Data center do TikTok: MPF aponta irregularidades ambientais

O data center do TikTok, previsto para ser instalado no Complexo do Pecém, no Ceará, tornou-se alvo de uma disputa judicial envolvendo questões ambientais e sociais. Isso se deve ao fato de que o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) questionam o empreendimento e defendem que não se inicie a operação até que ocorra o cumprimento de determinadas exigências.

As irregularidades ambientais do data center do TikTok que o MPF apontou

A instalação do gigantesco data center do TikTok, oficialmente chamado Data Center Pecém, passou a ser questionada judicialmente pelo MPF e pela DPU. Os dois órgãos ingressaram com uma ação civil pública com o objetivo de impedir o início das atividades do complexo enquanto não forem atendidas exigências consideradas necessárias para a proteção ambiental e social da região.

Entre os principais pontos levantados está a ausência de consulta livre, prévia e informada ao povo indígena Anacé. A questão ganhou relevância porque a estrutura está prevista para uma área próxima à APA do Lagamar do Cauípe, região que também possui sobreposição parcial com a Terra Indígena Anacé, que ainda está sob análise da Funai.

Falta de estudos ambientais mais aprofundados

Outro ponto contestado pelos órgãos públicos é a ausência de um Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental, conhecido como EIA/Rima. Segundo o questionamento que apresentaram, a Semace enquadrou o empreendimento como uma atividade de baixo ou médio impacto. Logo, isso permitiu a dispensa de estudos ambientais considerados mais rigorosos.

Para o MPF e a DPU, entretanto, a dimensão do projeto exige uma avaliação mais aprofundada antes que o complexo entre em funcionamento. Entre os aspectos que necessitam de análise estão os possíveis efeitos sobre os recursos hídricos, o sistema elétrico, os níveis de ruído e as comunidades localizadas no entorno.

A preocupação também está relacionada às dimensões previstas para a estrutura. Quando estiver concluído, o data center deverá contar com potência instalada de 300 MW, além de uma subestação elétrica dedicada e 120 geradores a diesel destinados a garantir a sustentação do fornecimento de energia.

Questionamentos sobre o uso de água subterrânea

O sistema de funcionamento do empreendimento também envolve outro ponto de atenção: o resfriamento dos servidores. Para essa finalidade, o projeto prevê a captação de água subterrânea, recurso que vem sendo acompanhado pelas autoridades locais.

A necessidade de avaliar esse tipo de impacto está relacionada à própria escala da estrutura. Um data center desse porte concentra uma grande quantidade de equipamentos que precisam permanecer em condições adequadas de temperatura para funcionar. Por isso, o uso de recursos naturais e os efeitos da operação sobre a região estão entre os pontos que motivaram a preocupação dos órgãos públicos.

Vale ressaltar que a ByteDance, empresa chinesa responsável pelo TikTok, alugará e equipará a estrutura física. Dessa forma, embora o empreendimento esteja associado diretamente à operação da companhia, a construção e a gestão do complexo envolvem outras empresas parceiras.

O MPF apontou algumas irregularidades ambientais relacionadas ao data center do TikTok.
O MPF apontou algumas irregularidades ambientais relacionadas ao data center do TikTok. | Foto: DALL-E 3

Mais detalhes do data center do TikTok

A construção do empreendimento é executada pela Omnia, operadora de data centers da Pátria Investimentos, em parceria com a ByteDance e a Casa dos Ventos, empresa que atua na geração de energia eólica.

É importante destacar que as obras começaram em 6 de janeiro e fazem parte de um projeto de grande dimensão econômica. Devem ocorrer mais de R$ 200 bilhões em investimentos ao longo dos próximos 10 anos. Ou seja, isso demonstra a importância atribuída ao empreendimento dentro do setor de tecnologia e infraestrutura.

A previsão é que o complexo localizado no Complexo do Pecém entre em operação em 2027. Nesse sentido, considera-se a instalação estratégica para o mercado de tecnologia no país justamente pela capacidade planejada e pela estrutura necessária para atender às demandas de processamento de dados.

O posicionamento da Omnia

Em comunicado oficial, a Omnia afirmou manter amplo diálogo com o poder público e destacou a solidez técnica e jurídica do empreendimento. Paralelamente, a empresa também declarou que o licenciamento ambiental segue o rito regular estabelecido pela Semace, órgão responsável pelo processo de licenciamento ambiental no Ceará.

A empresa ressaltou ainda que não havia sido citada formalmente na ação civil pública. O processo que o MPF e a DPU apresentaram tem como alvos o Município de Caucaia e o Estado do Ceará.

Por fim, o posicionamento da Omnia mostra que existe uma diferença entre a avaliação dos responsáveis pelo empreendimento e os questionamentos apresentados pelos órgãos públicos. Enquanto a empresa sustenta que o licenciamento segue os procedimentos previstos, MPF e DPU defendem uma análise mais ampla dos impactos antes da operação.

Possíveis impactos desse contexto do data center do TikTok

A disputa judicial pode ter consequências importantes para o andamento do projeto. O principal ponto tem relação com a necessidade de cumprimento das exigências ambientais e sociais antes do início das atividades.

Possíveis impactos no cronograma

Um dos possíveis impactos envolve o cronograma de operação. Como a previsão atual é de funcionamento em 2027, eventuais exigências adicionais, estudos ou avaliações podem influenciar as etapas necessárias para que o empreendimento esteja autorizado a operar.

Uso de recursos hídricos

Também existe uma preocupação relacionada aos recursos hídricos. Como o projeto prevê a utilização de água subterrânea para o resfriamento dos servidores, a avaliação desse consumo é relevante para compreender os efeitos da atividade sobre os recursos disponíveis na região.

Infraestrutura energética do complexo

Mais um aspecto envolve a infraestrutura energética. Com potência instalada de 300 MW, subestação própria e 120 geradores a diesel, o complexo terá uma demanda significativa por energia e contará com uma estrutura robusta para garantir a continuidade do funcionamento.

Ruídos e impactos nas comunidades

Os impactos relacionados ao ruído também aparecem entre os pontos que o MPF e a DPU querem que sejam avaliados. A presença de geradores e de outros equipamentos necessários para a operação de um empreendimento dessa dimensão torna esse aspecto relevante para as comunidades localizadas nas proximidades.

Questões sociais e consulta ao povo Anacé

Em conjunto a isso, há a questão social envolvendo o povo indígena Anacé. A realização de uma consulta livre, prévia e informada é um dos pontos destacados na contestação apresentada pelos órgãos públicos, principalmente diante da proximidade e da sobreposição parcial da área com a Terra Indígena Anacé.

Vale a pena acompanhar os próximos momentos do data center do TikTok?

Sim, principalmente porque o empreendimento reúne interesses econômicos, tecnológicos, ambientais e sociais. O projeto possui dimensões expressivas e está associado a empresas de grande porte, além de representar uma iniciativa relevante para a infraestrutura de tecnologia no Brasil.

Ao mesmo tempo, a ação que o MPF e a DPU apresentaram coloca em discussão as condições necessárias para o início da operação. Sendo assim, a continuidade do projeto dependerá do andamento da disputa e da eventual adoção das medidas consideradas necessárias pelos órgãos públicos.

Outro ponto importante será observar como as questões ambientais serão tratadas. A realização ou não de estudos mais aprofundados pode influenciar a compreensão sobre os efeitos do empreendimento em áreas como recursos hídricos, energia, ruído e comunidades próximas.

Finalmente, a situação também pode mostrar como grandes projetos de infraestrutura tecnológica precisam conciliar investimentos e expansão do setor com exigências ambientais e sociais. No caso do data center do TikTok, essa discussão ganha ainda mais importância por causa da escala prevista para o complexo.

Lições a aprender com essa situação do data center do TikTok

O caso mostra que grandes investimentos em tecnologia não envolvem apenas equipamentos, servidores e infraestrutura digital. A instalação de um data center de grande porte também depende de fatores relacionados ao território, ao meio ambiente, aos recursos naturais e às comunidades próximas.

Avaliação dos impactos ambientais

Uma das principais lições está justamente na necessidade de avaliar previamente os possíveis impactos de empreendimentos dessa dimensão. É necessário considerar questões como o consumo de água, a demanda energética, a emissão de ruídos e a relação com comunidades do entorno durante o planejamento e o licenciamento.

Diálogo com comunidades e poder público

Mais um aprendizado está relacionado ao diálogo entre empresas, poder público e comunidades. A situação envolvendo o povo Anacé reforça a importância das consultas previstas para situações que envolvem comunidades indígenas e seus territórios.

Acompanhamento do licenciamento ambiental

O caso do data center do TikTok também evidencia a importância do acompanhamento do licenciamento ambiental. Mesmo quando um empreendimento é considerado de baixo ou médio impacto dentro de determinado enquadramento, órgãos públicos podem questionar se a classificação é suficiente diante das características específicas do projeto.

Por fim, a disputa envolvendo o data center do TikTok demonstra como a expansão da infraestrutura tecnológica precisa caminhar junto com a análise de seus efeitos. O projeto possui grande relevância econômica e tecnológica, mas seu desenvolvimento também está condicionado às discussões ambientais e sociais levantadas pelo MPF e pela DPU.

Logo, o data center do TikTok ainda deve passar por novos momentos de discussão antes de sua prevista entrada em operação em 2027. Para conferir os desdobramentos, as decisões relacionadas ao licenciamento e as próximas etapas do projeto, continue acompanhando as novidades sobre isso.

*com uso de inteligência artificial

Artigos recentes