Criptomoedas: investidores já são mais que o dobro dos da bolsa

As criptomoedas já fazem parte da vida financeira de uma parcela significativa dos brasileiros. Segundo a 2ª Pesquisa Nacional das Criptomoedas, realizada pelo Datafolha em parceria com a Paradigma, 17,2% da população com mais de 16 anos afirma ter ou já ter tido ativos digitais. O número representa aproximadamente 29 milhões de pessoas.

Nesse sentido, o resultado chama a atenção principalmente quando comparado ao mercado de ações. A parcela de brasileiros que já investiu na bolsa é de 7,4%. Dessa forma, o público que possui ou já possuiu criptomoedas é cerca de 2,3 vezes maior que o grupo que investiu em ações.

Esse levantamento sobre criptomoedas foi realizado presencialmente entre 11 e 14 de maio de 2026. Ao todo, foram entrevistadas 2.004 pessoas em 137 municípios de todas as regiões do país. Vale ressaltar que a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O fato de que os investidores de criptomoedas já são mais que o dobro dos investidores da bolsa

Os dados são responsáveis por mostrar uma mudança importante no comportamento financeiro dos brasileiros. Quase um em cada cinco cidadãos com mais de 16 anos já teve contato financeiro com criptomoedas. Com isso, os ativos digitais alcançaram uma base maior que a de investimentos tradicionais, como ações, ouro e dólar.

Número de investidores em cripto

Ao considerar o universo de 168,9 milhões de brasileiros acima dos 16 anos, os 17,2% identificados pela pesquisa correspondem a aproximadamente 29 milhões de pessoas. Já os 7,4% que afirmam ter ou já ter tido ações representam uma parcela consideravelmente menor.

Comparação com pesquisa anterior

Paralelamente, a comparação também ganha relevância quando observada em relação à primeira edição da pesquisa. O estudo atual mostra que o conhecimento sobre o mercado cripto avançou desde dezembro de 2024. Naquele período, foram entrevistadas 2.007 pessoas em 113 municípios.

É importante destacar que a pesquisa atual foi conduzida pelo Datafolha em parceria com a Paradigma, empresa especializada em pesquisas sobre o mercado de criptoativos. O estudo contou ainda com patrocínio da Coinbase e da Hashdex e apoio da ABCripto.

Criptomoedas alcançam mais brasileiros

Portanto, os números indicam que as criptomoedas deixaram de ocupar um espaço restrito a investidores especializados. Atualmente, elas já alcançam uma parcela ampla da população brasileira.

Um estudo apontou que os investidores em criptomoedas já são mais que o dobro dos da bolsa.
Um estudo apontou que os investidores em criptomoedas já são mais que o dobro dos da bolsa. | Foto: DALL-E 3

Mais detalhes sobre esse contexto das criptomoedas

Apesar do crescimento, as criptomoedas ainda aparecem atrás de algumas formas tradicionais de guardar ou investir dinheiro. Em outras palavras, a poupança lidera esse levantamento, com 57,1% dos brasileiros afirmando que já utilizaram esse tipo de aplicação.

Investimentos tradicionais ainda lideram

Na sequência aparecem imóveis, com 34%, dinheiro guardado em casa, com 30,5%, e fundos de investimento, com 26,1%. As criptomoedas aparecem na quinta posição, com 17,2%.

Mesmo nessa posição, os ativos digitais superam títulos públicos e CDBs, que somam 15,1%. O percentual também fica acima de dólar ou outras moedas, com 14%, ouro, com 9,8%, e ações, com 7,4%.

Ainda assim, a poupança apresenta uma utilização 3,3 vezes maior. O dado demonstra que, embora o mercado cripto tenha conquistado milhões de brasileiros, produtos financeiros tradicionais continuam tendo forte presença.

Mudanças na composição dos investidores

Juntamente com isso, a pesquisa também aponta mudanças na composição dos investidores. Desde o primeiro levantamento, aproximadamente 8 milhões de novos brasileiros passaram a investir em fundos de investimento. Em contrapartida, cerca de 7 milhões de pessoas deixaram de declarar que têm ou já tiveram poupança.

Mais um dado relevante está relacionado ao conhecimento. Atualmente, 66,4% dos brasileiros dizem conhecer criptomoedas. O percentual representa um crescimento de 10,1 pontos percentuais em relação à primeira pesquisa.

Bitcoin é a criptomoeda mais conhecida

Entre as moedas mais conhecidas, o Bitcoin aparece na liderança, citado por 60,7% dos entrevistados. Já Ethereum aparece com 11,1%, enquanto o Drex, projeto de moeda digital do Banco Central, é mencionado por 10,3%.

O modo de acesso aos ativos digitais também chama atenção. Entre as pessoas que já investiram em cripto, 83% fizeram isso por meio do aplicativo do próprio banco. Carteiras próprias aparecem com 26%, enquanto corretoras especializadas foram citadas por 20%. Fundos ou ETFs somaram 18%. Vale ressaltar que, como a questão permitia múltiplas respostas, uma mesma pessoa poderia indicar mais de uma alternativa.

Autocustódia avança entre os investidores

A autocustódia também avançou. Hoje em dia, 4% da população afirma utilizar esse modelo, no qual o próprio investidor mantém suas chaves de acesso. Sendo assim, o percentual praticamente dobrou em relação aos 2,2% registrados anteriormente. O fenômeno é mais comum entre pessoas de 25 a 34 anos, faixa em que a autocustódia chega a 8,3%. Entre brasileiros com 60 anos ou mais, o percentual é de apenas 0,3%.

Perfil dos investidores em cripto

Da mesam forma, a pesquisa também mostra que as criptomoedas não estão concentradas exclusivamente entre pessoas de alta renda. Entre os investidores em cripto, 77,6% recebem até três salários mínimos. Adicionalmente, 89,4% ganham até cinco salários mínimos.

O conhecimento sobre o tema também cresceu entre os brasileiros com menor escolaridade. Entre aqueles que possuem apenas o Ensino Fundamental, o percentual que conhece criptomoedas passou de 25,9% para 38%. No Ensino Médio, avançou de 65,4% para 76%. Já no Ensino Superior, subiu de 84,1% para 89,7%.

Diferença entre homens e mulheres

Por outro lado, permanece uma diferença significativa entre homens e mulheres. Ao mesmo tempo em que 23,6% dos homens afirmam já ter investido em cripto, o percentual entre mulheres é de 11,3%. Elas representam 34,2% da população que já teve contato financeiro com esses ativos.

O que explica essa situação das criptomoedas?

Uma das possíveis explicações para o crescimento das criptomoedas é a maior facilidade de acesso. Atualmente, o interessado pode encontrar produtos relacionados a ativos digitais dentro do próprio aplicativo bancário.

Taç movimento reduz uma barreira que existia quando o mercado ainda dependia mais de plataformas especializadas. A pesquisa mostra justamente essa transformação. Entre aqueles que já investiram em cripto, a maioria utilizou o aplicativo do próprio banco.

Além disso, o aumento do conhecimento sobre o assunto amplia o público potencial. Em outras palavras, quando mais pessoas passam a entender o que são Bitcoin, Ethereum e outros ativos, o mercado deixa de parecer restrito a especialistas em tecnologia ou finanças.

Outro fator importante é a presença das criptomoedas no debate econômico. Bitcoin e outros ativos digitais passaram a receber maior atenção de empresas, instituições financeiras e investidores. Isso contribui para aumentar sua visibilidade.

É possível que a quantidade de investidores em criptomoedas continue aumentando?

É importante destacar que os dados da pesquisa sugerem que ainda existe espaço para expansão. Ainda que 66,4% dos brasileiros afirmem conhecer criptomoedas, isso significa que aproximadamente um terço da população ainda não possui familiaridade com o tema.

Portanto, existe uma parcela relevante que pode entrar em contato com esse mercado nos próximos anos. A evolução do conhecimento entre diferentes níveis de escolaridade também reforça essa possibilidade.

No entanto, a expansão não significa crescimento garantido. Criptomoedas são ativos que podem apresentar forte volatilidade e estão sujeitos a riscos de mercado. Por isso, aumento do número de usuários não deve ser interpretado como garantia de valorização.

A tendência também dependerá da facilidade de acesso, da educação financeira, da evolução regulatória e da confiança dos consumidores. Quanto mais o setor estiver integrado aos serviços financeiros utilizados no cotidiano, maior pode ser o alcance entre novos públicos.

Lições a aprender com essa circunstância das criptomoedas

O principal aprendizado da pesquisa é que o mercado de ativos digitais já possui uma dimensão expressiva no Brasil. Com aproximadamente 29 milhões de pessoas que têm ou já tiveram criptomoedas, o segmento alcançou uma base superior à de investidores em ações.

Isso não significa que as criptomoedas tenham substituído investimentos tradicionais. A poupança, os imóveis e os fundos continuam apresentando percentuais de utilização maiores.

Educação financeira ganha importância

Vale ressaltar que o cenário mostra que os ativos digitais passaram a ocupar um espaço próprio entre as opções consideradas pelos brasileiros. A expansão aumenta a importância de compreender volatilidade, custódia, segurança digital, diversificação e riscos.

Autocustódia exige atenção

O avanço da autocustódia reforça essa necessidade. Quando o próprio investidor administra suas chaves, a responsabilidade pela segurança dos ativos aumenta. Por fim, os números mostram que o perfil do investidor em cripto é mais amplo do que uma visão limitada a pessoas de alta renda poderia sugerir.

Em resumo, a expansão das criptomoedas representa uma das mudanças mais relevantes no comportamento financeiro recente dos brasileiros. O crescimento da base de usuários mostra que os ativos digitais conquistaram espaço além do nicho tecnológico e passaram a fazer parte das escolhas de milhões de pessoas. 

Para entender essa transformação, é importante buscar informação de qualidade e entender os riscos antes de tomar qualquer decisão financeira. Quer conferir mais informações sobre o mercado, tecnologia e investimentos? Então, continue acompanhando nossos conteúdos sobre criptomoedas e fique por dentro das principais novidades.

*com uso de inteligência artificial

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