Data center de IA será construído no interior de SP. Entenda!

O anúncio de um novo data center de IA em Sumaré, no interior de São Paulo, reforça o protagonismo do Brasil na expansão global da inteligência artificial. Em outras palavras, o projeto, que contará com investimentos bilionários e infraestrutura de alta capacidade, mostra como o país começa a se posicionar como um dos principais polos tecnológicos da América Latina. 

Paralelamente, a iniciativa desse data center de IA também é algo que evidencia o aumento da demanda por processamento de dados, armazenamento e sistemas avançados que sejam capazes de sustentar o crescimento acelerado das plataformas de inteligência artificial.

O projeto de um data center de IA no interior de São Paulo

A cidade de Sumaré, na região de Campinas, foi escolhida para receber um dos maiores projetos tecnológicos recentes do Brasil. Desse modo, o empreendimento, chamado “Sumaré 3”, será desenvolvido pela Ascenty para operações ligadas à inteligência artificial.

O investimento na infraestrutura será de cerca de 1,2 bilhão de dólares. Além disso, a empresa responsável pela operação deverá aplicar outros 5 bilhões de dólares em servidores, chips especializados e equipamentos voltados ao processamento de IA.

Segundo as informações que foram divulgadas, o centro de dados deve ficar pronto em aproximadamente 18 meses. Embora a companhia que ocupará a estrutura não tenha sido revelada, o mercado acredita que o espaço será utilizado por uma gigante global da tecnologia.

Estrutura voltada exclusivamente para inteligência artificial

Diferentemente dos data centers convencionais, o projeto foi planejado desde o início para suportar cargas computacionais extremamente elevadas. Um ponto importante é que a estrutura será dedicada a aplicações de inteligência artificial generativa, treinamento de modelos avançados e sistemas de automação em larga escala.

Na prática, o local funcionará como um grande “cérebro digital”, processando enormes volumes de dados em tempo real. Ferramentas de IA dependem desse tipo de infraestrutura para tarefas como reconhecimento de imagens, processamento de linguagem natural e análises preditivas. O projeto terá capacidade inicial de 90 megawatts (MW), com possibilidade de expansão futura para até 180 MW.

Crescimento acelerado da demanda por IA

Vale ressaltar que o anúncio acontece em meio à corrida global por infraestrutura voltada à inteligência artificial. Em outras palavras, o avanço das plataformas de IA aumentou a demanda por servidores de alta performance, chips especializados e centros de dados preparados para operações intensivas.

Nesse cenário, o Brasil começa a atrair investimentos relevantes para o setor, especialmente na região de Campinas, que vem se consolidando como um dos principais polos tecnológicos do país.

Há o projeto de construção de um data center de IA no interior de São Paulo.
Há o projeto de construção de um data center de IA no interior de São Paulo. | Foto: DALL-E 3

Detalhes desse data center de IA

O funcionamento de um data center de IA é algo que exige muito mais potência do que centros de dados tradicionais. Isso ocorre porque aplicações de inteligência artificial demandam processamento intenso e contínuo, principalmente durante o treinamento de modelos avançados.

Diferenças em relação aos data centers tradicionais

Em estruturas convencionais, um rack (equipamento que concentra servidores) normalmente opera em torno de 8 quilowatts (kW). No caso do Sumaré 3, a capacidade ficará entre 60 kW e até 1 megawatt (MW) por rack.

Dessa maneira, tal salto de potência é responsável por mudar completamente o planejamento do projeto. Sistemas elétricos, refrigeração, distribuição de energia e segurança precisam ser mais robustos para suportar a operação contínua. Juntamente com isso, os chips voltados à inteligência artificial geram muito mais calor do que servidores tradicionais, o que exige soluções avançadas de resfriamento.

Uso de refrigeração líquida

Uma das principais novidades do projeto será a adoção do liquid cooling, sistema de refrigeração líquida considerado mais eficiente para dissipar o calor gerado pelos processadores de IA.

Diferentemente do resfriamento convencional por ar, o método líquido reduz temperaturas com maior rapidez e eficiência, evitando superaquecimentos e melhorando o desempenho operacional. Já se utiliza esse tipo de tecnologia em importantes centros de IA nos Estados Unidos e na Ásia, e agora ele começa a ganhar espaço no Brasil.

Primeiro grande centro brasileiro concebido para IA

Segundo executivos da Ascenty, embora já existam racks voltados à IA no país, o Sumaré 3 será o primeiro grande data center brasileiro concebido integralmente para inteligência artificial. A expectativa é que o empreendimento estimule novos investimentos em nuvem, automação industrial, machine learning e serviços digitais no Brasil.

Pontos de atenção sobre esse data center de IA

Apesar do entusiasmo em torno do projeto, o crescimento dos centros de dados voltados à inteligência artificial também é um contexto que levanta debates importantes sobre aspectos como por exemplo consumo energético, sustentabilidade e impacto ambiental.

Energia renovável como prioridade

De acordo com a empresa responsável pela construção, o objetivo é manter a operação baseada em fontes renováveis de energia. Atualmente, a Ascenty afirma trabalhar com autoprodução energética, buscando neutralidade ambiental em suas operações.

Sendo assim, esse fator é relevante porque data centers de IA consomem quantidades enormes de eletricidade. Em vários países, o crescimento acelerado desse mercado já provoca preocupação sobre pressão nas redes elétricas. No Brasil, porém, a predominância de fontes renováveis na matriz energética pode se tornar um diferencial competitivo importante.

Consumo de água e sustentabilidade

Adicionalmente, outro ponto frequentemente debatido envolve o uso de água nos sistemas de refrigeração. Para minimizar impactos ambientais, o projeto utilizará um circuito fechado de resfriamento, permitindo o reaproveitamento contínuo da água utilizada. Segundo os executivos da companhia, o mesmo volume de água inserido no início da operação poderá ser reaproveitado durante toda a vida útil do empreendimento.

Da mesma forma, a empresa também informou que o consumo registrado em 2025 teria sido equivalente ao de apenas nove residências com quatro moradores ao longo de um ano. Embora o crescimento da IA amplie as discussões ambientais, iniciativas desse tipo buscam reduzir impactos operacionais.

Pressão global por infraestrutura tecnológica

O crescimento dos data centers ligados à inteligência artificial também revela um novo cenário econômico mundial. Países e empresas disputam capacidade computacional, energia e infraestrutura para suportar aplicações cada vez mais sofisticadas.

Nesse contexto, projetos como o de Sumaré ajudam o Brasil a ganhar relevância internacional. Ao mesmo tempo, aumentam a necessidade de políticas voltadas à expansão energética, qualificação profissional e desenvolvimento tecnológico.

Motivos da escolha do interior de SP para a instalação desse data center de IA

A escolha de Sumaré não aconteceu por acaso. Por outro lado, a região de Campinas já é considerada um dos principais polos tecnológicos e logísticos do Brasil.

Infraestrutura estratégica da região

Vale ressaltar que entre os fatores que favoreceram a escolha estão: a ampla oferta de energia, a presença de redes avançadas de fibra óptica e a proximidade com a capital paulista. Em conjunto a isso, a região conta com universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia que fortalecem o ecossistema digital local.

A conectividade também desempenha papel essencial. Nesse sentido, data centers precisam operar com baixa latência e alta velocidade de transmissão, especialmente em aplicações de inteligência artificial.

Expansão da empresa no Brasil

O projeto de Sumaré faz parte de um plano mais amplo de expansão da companhia em São Paulo. Além do Sumaré 3, outros três data centers estão previstos, totalizando cerca de 150 MW de capacidade adicional. 

Segundo Christopher Torto, CEO da Ascenty, a expansão representa um crescimento extremamente acelerado da infraestrutura construída pela empresa nos últimos anos. Isso demonstra como o mercado brasileiro se tornou estratégico para o setor global de tecnologia e inteligência artificial.

Vantagens competitivas do Brasil

O Brasil possui características consideradas atrativas para projetos desse porte. Uma delas é a disponibilidade energética. Em outras palavras, o país produz mais energia do que consome e conta com uma matriz majoritariamente renovável.

Paralelamente, outro fator importante é o custo. De acordo com executivos da empresa, o preço da energia elétrica brasileira para esse tipo de operação pode ser cerca de um terço do valor registrado nos Estados Unidos. Essas vantagens aumentam o interesse de empresas internacionais em instalar estruturas tecnológicas no território brasileiro.

Lições a aprender com esse projeto de data center de IA

O projeto em Sumaré mostra que a inteligência artificial não depende apenas de softwares avançados, mas também de uma enorme infraestrutura física capaz de sustentar operações de alta complexidade.

A construção desse empreendimento evidencia que o futuro da economia digital exigirá investimentos pesados em energia, conectividade e processamento de dados. Juntamente com isso, o caso demonstra que regiões fora das capitais podem assumir protagonismo tecnológico quando oferecem infraestrutura adequada e ambiente favorável para investimentos.

Em adição, outro aprendizado importante envolve sustentabilidade. Nesse sentido, à medida que a IA cresce, aumenta também a necessidade de soluções energéticas eficientes e sistemas de refrigeração mais sustentáveis.

Por fim, o novo data center de IA reforça que o Brasil pode ocupar posição estratégica no cenário global de tecnologia. Com matriz energética renovável, custos competitivos e expansão da conectividade, o país possui condições favoráveis para atrair novos investimentos ligados à inteligência artificial.

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*com uso de inteligência artificial

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