Créditos de carbono: como comprar e vender? Entenda!

Os créditos de carbono ganharam espaço nas discussões sobre sustentabilidade, mudanças climáticas e novos modelos de negócios. Na prática, eles permitem atribuir valor econômico a iniciativas que reduzem ou removem gases de efeito estufa da atmosfera. 

Por isso, entender como funcionam os créditos de carbono é importante tanto para empresas que desejam compensar emissões quanto para projetos que buscam transformar ações ambientais em uma fonte de receita.

No Brasil, esse mercado também passa por um processo de estruturação. A Lei nº 15.042/2024 criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), responsável por estabelecer o mercado regulado de carbono no país. Em 2026, o governo avançou na regulamentação do sistema, incluindo propostas para definir setores e regras de monitoramento, relato e verificação das emissões de créditos de carbono.

O que são e como funcionam os créditos de carbono?

Um crédito de carbono representa, de maneira padronizada, a redução ou remoção equivalente a uma tonelada de dióxido de carbono (CO₂) ou de outros gases de efeito estufa. Dessa forma, ele transforma uma redução de emissões comprovada em um ativo que pode ser registrado e negociado.

Como os créditos são gerados?

A geração desses créditos está ligada a projetos capazes de evitar emissões ou retirar gases de efeito estufa da atmosfera. Entre os exemplos estão reflorestamento, conservação de florestas, recuperação de áreas degradadas e iniciativas de agricultura sustentável. Do mesmo modo, projetos de energia solar, eólica e biomassa também podem contribuir, assim como ações para captura de metano em aterros sanitários.

Como funciona o processo?

O funcionamento pode ser entendido em três etapas. Em primeiro lugar, uma atividade sustentável precisa demonstrar que reduziu ou removeu determinada quantidade de gases de efeito estufa. Depois, essa redução é mensurada de acordo com uma metodologia específica. Por fim, os resultados passam por processos de validação, verificação e registro, conforme o padrão adotado.

A importância da adicionalidade

Vale ressaltar que um conceito fundamental nesse processo é a adicionalidade. Em termos simples, o projeto precisa demonstrar que a redução ou remoção de emissões é adicional ao que ocorreria normalmente sem o incentivo econômico proporcionado pela geração dos créditos.

Com os créditos devidamente reconhecidos, empresas podem adquiri-los para compensar emissões residuais, de acordo com suas estratégias climáticas e as regras aplicáveis. É importante, porém, diferenciar créditos de carbono de permissões de emissão.

Créditos e permissões de emissão

No modelo regulado brasileiro, por exemplo, as Cotas Brasileiras de Emissões (CBEs) representam direitos de emissão dentro de um sistema de teto e comércio e não são sinônimos de créditos de carbono.

Os créditos de carbono chamam a atenção nos dias atuais.
Os créditos de carbono chamam a atenção nos dias atuais. | Foto: DALL-E 3

Como comprar créditos de carbono?

Comprar créditos de carbono significa adquirir ativos ambientais associados a reduções ou remoções verificadas de gases de efeito estufa. A operação pode fazer parte da estratégia de sustentabilidade de uma empresa, especialmente quando ela já adotou medidas para reduzir suas próprias emissões, mas ainda possui emissões residuais.

Mercado voluntário e mercado regulado

Uma das primeiras decisões é identificar em qual mercado a negociação ocorrerá. No mercado voluntário, empresas e outras organizações compram créditos por iniciativa própria, geralmente para cumprir compromissos climáticos ou estratégias ambientais. A legislação brasileira define esse ambiente como aquele em que as transações são estabelecidas voluntariamente entre as partes para fins de compensação de emissões.

Já o mercado regulado está relacionado ao SBCE e envolve obrigações determinadas por regras governamentais. É importante destacar que a implementação brasileira está ocorrendo de maneira gradual, com regulamentações relacionadas ao monitoramento, relato e verificação das emissões ainda em desenvolvimento.

O que analisar antes de comprar?

Antes de adquirir créditos, é importante verificar a origem do projeto, a metodologia utilizada, a quantidade de emissões reduzidas ou removidas e o padrão de certificação adotado. Também vale analisar se os créditos possuem rastreabilidade e se existem informações suficientes para comprovar seus resultados ambientais.

Paralelamente, a qualidade do projeto é especialmente importante. Um crédito barato nem sempre representa a melhor escolha. Nesse sentido, a integridade ambiental, a transparência dos dados, a adicionalidade e os impactos sociais e ambientais associados ao projeto devem fazer parte da análise.

A negociação pode ocorrer por meio de empresas especializadas, desenvolvedores de projetos, corretoras, plataformas e instituições financeiras que atuem dentro desse mercado. O Banco do Brasil, por exemplo, mantém iniciativas relacionadas à estruturação e comercialização de créditos de carbono. 

Em conjunto a isso, o BNDES também possui mecanismos voltados à aquisição de créditos do mercado voluntário que atendam a critérios de certificação e redução ou remoção comprovada e adicional de emissões.

Como vender créditos de carbono?

Para vender créditos de carbono, não basta realizar uma atividade sustentável. É necessário transformar a redução ou remoção de gases de efeito estufa em um ativo mensurável, verificável e certificado por uma metodologia reconhecida.

1. Desenvolva um projeto ambiental

O primeiro passo é estruturar uma iniciativa capaz de reduzir ou remover emissões. Entre as possibilidades estão reflorestamento, conservação de vegetação nativa, manejo sustentável, energia renovável e captura de metano em aterros. Vale ressaltar que o projeto deve considerar os requisitos da metodologia escolhida e os dados necessários para comprovar os resultados ambientais.

2. Faça o estudo de viabilidade e a medição

É preciso avaliar o potencial de geração de créditos. Consultorias especializadas podem ajudar a definir o cenário de referência, medir emissões e estimar a quantidade de carbono reduzida ou removida. Também é necessário demonstrar a adicionalidade, comprovando que os resultados climáticos não ocorreriam sem a iniciativa.

3. Elabore a documentação do projeto

Os dados técnicos são reunidos em documentos que descrevem a atividade, metodologia, cenário de referência, cálculos de redução ou remoção e impactos socioambientais. Em padrões internacionais, essa documentação pode incluir um Project Design Document (PDD), ou Documento de Concepção do Projeto.

4. Passe por validação e verificação independente

Avaliações independentes verificam se o projeto atende à metodologia e se os resultados são confiáveis. Essa etapa é essencial para dar credibilidade aos créditos e comprovar sua integridade ambiental.

5. Registre e comercialize os créditos

Depois de cumprir as exigências do padrão adotado, os créditos podem ser registrados e emitidos, com mecanismos de identificação e rastreabilidade. Após, o responsável pode buscar compradores.

Sendo assim, as negociações podem ocorrer diretamente, no mercado OTC (Over-the-Counter), por plataformas especializadas, corretoras, empresas de comercialização e instituições financeiras. A escolha depende do volume, tipo de projeto, certificação e perfil dos compradores.

No Brasil, créditos de carbono são ativos transacionáveis e possuem regras específicas em determinadas circunstâncias. Quando negociados no mercado financeiro e de capitais, estão sujeitos à legislação aplicável.

A importância de entender o contexto dos créditos de carbono

O mercado de carbono não deve ser encarado apenas como uma oportunidade de investimento ou como uma forma simples de compensar emissões. Ele faz parte de uma estratégia mais ampla de redução dos gases de efeito estufa.

Para uma empresa, comprar créditos não substitui necessariamente a necessidade de reduzir suas próprias emissões. O ideal é priorizar mudanças em processos, eficiência energética, fontes renováveis, logística e gestão de resíduos. A compensação pode atuar sobre aquilo que não foi possível eliminar.

Já para quem pretende vender créditos, por outro lado, a principal preocupação deve ser a qualidade do projeto. Quanto mais robustas forem a mensuração, a verificação, a rastreabilidade e a demonstração de adicionalidade, maior tende a ser a confiança dos compradores.

Sendo assim, o Brasil possui condições relevantes para esse mercado, especialmente pela disponibilidade de recursos naturais e pelo potencial de projetos florestais, agrícolas e de energia renovável. Ao mesmo tempo, a expansão do setor exige regras claras, transparência e mecanismos capazes de reduzir riscos de créditos sem integridade ambiental.

É possível que os créditos de carbono se popularizem ainda mais no futuro?

A tendência é que os créditos de carbono ganhem importância à medida que governos e empresas ampliem suas estratégias de descarbonização. No Brasil, a criação do SBCE pela Lei nº 15.042/2024 representa um passo importante para estruturar o mercado regulado e estabelecer mecanismos de precificação das emissões.

Implementação do mercado

Em 2026, o processo de implementação continua avançando. O Ministério da Fazenda abriu consultas públicas relacionadas à cobertura setorial e ao cronograma de monitoramento, relato e verificação das emissões. Isso mostra que o mercado brasileiro ainda está em fase de construção e regulamentação.

Novas oportunidades

Logo, a popularização dos créditos dependerá da confiança dos participantes. Projetos com resultados ambientais comprovados, sistemas de registro eficientes e regras transparentes podem favorecer o crescimento das negociações.

Dessa forma, para empresas, isso pode representar uma nova ferramenta de gestão climática. Para desenvolvedores de projetos, pode significar uma fonte adicional de financiamento para iniciativas sustentáveis. Já para o mercado financeiro, a expansão pode criar novas possibilidades de estruturação e negociação de ativos ambientais.

Resumindo, entender como funcionam, como comprar e como vender créditos de carbono é cada vez mais importante para quem deseja entender a transformação da economia em direção a modelos de menor emissão. 

Então, quer saber mais sobre sustentabilidade, mercado ambiental e também novas oportunidades? Portanto, continue acompanhando nossos conteúdos e descubra tudo sobre créditos de carbono.

*com uso de inteligência artificial

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