O Magalu deu mais um passo no intuito de ampliar sua presença no comércio eletrônico brasileiro. Nesse sentido, a varejista passou a vender produtos de seu estoque próprio no Mercado Livre, em um movimento que busca aumentar o alcance das suas ofertas e, principalmente, ganhar escalabilidade. A iniciativa também envolve marcas importantes do ecossistema da companhia, como Época Cosméticos e KaBuM!.
Dessa forma, o Magalu amplia sua presença em uma das maiores plataformas de comércio eletrônico do país sem depender exclusivamente de seus próprios canais digitais. Sendo assim, a estratégia ocorre em um momento importante para a empresa, que procura fortalecer novamente sua operação online e aproveitar melhor a infraestrutura logística construída nos últimos anos.
A entrada do Magalu no Mercado Livre em busca de escalabilidade
Vale ressaltar que a entrada do Magalu no Mercado Livre representa uma nova etapa na estratégia da companhia para expandir seus canais de venda. Em outras palavras, a partir desta quarta-feira, 2 de setembro, os produtos disponíveis no estoque próprio do e-commerce do grupo também podem ser encontrados na plataforma do marketplace.
Um ponto crucial é que a iniciativa não envolve somente o portfólio principal do Magazine Luiza. O acordo inclui também produtos da Época Cosméticos e do KaBuM!, duas empresas que fazem parte do ecossistema da varejista. Com isso, a companhia passa a disponibilizar aproximadamente 27 mil produtos no Mercado Livre.
O catálogo contempla diferentes categorias. Entre elas estão móveis, eletrodomésticos da linha branca, televisores, computadores e celulares. A operação logística ficará sob responsabilidade do Magalog, braço de logística do grupo.
Na prática, a estratégia permite que a companhia utilize a audiência e a estrutura de uma plataforma de grande alcance para colocar seus produtos diante de um número maior de consumidores. Assim, o movimento pode contribuir para aumentar a eficiência da operação e melhorar a utilização dos estoques.
Juntamente com isso, a parceria mostra uma mudança importante na relação entre grandes varejistas e marketplaces. Empresas que antes disputavam diretamente a atenção dos consumidores agora também podem estabelecer acordos para ampliar seus negócios.

Detalhes desse movimento do Magalu
O tamanho do Mercado Livre ajuda a explicar por que essa parceria pode ser relevante para o Magalu. Dados do Instituto Retail Think Tank indicam que o Mercado Livre liderou o segmento de marketplaces no Brasil em 2025. A plataforma apresentou um GMV estimado em R$ 185 bilhões naquele período.
Por sua vez, o Magalu registrou GMV de aproximadamente R$ 44,3 bilhões. Esse resultado colocou a empresa na terceira posição entre os principais marketplaces do país, atrás da Shopee.
Resultados globais
A dimensão da operação do Mercado Livre também pode ser observada pelos resultados globais divulgados pela companhia. O Brasil respondeu por 54,2% da receita de US$ 10,2 bilhões registrada pelo grupo no segundo trimestre.
No mesmo período, o Mercado Livre informou um GMV global de US$ 21,9 bilhões. O valor representa crescimento anual de 44%. Além disso, foram comercializados 795 milhões de itens e a plataforma alcançou 89,3 milhões de compradores únicos ativos.
Expansão da parceria
Esse alcance oferece ao Magalu uma oportunidade para aumentar a exposição de seus produtos. A parceria também pode ser interessante para o Mercado Livre, especialmente em categorias nas quais o grupo varejista possui forte presença.
O acordo ainda prevê a possibilidade de ampliar a cooperação. Um dos caminhos envolve a inclusão da Netshoes, empresa de artigos esportivos pertencente ao grupo Magalu, na parceria.
Logística e lojas físicas
Mais um ponto em avaliação é a utilização das lojas físicas do Magalu como locais para retirada e devolução de produtos comercializados por parceiros do Mercado Livre. O Magalog também pode atuar na entrega de mercadorias de terceiros vendidas dentro da plataforma.
Caso essas possibilidades avancem, a relação entre as duas companhias poderá deixar de ser apenas uma parceria de vendas. Ela poderá envolver também logística, pontos físicos e serviços para outros vendedores.
Outros movimentos que o Magalu está fazendo
A parceria com o Mercado Livre não é uma iniciativa isolada do Magalu. Paralelamente, a companhia também vem avançando na relação estabelecida com a Amazon. Em outubro, por exemplo, o Magalog deverá começar a realizar entregas de produtos vendidos por terceiros dentro da plataforma da empresa norte-americana.
Tal expansão faz parte de uma estratégia mais ampla. A varejista percebeu que a infraestrutura criada originalmente para atender suas próprias operações poderia ser utilizada para prestar serviços a outras empresas.
Magalog ganha escala
O Magalog é um dos principais exemplos dessa mudança. Atualmente, cerca de 30% da receita da operação logística já vem de negócios realizados fora do próprio grupo. Entre os clientes estão empresas como Samsung, O Boticário, Renner e Centauro.
A estrutura logística também ganhou escala nos últimos anos. Isso se deve ao fato de que ela conta com 21 centros de distribuição, 175 unidades de cross-docking e 1.247 lojas funcionando como mini-hubs. Essa infraestrutura permite que o grupo explore novas fontes de receita sem depender exclusivamente da venda de produtos em suas próprias plataformas.
Tecnologia e novos negócios
Do mesmo modo, a estratégia também aparece em outras áreas. Um exemplo é a Magalu Cloud, braço voltado para serviços de tecnologia e computação em nuvem. Assim, a empresa procura transformar diferentes ativos construídos internamente em negócios que possam atender terceiros.
Curadoria e inteligência artificial
Simultaneamente, o Magalu vem revisando sua estratégia nos próprios canais digitais. Em vez de simplesmente ampliar a quantidade de produtos disponíveis, a empresa passou a apostar mais em curadoria e em um portfólio mais selecionado.
A inteligência artificial também integra essa transformação. Ou seja, a tecnologia pode ajudar na organização dos catálogos, na recomendação de produtos e na personalização da experiência dos consumidores.
Números atuais do Magalu
É importante destacar que a estratégia de oferecer infraestrutura para terceiros não é completamente nova no mercado. Grandes empresas de tecnologia e varejo já adotaram modelos semelhantes ao perceber que suas estruturas poderiam gerar receitas adicionais.
No caso do Magalu, essa lógica também passou a ser utilizada como elemento de negociação com outras plataformas. A empresa iniciou esse movimento em 2024, quando estabeleceu acordos com companhias como AliExpress, Itaú Shopping, Americanas e Livelo.
Desempenho em 2026
Em 2026, essa estratégia ganhou ainda mais força. Os resultados do segundo trimestre ajudam a entender o motivo dessa busca por novas alternativas. As vendas das lojas físicas cresceram 10,3% no período e chegaram a R$ 5,1 bilhões. Já o e-commerce apresentou queda de 11,9%, alcançando R$ 9,3 bilhões.
Considerando as operações totais, as vendas do grupo recuaram 5,1%, para R$ 14,5 bilhões. Diante desse cenário, os acordos firmados com Amazon e Mercado Livre ganham importância.
Sendo assim, a expectativa da empresa é que essas iniciativas ajudem a operação digital a voltar a crescer no quarto trimestre. Para isso, ampliar a presença em plataformas com grande audiência pode ser uma ferramenta importante.
Expansão das lojas
O Magalu também voltou a olhar para a expansão física. No fim de 2025, a companhia inaugurou a primeira Galeria Magalu, modelo que reúne diferentes marcas do grupo em um mesmo espaço.
Já no segundo trimestre de 2026, a empresa abriu uma nova loja em Ceilândia, no Distrito Federal. A estratégia mostra que a companhia pretende trabalhar simultaneamente seus canais físicos e digitais.
Mudanças no varejo
Em conjunto a isso, o cenário competitivo do varejo brasileiro passou por mudanças relevantes. A entrada da Casas Bahia em recuperação judicial, em julho, pode abrir novas oportunidades para concorrentes como o Magalu, tanto no comércio físico quanto no ambiente digital.
Lições a aprender com esse contexto do Magalu
Vale ressaltar que a movimentação do Magalu mostra que a escalabilidade pode ser tão importante quanto a expansão tradicional. Em vez de construir uma audiência do zero, a empresa pode aproveitar plataformas que já concentram milhões de consumidores.
Parceria com marketplaces
A parceria com o Mercado Livre também evidencia uma transformação na relação entre varejistas e marketplaces. Nesse sentido, empresas podem ser concorrentes em algumas frentes e, ao mesmo tempo, parceiras em outras.
Novas fontes de receita
Mais um ponto importante é o uso de ativos próprios para gerar receitas. O Magalog exemplifica essa estratégia: a infraestrutura logística criada para atender o grupo também pode ser oferecida a terceiros. Paralelamente, o mesmo vale para tecnologia, lojas físicas e serviços internos. Ao atender outras empresas, o Magalu aumenta a utilização de estruturas já existentes.
Desafio estratégico
No entanto, a estratégia exige equilíbrio. Estar em marketplaces amplia o alcance, mas também divide parte da relação com o consumidor. Por isso, o desafio será aproveitar a escala dos parceiros sem perder relevância nos canais próprios. Ou seja, a integração entre logística, tecnologia, inteligência artificial e curadoria pode ser decisiva.
Em suma, a entrada no Mercado Livre representa mais do que uma nova vitrine para os produtos da companhia. O movimento faz parte de uma estratégia para ampliar alcance, utilizar melhor sua infraestrutura e buscar novas fontes de crescimento.
Para quem acompanha as transformações do varejo brasileiro, o caso do Magalu mostra como grandes empresas estão cada vez mais dispostas a transformar antigos concorrentes em parceiros estratégicos. Então, quer conferir mais novidades sobre a empresa e suas estratégias no mercado? Logo, continue seguindo as principais notícias dela!
*com uso de inteligência artificial

