Google obrigará apps a usarem menos memória RAM no Android

O Google anunciou novas exigências para aplicativos e jogos publicados na Google Play. A partir de fevereiro de 2027, os desenvolvedores precisarão atender a limites de uso de memória RAM e a critérios de otimização de código no Android. 

Vale ressaltar que a medida ocorre em meio a restrições no fornecimento de hardware e à alta demanda por chips de memória. Segundo a empresa, o objetivo é reduzir problemas de desempenho e evitar que aplicativos consumam recursos em excesso.

A mudança pode afetar diretamente a forma como os desenvolvedores trabalham na otimização de aplicativos. Programas que ultrapassarem determinados limites poderão apresentar problemas de desempenho e até ser encerrados pelo sistema. Juntamente com isso, o Google Play poderá aplicar consequências relacionadas à distribuição dos aplicativos, como menor visibilidade e restrições de publicação.

O contexto de que o Google obrigará aplicativos a usarem menos memória RAM no Android

O Google decidiu estabelecer novos padrões técnicos para aplicativos e jogos disponíveis na Play Store. A iniciativa busca fazer com que os programas aproveitem a memória dos aparelhos de maneira mais eficiente. Nesse sentido, a empresa considera que o consumo exagerado de RAM pode prejudicar não apenas o aplicativo responsável pelo uso elevado, mas também o funcionamento geral do dispositivo.

Aplicação das novas regras

A política foi anunciada em 26 de agosto de 2026 e terá aplicação efetiva a partir de fevereiro de 2027. Nesse período, os desenvolvedores terão tempo para analisar o comportamento de seus aplicativos e realizar as adaptações necessárias.

Três áreas principais

É importante destacar que as novas regras envolvem três áreas principais. A primeira é o uso de memória dinâmica, que considera a memória privada utilizada pelo aplicativo, incluindo dados ativos e memória comprimida. Já a segunda envolve a memória destinada a bitmaps, relacionada principalmente aos elementos gráficos. Por sua vez, a terceira está ligada à otimização do código DEX.

Ferramentas para desenvolvedores

O Google também disponibilizou ferramentas no Play Console para ajudar os desenvolvedores. Entre elas estão novas métricas no Android Vitals, filtros para identificar encerramentos provocados por falta de memória e informações sobre o nível de otimização do código.

Consequências do descumprimento

Por fim, o descumprimento das métricas poderá ter consequências técnicas. Um aplicativo que consome memória em excesso pode sofrer lentidão, encerramentos inesperados e outras limitações impostas pelo próprio sistema. Na Play Store, também poderá haver redução de visibilidade e de capacidades de publicação.

Constatou-se que o Google obrigará os aplicativos a usarem menos memória RAM no Android.
Constatou-se que o Google obrigará os aplicativos a usarem menos memória RAM no Android. | Foto: DALL-E 3

Mais detalhes dessa imposição do Google aos apps

As novas exigências do Google não estabelecem um único limite de RAM para todos os aplicativos. Os valores variam conforme a memória física do aparelho, o estado do aplicativo e sua categoria.

Limites de memória variam conforme a RAM do aparelho

Em aplicativos comuns, aparelhos com 4 GB de RAM terão limite de 2 GB em primeiro plano e 1 GB em segundo plano. Nos modelos de 8 GB, os valores serão de 2,25 GB e 1,5 GB, respectivamente. Já dispositivos com 16 GB permitirão até 4,25 GB em primeiro plano e 2 GB em segundo plano.

Os games terão limites diferentes. Em aparelhos com 4 GB, o limite será de 2,25 GB em primeiro plano, enquanto modelos com 16 GB chegarão a 5 GB. A diferença considera as maiores necessidades gráficas e de processamento dos jogos.

Memória para gráficos também entra na avaliação

Paralelamente, a memória usada por bitmaps também será analisada. Isso se deve ao fato de que o Google quer evitar que aplicativos mantenham elementos gráficos alocados mesmo depois de deixarem de ser exibidos. Os desenvolvedores deverão liberar esses recursos quando não forem mais necessários. A avaliação considera diferentes estados do aplicativo, incluindo segundo plano e cache.

Código DEX também precisará ser otimizado

Vale ressaltar que, a partir do mês de fevereiro de 2027, o Google Play exigirá níveis mínimos de otimização, redução e ofuscação para aplicativos com quantidade relevante de código DEX. A exigência mínima será de 25% para cada métrica. Nesse sentido, a regra vale para apps com mais de 10 MB de DEX e games acima de 50 MB. Ferramentas como o R8 poderão ser usadas.

Além de atender à regra, a otimização pode reduzir o consumo de memória, acelerar a inicialização e diminuir travamentos e ocorrências de ANR, quando o aplicativo deixa de responder.

Explicações para esse movimento do Google

É importante destacar que a decisão está relacionada a um problema maior no mercado de chips de memória. O Google afirma que a indústria de dispositivos móveis enfrenta restrições no fornecimento de hardware, cenário que pode reduzir a disponibilidade de RAM e prejudicar a experiência dos usuários.

Impacto da inteligência artificial

A situação também está ligada ao crescimento da demanda por infraestrutura de inteligência artificial. Data centers usados para treinamento e inferência de IA dependem de grandes quantidades de memória, enquanto fabricantes de eletrônicos enfrentam maior pressão sobre os custos dos componentes.

O resultado afeta diferentes setores. Smartphones, computadores e outros eletrônicos podem ficar mais caros ou apresentar configurações mais contidas. Simultaneamente, fabricantes e desenvolvedores precisam aproveitar melhor os recursos disponíveis.

Google aposta na eficiência

Nesse contexto, o Google tenta combater o problema pelo lado do software. Em outras palavras, aplicativos mais eficientes podem reduzir desperdícios de memória e diminuir a disputa por recursos entre programas.

A documentação do Google Play afirma que existe uma crise relacionada ao aumento dos custos de RAM. Do mesmo modo, a empresa também alerta que aplicativos com consumo excessivo podem fazer o sistema encerrar outros programas.

Hardware e software

O contexto chama a atenção no próprio ecossistema do Google. Em tal sentido, o Pixel 11 Pro passou a oferecer 12 GB de RAM na configuração básica, contra 16 GB na geração anterior, segundo análises da imprensa especializada.

Isso reforça a importância da eficiência. Com maior pressão sobre a disponibilidade de memória, não basta aumentar a RAM dos aparelhos. O software também precisa utilizá-la de maneira mais eficiente para preservar o desempenho do sistema.

É possível que outras empresas se inspirem nessa postura do Google?

A decisão do Google pode servir como referência para outras empresas responsáveis por sistemas operacionais e lojas de aplicativos. Isso se deve ao fato de que problemas de disponibilidade e custo de componentes de memória não são exclusivos de uma única plataforma.

Em outras palavras, a Apple, a Samsung e outras companhias também dependem de uma cadeia global de fornecimento. Se a pressão sobre a memória continuar, fabricantes podem buscar maneiras de reduzir a demanda por hardware.

Software mais eficiente

Uma possibilidade é incentivar desenvolvedores a criarem aplicativos mais eficientes. Ao invés de depender apenas do aumento da capacidade de RAM, as empresas podem estimular melhorias no software e no gerenciamento de recursos.

Mais uma alternativa envolve o próprio sistema operacional. O Android já possui mecanismos para controlar o consumo de memória e encerrar processos quando há pressão sobre os recursos. As novas exigências do Google Play ampliam essa estratégia ao estabelecer parâmetros específicos para aplicativos distribuídos pela loja.

Eficiência pode virar prioridade

Isso não significa que outras empresas adotarão regras idênticas. Cada plataforma possui arquitetura, ferramentas e modelos de distribuição diferentes. Ainda assim, a iniciativa mostra que a eficiência de memória pode ganhar importância no desenvolvimento de aplicativos.

Se os custos de RAM continuarem elevados e a demanda permanecer forte, otimizar software poderá deixar de ser apenas uma boa prática. A medida pode se transformar em uma necessidade competitiva para desenvolvedores e fabricantes.

Lições a aprender com a situação de que o Google obrigará aplicativos a usarem menos memória RAM no Android

O crescimento do hardware não elimina a necessidade de otimização. Aplicativos podem ganhar novas funções, mas precisam equilibrar complexidade, desempenho e consumo de memória.

Para os desenvolvedores, é importante analisar o comportamento dos apps antes de fevereiro de 2027. O Google já oferece métricas no Android Vitals para acompanhar o uso de memória e identificar problemas.

Diferentes aparelhos exigem atenção

Um aplicativo que funciona bem em um celular com 16 GB de RAM pode apresentar dificuldades em modelos com 4 GB. Por isso, as novas métricas consideram diferentes faixas de memória física. Da mesma maneira, também será necessário revisar o gerenciamento de recursos. Imagens e bitmaps sem uso devem ser liberados, enquanto vazamentos de memória precisam ser identificados.

Impacto para usuários

Ferramentas como o R8 podem ajudar a reduzir o tamanho e melhorar a eficiência dos aplicativos. Para os usuários, a mudança pode significar menos travamentos, encerramentos inesperados e lentidão. A partir de 2027, os desenvolvedores precisarão considerar não apenas a funcionalidade, mas também o impacto dos apps sobre a memória dos dispositivos.

Em suma, com a nova política, o Google sinaliza que eficiência será uma parte cada vez mais importante da qualidade dos aplicativos Android. Desenvolvedores que começarem a otimizar seus produtos antes da data de aplicação das regras terão mais tempo para identificar problemas e evitar impactos na distribuição pela Play Store.

Logo, para conferir outras mudanças importantes no Android, nas plataformas digitais e no mercado de tecnologia, continue acompanhando as novidades do Google e fique por dentro das próximas exigências para aplicativos.

*com uso de inteligência artificial

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