificam o endereço MAC dos adaptadores de rede da máquina-alvo. Sendo assim, caso não haja correspondência com o hash esperado, a execução é interrompida.
Essa verificação impede que o malware seja analisado em sandboxes e garante que funcione apenas nos alvos definidos pelos invasores. Depois dessa etapa, o ataque segue uma cadeia de até quatro estágios, culminando na injeção do payload final em processos legítimos do Windows, como WmiPrvSE.exe ou msiexec.exe.
Possíveis desdobramentos da ciberespionagem
Os pesquisadores destacam que tanto o Neursite quanto o NeuralExecutor são ferramentas inéditas, o que indica o envolvimento de um grupo que é altamente capacitado. Em outras palavras, a análise inicial revelou strings em russo nos códigos, mas elas desapareceram nas amostras de 2025, sugerindo uma possível tentativa de despistar investigadores.
Pistas sobre a origem
As novas amostras apresentaram um método chamado Dead Drop Resolver, que usa o GitHub para recuperar endereços de servidores de comando e controle (C2). Nesse sentido, tal técnica é comum entre grupos chineses e já foi observada em campanhas como EastWind, ligadas aos grupos APT31 e APT27.
Uma DLL trazia o caminho “G:\Bee\Tree(pmrc)\Src\Dll_3F_imjp14k\Release\Dll.pdb”, que já foi mencionado anteriormente em relatórios de investigação sobre o grupo chinês de nome APT41.
Com base nas TTPs (Táticas, Técnicas e Procedimentos) que foram identificadas, os pesquisadores concluíram que o PassiveNeuron tem forte semelhança com operações de origem da China. Embora a atribuição final tenha sido feita com baixa confiança, a convergência de métodos e ferramentas sugere envolvimento estatal.
Impactos regionais e riscos futuros
A América Latina se torna vulnerável por sua infraestrutura digital fragmentada e pela dependência de soluções estrangeiras. Sendo assim, a continuidade de campanhas como por exemplo o PassiveNeuron pode resultar em:
- Vazamento de informações sigilosas de governos e bancos centrais;
- Exposição de dados industriais estratégicos;
- Riscos de sabotagem digital e chantagem econômica;
- Diminuição da confiança em sistemas públicos e provedores tecnológicos;
Ou seja, diante de tal circunstância, cresce a urgência por políticas regionais de defesa cibernética e integração de inteligência entre países.
Dicas para se proteger da ciberespionagem
A proteção contra campanhas APT (Advanced Persistent Threats) é algo que requer uma abordagem ampla e integrada, combinando tecnologia, capacitação humana e boas práticas de governança. Desse modo, tais ameaças, geralmente conduzidas por grupos altamente qualificados, exploram falhas técnicas e comportamentais para se manterem ocultas por longos períodos.
Reforçar credenciais e acessos
Implemente autenticação multifator (MFA) em todas as contas críticas e utilize senhas complexas, alterando-as regularmente. Em paralelo, revise permissões administrativas para evitar privilégios desnecessários e monitore tentativas de login suspeitas, bloqueando endereços IP maliciosos de forma automatizada.
Atualizar e monitorar sistemas
Mantenha o Microsoft SQL Server e outros softwares corporativos sempre atualizados com os últimos patches de segurança. Restrinja o acesso remoto a usuários autorizados e desative serviços que não sejam essenciais. Da mesma forma, supervisione continuamente logs e comportamentos anômalos para identificar possíveis comprometimentos em tempo real.
Detectar e bloquear web shells
Realize varreduras periódicas em servidores web, analisando scripts ASPX e códigos suspeitos. Adicionalmente, automatize auditorias em diretórios críticos, como System32, e utilize ferramentas para detectar padrões de codificação maliciosos.
Reduzir persistência e ofuscação
Bloqueie DLLs não assinadas digitalmente, empregue soluções EDR/NDR e valide processos executados fora do horário normal.
Preparar-se para incidentes
Mantenha planos de resposta atualizados, forme equipes CSIRT e compartilhe indicadores de comprometimento (IOCs) com parceiros e autoridades.

Lições a aprender com a preocupação da América Latina em relação à ciberespionagem
A crescente preocupação com a ciberespionagem oferece à América Latina oportunidades de evolução digital e estratégica.
Investimento em defesa cibernética
Governos e empresas precisam aumentar o investimento em tecnologias de detecção e prevenção, além de qualificar equipes locais. Sendo assim, o fortalecimento das políticas de segurança deve incluir fornecedores e prestadores de serviços.
Cooperação regional e internacional
Ataques transnacionais exigem respostas coordenadas. Ou seja, o intercâmbio de informações e a criação de redes de inteligência regionais são essenciais para identificar e bloquear campanhas antes que se espalhem.
Conscientização e cultura de segurança
Promover educação digital e conscientização entre gestores, técnicos e usuários finais reduz a probabilidade de ataques bem-sucedidos. Nesse sentido, uma cultura de segurança consolidada é o melhor escudo contra ameaças persistentes.
Em última análise, a ciberespionagem representa uma ameaça estratégica para toda a América Latina. Com isso, o caso PassiveNeuron mostra como operações avançadas podem comprometer governos e empresas com técnicas altamente elaboradas e difíceis de detectar.
Portanto, investir em prevenção, resposta a incidentes e cooperação regional é essencial para conter esse tipo de ofensiva. Dessa maneira, proteja sua organização e fortaleça suas defesas contra a ciberespionagem.
*com uso de Inteligência Artificial

