Google anuncia projeto contra mudanças climáticas no Brasil

O Google anunciou um projeto contra mudanças climáticas no Brasil que envolve mais de 200 mil hectares de plantações de arroz no Rio Grande do Sul. Em outras palavras, a iniciativa busca reduzir as emissões de metano provocadas pelo cultivo e, ao mesmo tempo, retirar dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera por meio de uma técnica que utiliza rochas.

O anúncio de um projeto contra mudanças climáticas no Brasil pelo Google

O Google fechou o maior acordo de remoção de carbono de sua história para apoiar uma iniciativa desenvolvida em mais de 200 mil hectares de plantações de arroz no Rio Grande do Sul. Nesse sentido, o projeto é conduzido pela Terradot, empresa na qual o Google possui participação como investidor.

Vale ressaltar que a empresa planejou a iniciativa para atuar em duas frentes relacionadas às mudanças climáticas. A primeira consiste na redução do metano liberado pelas plantações de arroz. Já a segunda envolve a retirada de CO₂ da atmosfera utilizando rochas, por meio da aceleração de uma reação que ocorre naturalmente na natureza.

Portanto, a proposta combina a diminuição da quantidade de metano lançada na atmosfera com a remoção de parte do carbono que já está presente no ar. Dessa forma, o projeto procura atuar tanto sobre as emissões provenientes do cultivo quanto sobre a concentração de CO₂ na atmosfera.

Como funciona a iniciativa?

A parte voltada ao metano está relacionada às características do cultivo de arroz. Em muitos casos, as plantações são mantidas em áreas alagadas, criando condições favoráveis para a ação de microrganismos responsáveis pela produção do gás.

Já a segunda frente utiliza a chamada meteorização aprimorada de rochas. Alguns tipos de rochas conseguem reagir naturalmente com o CO₂ presente na atmosfera. Como esse processo ocorre de maneira lenta, a técnica busca acelerá-lo para aumentar a quantidade de carbono retirada do ar.

Paralelamente, o projeto também permitirá acompanhar os resultados das duas estratégias em uma área extensa, ajudando a avaliar sua aplicação em condições reais de cultivo. Os dados obtidos poderão contribuir para futuras etapas da iniciativa e para o desenvolvimento de projetos semelhantes em outras regiões produtoras de arroz. A combinação das técnicas ainda permitirá observar diferenças entre redução de emissões e remoção de carbono.

Houve o anúncio de um projeto contra mudanças climáticas no Brasil.
Houve o anúncio de um projeto contra mudanças climáticas no Brasil. | Foto: DALL-E 3

Mais detalhes desse projeto do Google

O cultivo de arroz é algo que está diretamente relacionado a uma das fontes de emissão de metano. As áreas alagadas utilizadas em muitas plantações favorecem a atuação de microrganismos que produzem esse gás de efeito estufa.

Uma avaliação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) aponta que os arrozais representam aproximadamente 10% a 12% das emissões globais de metano. Por isso, a redução dessas emissões é uma das partes centrais do projeto desenvolvido no Rio Grande do Sul.

A expectativa é que, posteriormente, se transforme a diminuição do metano em créditos de carbono. Sendo assim, a previsão é que o projeto gere créditos equivalentes à redução de 1 milhão de toneladas métricas de metano até 2030.

Remoção de CO₂ com rochas

É importante destacar que a outra parte da iniciativa está relacionada à remoção de CO₂ por meio da meteorização aprimorada de rochas. A técnica parte de um processo que já acontece naturalmente: determinados tipos de rocha reagem com o dióxido de carbono presente na atmosfera.

Como a reação natural é considerada lenta, a proposta da técnica é acelerar esse processo para ampliar a quantidade de carbono removida do ar. Assim, a tecnologia busca utilizar um mecanismo natural de maneira mais rápida. No projeto do Rio Grande do Sul, a Terradot pretende utilizar essa técnica para gerar créditos equivalentes à remoção de mais 1 milhão de toneladas de carbono até 2040.

Contabilização dos créditos

Os créditos relacionados à redução do metano e aqueles associados à retirada de CO₂ serão contabilizados e verificados separadamente. Isso permite diferenciar os resultados obtidos pelas duas frentes da iniciativa.

Maior projeto com meteorização aprimorada

Paralelamente, o projeto também terá uma dimensão relevante para a própria tecnologia de remoção de carbono. Segundo as informações apresentadas, ele será o maior já anunciado envolvendo meteorização aprimorada de rochas. A parte do acordo dedicada à remoção de carbono é dez vezes maior que a de projetos anteriores desse tipo.

O que motivou o Google a criar esse projeto?

O investimento está relacionado também ao crescimento do consumo de energia das grandes empresas de tecnologia. Esse cenário ganhou ainda mais importância com a expansão dos data centers utilizados por serviços de inteligência artificial.

Vale ressaltar que o Google já é investidor da Terradot. isso se deve ao fato de que A empresa adquiriu uma participação na companhia em 2024, estabelecendo uma relação que agora também está ligada ao desenvolvimento do projeto no Brasil.

Redução de metano e remoção de CO₂

A iniciativa considera que a redução do metano e a remoção de CO₂ podem atuar de maneira complementar. Embora os dois gases contribuam para o aquecimento do planeta, eles apresentam características diferentes em relação à permanência na atmosfera e aos seus efeitos ao longo do tempo. O metano aquece mais no curto prazo. Por outro lado, o CO₂ pode permanecer na atmosfera durante séculos.

Estratégia em duas frentes

Devido a esse motivo, a proposta do projeto é atuar nas duas frentes simultaneamente: diminuir a quantidade de gases de efeito estufa que chegam à atmosfera e retirar parte do carbono que já está presente no ar.

Tal combinação é um dos elementos centrais da iniciativa apoiada pelo Google. Em vez de concentrar a estratégia em apenas um tipo de emissão, o projeto reúne uma ação voltada à redução do metano produzido nas plantações e outra direcionada à remoção de CO₂.

Pontos de atenção desse projeto do Google

A proposta da Terradot e do Google também pretende servir como um teste em grande escala. Nesse sentido, a ideia é avaliar a aplicação das técnicas em uma área extensa para, posteriormente, verificar a possibilidade de levar o modelo a outras regiões.

É importante destacar que As empresas afirmam que a iniciativa poderia ser ampliada para aproximadamente 1,5 milhão de hectares de áreas de cultivo de arroz no Brasil. O modelo também poderia ser aplicado em outros países que possuem grandes áreas destinadas à produção de arroz, como Índia e Vietnã.

A Terradot planeja iniciar projetos-piloto em outros países em 2026 e prevê uma expansão comercial a partir de 2028. Entretanto, o custo das tecnologias de remoção de carbono aparece como um dos principais desafios para a adoção em larga escala.

O desafio dos custos

Google e Terradot não divulgaram o valor do novo acordo. Um contrato público firmado pela Terradot em 2024, porém, indicava um preço de aproximadamente US$ 300 por tonelada para a remoção de 90 mil toneladas de carbono.

Dessa forma, esse valor fica acima dos US$ 100 por tonelada que muitos desenvolvedores consideram necessários para estimular uma demanda maior por tecnologias de remoção de carbono. Segundo James Kanoff, CEO da Terradot, o novo projeto terá um custo inferior ao de acordos anteriores. Ainda assim, a empresa não teria alcançado a marca de US$ 100 por tonelada, embora considere o projeto um avanço nessa direção.

Outro ponto envolve a verificação dos resultados. A Terradot afirma que esse processo pode acrescentar mais de US$ 100 por tonelada aos custos. Sendo assim, a expectativa da empresa é que esse valor diminua à medida que a tecnologia avance e seja aplicada em projetos de maior escala.

É possível que esse projeto do Google inspire outras empresas?

A dimensão da iniciativa pode servir como experiência para avaliar diferentes estratégias de combate às mudanças climáticas em uma área extensa. O projeto reúne redução de metano e remoção de CO₂, além de testar a meteorização aprimorada de rochas em maior escala.

Possibilidade de expansão

Caso os resultados esperados sejam alcançados, o modelo poderá ser considerado para outras áreas de cultivo de arroz no Brasil. As empresas também apontam possibilidade de expansão para grandes produtores internacionais, como Índia e Vietnã.

Essa ampliação, porém, depende de fatores como custos, capacidade de aplicação das técnicas e verificação dos resultados. A Terradot trabalha com a perspectiva de iniciar projetos-piloto em outros países antes de avançar para uma expansão comercial.

Redução de custos

Nesse contexto, o projeto no Rio Grande do Sul representa uma etapa de teste de soluções para lidar com gases de efeito estufa. A redução do metano do cultivo de arroz e a remoção de CO₂ por rochas serão acompanhadas separadamente.

O avanço dessas tecnologias também depende da redução dos custos. A expectativa é que projetos maiores e a evolução das técnicas diminuam o preço da remoção e da verificação do carbono.

Em suma, com mais de 200 mil hectares envolvidos, a iniciativa no Brasil terá uma escala significativa para testar esse modelo. Os resultados poderão ajudar a avaliar os desafios e as possibilidades de aplicação das técnicas em outras regiões produtoras de arroz.

Para entender mais sobre o projeto e acompanhar outras iniciativas de tecnologia voltadas às mudanças climáticas, continue seguindo as novidades sobre o Google e suas ações ambientais.

*com uso de inteligência artificial

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