Criptomoeda baseada no euro pode ser lançada em breve. Veja!

O mercado financeiro europeu pode estar prestes a dar um dos maiores passos de sua história recente: o lançamento de uma criptomoeda baseada no euro. A iniciativa reúne alguns dos maiores bancos da Europa em um consórcio que visa oferecer uma stablecoin atrelada ao euro, regulamentada sob o MiCAR (Market In-Crypto Assets Regulation). 

Sendo assim, o anúncio, feito no dia 25 de setembro de 2025, promete não apenas movimentar o setor financeiro europeu, mas também desafiar a hegemonia das stablecoins lastreadas no dólar, hoje predominantes no mercado global.

Logo, neste artigo, iremos explorar o possível lançamento de uma criptomoeda baseada no euro e também apresentar os detalhes deste projeto. Juntamente com isso, explicaremos os motivos dele, bem como pensaremos se é possível que o ativo digital se popularize. Por fim, iremos discutir se o mesmo pode inspirar outras criações.

O possível lançamento de uma criptomoeda baseada no euro

O comunicado que anunciou a possível criptomoeda baseada no euro surpreendeu o mercado cripto e financeiro. Em outras palavras, nove dos principais bancos europeus decidiram se unir em um consórcio estratégico para desenvolver uma stablecoin atrelada à moeda comum da União Europeia.

Nesse sentido, o anúncio foi feito em 25 de setembro de 2025 e destacou que a iniciativa será totalmente regulada sob o MiCAR (Market In-Crypto Assets Regulation), a nova estrutura regulatória europeia para ativos digitais. Tal regulação, que entrou em vigor recentemente, tem como objetivo oferecer maior segurança jurídica para empresas e investidores que atuam no setor.

Bancos participantes

O consórcio reúne grandes instituições financeiras, de diferentes países da Europa:

  • ING (Holanda);
  • Banca Sella (Itália);
  • KBC (Bélgica);
  • Danske Bank (Dinamarca);
  • DekaBank (Alemanha);
  • UniCredit (Itália);
  • SEB (Suécia);
  • CaixaBank (Espanha);
  • Raiffeisen Bank International (Áustria).

Apesar de originários de diferentes países, muitos desses bancos têm uma forte presença global. Isso é algo que poderá facilitar a adoção da stablecoin em diferentes mercados internacionais.

Estrutura do projeto

Uma nova empresa foi criada para coordenar o desenvolvimento e as operações dessa stablecoin, embora ainda não tenha sido revelado quem será o CEO. Paralelamente, o nome oficial da criptomoeda também permanece em aberto.

De acordo com o comunicado, a previsão é que a stablecoin atrelada ao euro chegue ao mercado apenas no segundo semestre de 2026, mas os preparativos já estão em andamento. 

Vale ressaltar que o intervalo até o lançamento oficial servirá para alinhar questões regulatórias, testar a tecnologia blockchain escolhida e garantir que a stablecoin atenda aos padrões exigidos pelos órgãos supervisores da União Europeia.

Detalhes sobre a criptomoeda baseada no euro

A decisão dos nove bancos europeus de unirem forças para lançar uma criptomoeda baseada no euro não ocorreu de forma repentina, mas como parte de um movimento estratégico da União Europeia em direção à digitalização financeira. Poucos dias antes do anúncio oficial, importantes lideranças monetárias já sinalizavam a necessidade de acelerar os avanços em torno de um futuro euro digital.

Apoio político e institucional

Entre as vozes que reforçaram essa visão estão Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), Paschal Donohoe, presidente do Eurogrupo, e Valdis Dombrovskis, comissário da União Europeia. Todos destacaram que a Europa precisa modernizar seus meios de pagamento para manter relevância global e reduzir a dependência de moedas estrangeiras, especialmente o dólar.

Expectativas para o lançamento

A nova stablecoin será integralmente lastreada em euros, garantindo paridade 1:1 com a moeda oficial. Em outras palavras, diferentemente de criptomoedas voláteis como Bitcoin ou Ethereum, ela oferecerá estabilidade e transparência, características essenciais para a adoção em massa. 

Como dissemos anteriormente, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026, após um extenso período de preparação. Entre as etapas estão auditorias de conformidade, testes de interoperabilidade entre bancos, integração com plataformas digitais e alinhamento às normas do MiCAR.

Ou seja, tal abordagem estruturada busca construir confiança junto a consumidores, empresas e investidores. Caso seja bem-sucedida, a iniciativa não apenas reforçará a competitividade do euro, mas também posicionará a União Europeia como uma referência mundial em inovação financeira regulada.

Motivos para a criação desta criptomoeda baseada no euro

Os bancos envolvidos foram claros ao justificar a iniciativa: os pagamentos digitais precisam se modernizar, e o euro deve estar presente no cenário global de stablecoins para que a moeda continue competitiva em relação ao dólar.

Eficiência e inovação tecnológica

De acordo com Floris Lugt, líder de Ativos Digitais do ING, a programabilidade da blockchain é um dos principais diferenciais da nova stablecoin. Isso significa que os pagamentos poderão ser automatizados, liquidados instantaneamente e realizados de forma segura 24 horas por dia, 7 dias por semana. 

É importante destacar que essa inovação pode ser responsável por reduzir custos operacionais, aumentar a transparência nas transações e facilitar operações multimoeda em escala global.

Padronização setorial

Outro ponto destacado foi a necessidade de uma padronização dentro do setor bancário europeu. A adoção de uma stablecoin comum cria um ecossistema unificado, permitindo que diferentes instituições ofereçam serviços complementares, como:

  • Carteiras digitais de stablecoin;
  • Serviços de custódia de ativos digitais;
  • Integração com sistemas de pagamento já utilizados por empresas e consumidores.

Concorrência com o dólar

Um dos grandes objetivos é fornecer uma alternativa às stablecoins lastreadas no dólar estadunidense, que hoje dominam o mercado, como por exemplo o USDT (Tether) e o USDC (Circle). Essa predominância cria uma dependência do dólar, mesmo em operações internacionais realizadas na Europa. A nova stablecoin busca corrigir esse desequilíbrio e fortalecer a autonomia financeira europeia.

Expansão futura para outros serviços

Os bancos também não descartam a possibilidade de, no futuro, expandirem a oferta de serviços relacionados ao setor cripto. Isso pode incluir exposição a ativos consolidados, como Bitcoin e Ethereum, ou até mesmo a emissão de novos produtos financeiros tokenizados.

É possível que a criptomoeda baseada no euro se popularize?

A questão da adoção será determinante para o sucesso da futura criptomoeda baseada no euro, e diversos fatores podem influenciar esse processo. Na sequência, temos alguns dos principais:

Cenário favorável

Três pontos reforçam a perspectiva de aceitação ampla. Primeiramente, temos a força institucional, pois a participação de nove grandes bancos europeus confere credibilidade e solidez ao projeto, transmitindo confiança a investidores e consumidores. 

Em segundo lugar, há a regulação clara, porque o MiCAR estabelece um arcabouço jurídico robusto, reduzindo riscos legais e garantindo maior segurança às operações, algo ainda incerto em várias jurisdições fora da União Europeia. 

Ademais, o terceiro aspecto é a demanda crescente por alternativas, pois empresas e usuários já demonstram interesse em stablecoins mais conectadas ao euro, o que pode impulsionar a adoção no mercado interno europeu e, gradualmente, em escala global.

Possíveis obstáculos

Por outro lado, existem desafios consideráveis. A concorrência com stablecoins atreladas ao dólar é o principal, já que elas dominam a liquidez global e estão consolidadas entre investidores. 

Em conjunto a isso, o ceticismo do público pode limitar o avanço, visto que alguns podem encarar a iniciativa como uma simples extensão do sistema bancário tradicional, sem o mesmo apelo de descentralização que caracteriza outras criptomoedas. 

Finalmente, há os aspectos técnicos, como a necessidade de garantir interoperabilidade com blockchains já estabelecidas, condição essencial para que a moeda seja amplamente utilizada em diferentes plataformas.

Logo, o êxito dependerá da habilidade do consórcio em equilibrar confiança institucional com usabilidade prática. Ou seja, isso torna a stablecoin não apenas segura, mas também conveniente no dia a dia.

A criptomoeda baseada no euro tem um grande potencial de popularização.
A criptomoeda baseada no euro tem um grande potencial de popularização. | Foto: DALL-E 3

A criptomoeda baseada no euro pode inspirar outras criações?

A criação dessa stablecoin pode ser responsável por abrir portas para uma nova era de inovações no setor financeiro europeu e global.

Inspiração para outras moedas digitais

Se a iniciativa for bem-sucedida, é possível que outros blocos econômicos ou regiões adotem estratégias semelhantes. Podemos citar como exemplos:

  • Uma stablecoin baseada na libra esterlina para o Reino Unido;
  • Stablecoins atreladas a moedas emergentes, como o real brasileiro;
  • Projetos regionais em países asiáticos que buscam diminuir a dependência do dólar.

Integração com o euro digital

Outro ponto de debate é se a stablecoin poderá coexistir ou até mesmo se integrar ao futuro euro digital, que está sendo estudado pelo Banco Central Europeu. Essa sinergia pode fortalecer ainda mais o papel do euro no cenário global de pagamentos digitais.

Impacto nos investidores e empresas

Para investidores, a existência de uma stablecoin europeia pode significar maior diversificação e acesso a mercados antes limitados pelo domínio das stablecoins atreladas ao dólar. Já para empresas, abre-se a possibilidade de operações internacionais mais baratas e rápidas, sem a necessidade de conversões cambiais constantes.

Resumindo, o consórcio de nove bancos europeus anunciou o lançamento de uma criptomoeda baseada no euro, regulada pelo MiCAR, marcando um avanço histórico para o setor financeiro da União Europeia. A iniciativa busca modernizar os meios de pagamento, fortalecer a moeda europeia no cenário global e reduzir a dependência do dólar. 

Se for bem-sucedida, poderá aumentar a competitividade do euro e impulsionar novas soluções financeiras digitais. Com tradição em integração econômica, a Europa tem agora a chance de liderar também no setor cripto. Continue acompanhando as atualizações sobre a criptomoeda baseada no europara não perder nenhum detalhe dessa transformação financeira.

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