Data centers usarão água de 15% da população mundial em 2039

Os data centers se tornaram essenciais para a economia digital e ganharam ainda mais importância com o avanço da inteligência artificial. Porém, o rápido crescimento dessas estruturas também gera preocupações ambientais. 

Nesse sentido, um estudo ligado à ONU aponta que, até 2039, os data centers poderão consumir um volume de água equivalente ao utilizado por cerca de 15% da população mundial. Sendo assim, isso destaca os desafios ambientais da expansão tecnológica.

O contexto de que os data centers usarão água de 15% da população mundial em 2039

A expansão da inteligência artificial está impulsionando uma corrida global pela construção de novas infraestruturas digitais. Grandes empresas de tecnologia investem bilhões de dólares na criação de centros de processamento cada vez mais robustos, capazes de suportar modelos avançados de IA, computação em nuvem, análises de dados e serviços digitais utilizados diariamente por milhões de usuários.

Entretanto, um relatório elaborado pelo Instituto Universitário da ONU para Água, Meio-Ambiente e Saúde aponta que esse crescimento possui um custo ambiental significativo. Segundo o estudo, os data centers estarão entre os maiores consumidores de recursos naturais nas próximas décadas, exigindo grandes quantidades de energia elétrica, água e espaço físico para operar.

Os pesquisadores afirmam que muitas estimativas anteriores acabaram subestimando o impacto real dessas instalações. Isso ocorreu porque boa parte das análises focava principalmente nas emissões de carbono relacionadas à operação dos servidores, sem considerar adequadamente outros fatores igualmente relevantes, como o consumo hídrico e a ocupação territorial.

Com a popularização da inteligência artificial generativa, a demanda computacional aumentou exponencialmente. Ferramentas capazes de criar textos, imagens, vídeos, músicas e códigos exigem infraestrutura cada vez mais sofisticada, elevando a necessidade de sistemas de refrigeração e de fornecimento energético contínuo.

A relação entre IA e consumo de recursos

A inteligência artificial depende de enormes quantidades de processamento. O treinamento de modelos avançados requer milhares de chips trabalhando simultaneamente durante semanas ou até meses. Posteriormente, esses mesmos sistemas continuam consumindo recursos para responder às solicitações diárias dos usuários.

Cada consulta feita a uma plataforma de IA gera atividade computacional. Quando bilhões de interações são realizadas todos os dias, o impacto agregado se torna gigantesco, exigindo instalações capazes de funcionar ininterruptamente.

Uma pesquisa apontou que os data centers usarão água equivalente a 15% da população mundial em 2039.
Uma pesquisa apontou que os data centers usarão água equivalente a 15% da população mundial em 2039. | Foto: DALL-E 3

Mais detalhes sobre essa situação dos data centers

Os números que o estudo apresentou impressionam pela magnitude. De acordo com os pesquisadores, os data centers deverão consumir aproximadamente 945 terawatt-hora de eletricidade globalmente em 2030.

Para compreender melhor essa dimensão, esse volume energético é quase três vezes superior ao necessário para abastecer anualmente países inteiros como por exemplo Paquistão, Bangladesh e Nigéria. Em termos populacionais, trata-se de energia suficiente para atender mais de 650 milhões de pessoas.

O crescimento é particularmente expressivo quando comparado aos dados atuais. No ano de 2025, o setor consumia cerca de 448 terawatt-hora. Mesmo esse patamar já era considerado extremamente elevado e colocaria o segmento entre os maiores consumidores de eletricidade do planeta caso fosse uma nação independente.

O enorme consumo de água

A situação hídrica é igualmente preocupante. Em outras palavras, as projeções indicam que os gastos com água em 2030 poderão alcançar níveis equivalentes ao necessário para suprir o uso doméstico de aproximadamente 1,3 bilhão de pessoas durante um ano inteiro.

Grande parte desse consumo está relacionada aos sistemas de resfriamento. Os servidores geram calor constantemente e precisam operar dentro de limites específicos de temperatura para evitar falhas, perdas de desempenho e danos aos equipamentos. Sem mecanismos eficientes de refrigeração, seria impossível manter a estabilidade operacional dessas estruturas.

Crescimento da ocupação territorial

Paralelamente, outro aspecto que o estudo destacou foi a utilização de terras. Nesse sentido, até o final da década, os data centers poderão ocupar uma área de mais de 14.500 quilômetros quadrados. 

Tal espaço é suficiente para abrigar milhões de pessoas e representa uma transformação significativa no uso do solo em diversas regiões do mundo. Além dos próprios edifícios, muitas instalações demandam redes elétricas dedicadas, sistemas de água, infraestrutura logística e áreas de suporte operacional.

Concentração global da capacidade computacional

Do mesmo modo, o relatório também destaca uma forte desigualdade na distribuição da infraestrutura digital. No momento atual, apenas 32 países possuem data centers especializados em inteligência artificial.

Juntamente com isso, aproximadamente 90% dessa capacidade encontra-se concentrada em dois países: Estados Unidos e China. Ao mesmo tempo, mais de 150 nações possuem pouco ou nenhum acesso a uma capacidade computacional soberana para o desenvolvimento de IA. 

Logo, esse cenário é responsável por criar desafios relacionados à competitividade econômica, à independência tecnológica e ao acesso equitativo às oportunidades geradas pela transformação digital.

Outras circunstâncias dos data centers

Uma das principais contribuições do estudo está na ampliação da análise ambiental sobre o setor. Os pesquisadores argumentam que os cálculos tradicionais costumam enfatizar apenas a pegada de carbono, deixando em segundo plano os impactos relacionados à água e ao uso da terra.

De acordo com os autores, essas três variáveis não evoluem necessariamente na mesma direção. Em alguns casos, medidas que reduzem emissões podem aumentar o consumo hídrico ou ampliar a ocupação territorial.

A necessidade de avaliar múltiplos impactos

Por exemplo, uma empresa pode optar por determinadas fontes de energia consideradas mais limpas do ponto de vista das emissões de carbono. Entretanto, essa decisão pode demandar maior uso de água em processos auxiliares ou exigir estruturas maiores para operação. Devido a isso, o estudo defende uma abordagem integrada que considere simultaneamente todos os impactos ambientais associados aos data centers.

O peso das inferências de IA

Adicionalmente, outro ponto relevante envolve o chamado processo de inferência. Muitas discussões sobre IA concentram-se no treinamento dos modelos, mas os pesquisadores alertam que o uso cotidiano das plataformas também representa um enorme consumo de recursos.

Sendo assim, as inferências correspondem às respostas geradas pelos sistemas quando usuários realizam consultas, criam conteúdos ou executam tarefas automatizadas. Ou seja, à medida que a inteligência artificial se torna parte da rotina de empresas e consumidores, esse tipo de atividade tende a crescer continuamente.

Vídeos gerados por IA aumentam as preocupações

Entre as aplicações mais exigentes estão as ferramentas de geração de vídeos por inteligência artificial. Tal tipo de conteúdo requer quantidades significativamente maiores de processamento em comparação com textos ou imagens estáticas. Consequentemente, a produção massiva de vídeos por IA pode elevar ainda mais o consumo de energia, água e espaço físico nos próximos anos.

Apesar das preocupações apresentadas, os autores deixam claro que não são contrários ao desenvolvimento da inteligência artificial. Então, o objetivo é incentivar um crescimento responsável e alinhado aos limites ambientais do planeta.

É possível que esse panorama dos data centers mude até 2039?

Embora as projeções indiquem um cenário desafiador, especialistas acreditam que ainda existe espaço para mudanças significativas até 2039. Nesse sentido, a indústria de tecnologia investe continuamente em soluções para aumentar a eficiência energética dos equipamentos. 

Desse modo, processadores mais modernos conseguem executar tarefas complexas consumindo menos eletricidade do que gerações anteriores. Em conjunto a isso, novas tecnologias de refrigeração estão sendo desenvolvidas para reduzir o uso de água.

Sistemas inovadores de resfriamento

Algumas empresas já utilizam sistemas de refrigeração líquida de circuito fechado, que permitem reutilizar parte da água empregada no processo. Outras iniciativas exploram a construção de instalações em regiões naturalmente frias, reduzindo a necessidade de mecanismos artificiais de resfriamento. Há também pesquisas envolvendo data centers submersos e técnicas avançadas de dissipação térmica.

Fontes renováveis podem ajudar

Vale ressaltar que o aumento do uso de energia solar, eólica e outras fontes renováveis é algo que pode contribuir para reduzir parte dos impactos ambientais que estão associados à expansão do setor.

No entanto, especialistas alertam que a simples substituição da matriz energética não resolve todos os problemas. Isso se deve ao fato de que questões relacionadas ao consumo hídrico, à ocupação territorial e à geração de resíduos eletrônicos continuarão exigindo atenção.

Lições a aprender com esse cenário dos data centers

O crescimento dos data centers mostra como a transformação digital possui impactos muito além do ambiente virtual. Embora a inteligência artificial ofereça oportunidades extraordinárias para inovação, produtividade e desenvolvimento econômico, sua infraestrutura física demanda recursos naturais em larga escala.

Uma das principais lições desse cenário é a necessidade de equilibrar avanço tecnológico e sustentabilidade. Sendo assim, empresas, governos, pesquisadores e consumidores precisarão trabalhar juntos para garantir que a expansão da IA ocorra de maneira responsável.

Da mesma maneira, também se torna fundamental ampliar a transparência sobre os custos ambientais da computação moderna. Quanto mais informações estiverem disponíveis, maiores serão as chances de criar políticas públicas e estratégias corporativas eficazes.

Por fim, o debate demonstra que inovação e responsabilidade ambiental não devem ser vistas como objetivos incompatíveis. O verdadeiro desafio será construir um futuro em que os data centers continuem impulsionando a revolução digital sem comprometer os recursos necessários para as próximas gerações.

Então, quer saber mais sobre tecnologia, inteligência artificial e sustentabilidade? Portanto, continue acompanhando nossas atualizações sobre data centers e descubra como a infraestrutura digital está moldando o futuro do planeta.

*com uso de inteligência artificial

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