Entenda o impacto de gastos de água e energia gerados pelas IAs

O avanço das tecnologias de Inteligência Artificial tem transformado a sociedade em múltiplos aspectos, desde o modo como consumimos conteúdo até a maneira como empresas otimizam seus processos. Porém, junto com os benefícios, cresce também a preocupação com o impacto de gastos relacionados ao consumo de energia elétrica e água necessários para sustentar essas operações em larga escala. 

Nesse sentido, centros de dados, sistemas de resfriamento e processamento de modelos complexos exigem enormes quantidades de recursos naturais. Ou seja, isso levanta debates sobre sustentabilidade e responsabilidade ambiental no setor tecnológico.

Logo, neste artigo, iremos explorar qual o impacto de gastos de água e energia que são gerados pelas IAs e também apresentar a motivação para entender tal contexto. Em conjunto a isso, listaremos possíveis consequências dele, bem como discutiremos se é possível que as Inteligências Artificiais evoluam para reduzir estes consumos. Por fim, iremos elencar algumas lições que podem ser aprendidas com a situação.

Qual o impacto de gastos de água e energia gerados pelas IAs?

O consumo invisível por trás de cada consulta

Cada vez que uma pessoa utiliza um chatbot, faz uma pesquisa online ou pede a geração de uma imagem, existe um custo ambiental escondido. Isso ocorre porque os modelos de IA são processados em servidores que precisam de energia elétrica para funcionar e água para resfriamento. 

Em outras palavras, diferente do que muitos indivíduos imaginam, uma simples consulta não é apenas um cálculo digital. Paralelamente, ela movimenta um ecossistema físico de infraestrutura tecnológica.

De acordo com dados que foram divulgados pelo Google, pela primeira vez uma big tech trouxe maior transparência ao revelar números concretos. O prompt mediano em seus modelos de Inteligência Artificial consome em torno de 0,24 watts-hora de eletricidade.

Tal valor é algo equivalente a ligar um micro-ondas por apenas um segundo. Apesar de parecer pouco, o impacto se multiplica quando consideramos bilhões de solicitações feitas diariamente no mundo inteiro.

A dificuldade em medir os verdadeiros impactos

Uma barreira para a compreensão exata do problema está no fato de que poucas empresas compartilham relatórios completos sobre seus centros de dados. Nesse sentido, estima-se que milhões de litros de água sejam utilizados mensalmente apenas para resfriamento dos servidores de IA em grandes complexos de tecnologia. 

Vale ressaltar que esse gasto hídrico ocorre porque a refrigeração é essencial para evitar superaquecimento, o que garante que as máquinas operem sem falhas. Dessa forma, o impacto de gastos não pode ser medido apenas em termos de energia elétrica, mas também na relação com os recursos hídricos, que já são escassos em muitas regiões do planeta.

A motivação para entender o impacto de gastos de água e energia gerados pelas IAs

O compromisso público das big techs

Com o avanço das discussões ambientais, empresas como por exemplo Google, Microsoft e OpenAI têm reforçado seu compromisso em reduzir os impactos da Inteligência Artificial no meio ambiente. A pressão da sociedade e de órgãos reguladores impulsiona essas companhias a adotar métricas de eficiência e a investir em tecnologias mais sustentáveis. 

Ben Gomes, tecnólogo chefe de Aprendizagem e Sustentabilidade do Google, ressaltou que, em apenas 12 meses, houve progressos expressivos. Nesse sentido, o consumo médio de energia e a pegada de carbono por prompt no Gemini Apps diminuíram em 33 e 44 vezes, respectivamente.

Tais números indicam que, apesar do alto gasto energético, existe uma corrida pela eficiência, em que a performance em IA precisa caminhar lado a lado com a sustentabilidade. Afinal, a legitimidade social dessas ferramentas também depende da capacidade de reduzir danos ambientais e atender a expectativas regulatórias cada vez mais rígidas.

A comparação com atividades cotidianas

Gomes ainda destacou que, hoje, o gasto médio de energia por prompt equivale a assistir televisão por menos de nove segundos. Essa analogia torna o tema mais acessível ao público leigo. 

No entanto, ao multiplicar esse custo por milhões de consultas simultâneas realizadas todos os dias, a dimensão do impacto ambiental se revela preocupante. Por isso, a busca contínua por eficiência não é apenas uma meta de inovação, mas uma necessidade urgente para equilibrar tecnologia, mercado e responsabilidade ambiental.

Possíveis consequências do impacto de gastos de água e energia gerados pelas IAs

Pressão ambiental e escassez de recursos

O crescimento acelerado da Inteligência Artificial traz benefícios significativos, mas também amplia riscos ambientais já conhecidos. Dessa forma, um dos principais pontos de preocupação é o consumo de água utilizado no resfriamento de data centers. 

Em regiões áridas ou que enfrentam estiagens frequentes, essa demanda pode agravar crises de abastecimento e gerar tensões sociais. Com isso, há registros de comunidades que questionam a presença de grandes instalações tecnológicas próximas a áreas urbanas, temendo a competição direta por recursos naturais essenciais.

Custos financeiros para empresas e governos

Juntamente com o impacto ambiental, o aumento do consumo de energia associado à IA pressiona os orçamentos de empresas e governos. Isso se deve ao fato de que a operação de servidores em larga escala exige infraestrutura robusta e constante atualização tecnológica, o que eleva custos operacionais. 

Essa despesa adicional tende a ser repassada ao consumidor, encarecendo serviços digitais. Paralelamente, governos podem ser obrigados a criar regulações mais rígidas ou até mesmo adotar taxas ambientais específicas, com o objetivo de equilibrar inovação tecnológica e sustentabilidade.

Emissão de carbono ampliada

Embora a indústria esteja investindo em soluções de eficiência energética e fontes renováveis, ainda existe um longo caminho até alcançar a neutralidade de carbono. A expansão contínua da Inteligência Artificial pode levar o setor tecnológico a superar indústrias historicamente poluentes, como a aviação e a siderurgia, em emissões de gases de efeito estufa. 

Sendo assim, esse cenário é responsável por reforçar a necessidade de políticas globais de redução e da adoção de práticas que sejam mais responsáveis por parte das empresas do setor de IA.

É possível que as IAs evoluam para reduzir o impacto de gastos de água e energia gerados pelas IAs?

Investimentos em eficiência energética

O avanço da Inteligência Artificial não depende apenas de maior poder computacional, mas também de soluções que reduzam seus impactos ambientais. Nesse sentido, cresce a pesquisa em chips especializados, como as TPUs (Tensor Processing Units), projetadas para executar cálculos complexos de maneira mais ágil e com menor gasto energético. 

Essa eficiência não só diminui a quantidade de energia elétrica utilizada, como também reduz o calor gerado durante o processamento. Isso impacta diretamente na necessidade de sistemas de resfriamento e, consequentemente, no consumo de água.

Energias renováveis como solução

Outra frente estratégica é a adoção de energias renováveis no intuito de abastecer os data centers. Empresas como por exemplo Google e Microsoft já anunciaram metas ambiciosas para operar suas estruturas utilizando apenas fontes limpas, como a solar e a eólica. 

Ainda que essa mudança não elimine o alto consumo, ela reduz significativamente a emissão de carbono, tornando o crescimento da IA mais sustentável. Logo, a tendência é que esse movimento se expanda e pressione outras companhias do setor a adotar práticas semelhantes, alinhadas às exigências globais de responsabilidade ambiental.

Softwares mais inteligentes

Em conjunto às inovações em hardware e na matriz energética, há também um esforço contínuo no desenvolvimento de softwares mais eficientes. Algoritmos otimizados podem atingir o mesmo desempenho com menor uso de recursos computacionais, sem comprometer a qualidade das respostas oferecidas. 

Tal abordagem representa um ponto de equilíbrio entre inovação e sustentabilidade. Ou seja, mostra que é possível expandir o uso da Inteligência Artificial ao mesmo tempo em que se busca reduzir custos e minimizar impactos ambientais.

É muito importante ter atenção ao impacto de gastos de água e energia gerados pelas IAs.
É muito importante ter atenção ao impacto de gastos de água e energia gerados pelas IAs. | Foto: DALL-E 3

Lições a aprender com o contexto dos gastos de água e energia gerados pelas IAs

A importância da transparência

Um dos principais aprendizados é que a transparência é essencial para que governos, sociedade e empresas possam discutir soluções conjuntas. Sem acesso a dados claros sobre consumo, é impossível formular políticas ambientais eficazes.

Responsabilidade compartilhada

Embora as empresas de tecnologia sejam protagonistas, a responsabilidade é coletiva. Usuários, ao demandarem cada vez mais serviços baseados em Inteligência Artificial, também fazem parte da cadeia de consumo. A conscientização sobre o uso racional e sustentável da tecnologia deve ser promovida em todas as esferas.

Inovação com responsabilidade

Outro ponto é que a inovação não pode caminhar dissociada da sustentabilidade. Em outras palavras, o crescimento da IA precisa vir acompanhado de estratégias sólidas para mitigar impactos ambientais, de forma que a tecnologia seja uma aliada do futuro, e não uma ameaça.

Resumindo, o impacto dos gastos de água e energia gerados pelas Inteligências Artificiais tornou-se central na agenda tecnológica e ambiental. Cada consulta a um modelo exige recursos como eletricidade, água e resulta em emissões de carbono. 

Mesmo com os avanços em eficiência, ainda há muito a melhorar. Nesse sentido, a transparência das big techs e a busca por soluções inovadoras são fundamentais, mas governos, empresas e sociedade precisam atuar juntos para garantir um futuro sustentável. 

Portanto, quer entender melhor como a tecnologia pode evoluir de uma maneira que seja responsável? Continue acompanhando o tema e fique por dentro do impacto de gastos de água e energia gerados pelas IAs!

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