Um novo painel solar promete gerar até 25% mais eletricidade do que os modelos convencionais. Em outras palavras, a tecnologia solar tandem combina camadas de materiais para aproveitar melhor a radiação solar. Apesar do avanço rumo à comercialização, ela ainda enfrenta desafios relacionados aos custos, à durabilidade e à produção em larga escala.
Um novo modelo de painel solar que promete gerar 25% mais energia
Fabricantes de painéis solares nos Estados Unidos estão desenvolvendo uma tecnologia que pode elevar em até 25% a quantidade de energia que é produzida pelos equipamentos atuais. A solução, conhecida como solar tandem, utiliza duas ou três camadas de materiais para captar diferentes partes da radiação solar e transformá-las em eletricidade.
Empresas como Tandem PV, First Solar e Hanwha Qcells estão avançando no desenvolvimento desses dispositivos e trabalham para disponibilizar os primeiros modelos comercialmente. Antes disso, porém, os equipamentos precisam demonstrar que atendem aos requisitos técnicos e conseguem manter o desempenho esperado durante sua vida útil.
O desenvolvimento dessa tecnologia também representa uma oportunidade para fabricantes norte-americanos ampliarem sua presença no setor de energia solar. No momento atual, a China concentra cerca de 80% do mercado mundial de painéis solares, considerando tanto os equipamentos acabados quanto seus componentes.
Dentro desse cenário, a criação de modelos mais eficientes pode ajudar outras empresas a competir com os fabricantes chineses. Entretanto, a inovação precisará apresentar vantagens econômicas além do aumento na geração de eletricidade para conquistar espaço no mercado.

Funcionamento desse novo modelo de painel solar
Os painéis solares convencionais utilizam células que dependem de uma única camada de silício para converter luz solar em eletricidade. A tecnologia tandem combina diferentes materiais, permitindo que cada camada aproveite partes distintas do espectro da radiação solar. Dessa maneira, o equipamento captura mais energia e aumenta a produção de eletricidade sem depender exclusivamente de células convencionais de silício.
Eficiência e durabilidade dos painéis
A eficiência adicional, contudo, não elimina a necessidade de avaliar a resistência dos materiais e o comportamento do equipamento ao longo do tempo. Isso se deve ao fato de que as instalações solares precisam operar durante anos para compensar o investimento inicial e oferecer retorno financeiro.
A Hanwha Qcells, fabricante sul-coreana que adquiriu a empresa alemã Qcells em 2012, testa seus painéis em laboratórios na Alemanha e em instalações externas nos Estados Unidos, na Austrália, em Chipre e na Coreia do Sul.
Testes simulam condições ambientais
Os procedimentos simulam diferentes condições ambientais para verificar a resistência dos dispositivos. Entre os métodos estão a exposição a luzes de LED e o lançamento de pedaços de gelo contra os painéis, reproduzindo impactos provocados pelo granizo. Sendo assim, os ensaios procuram determinar se os equipamentos preservam sua capacidade de geração durante os 20 a 30 anos de funcionamento esperados para esse tipo de instalação.
Confiança de investidores é fundamental
Fabian Fertig, responsável pela pesquisa e desenvolvimento de painéis tandem da Qcells, destacou ao The New York Times a importância da estabilidade dos dispositivos. Esse fator é fundamental para conquistar a confiança de empresas de energia, investidores e instituições financeiras, que avaliam os riscos antes de financiar projetos baseados em uma tecnologia relativamente nova.
Pontos de atenção sobre esse novo modelo de painel solar
Apesar da promessa de gerar até 25% mais eletricidade, os painéis tandem enfrentam um obstáculo importante para chegar ao mercado: o preço. Nesse sentido, algumas estimativas indicam que esses equipamentos podem custar de três a três vezes e meia mais do que os modelos convencionais.
Tal diferença representa um desafio porque o custo de aquisição e instalação influencia diretamente a viabilidade econômica de usinas solares. Uma tecnologia mais eficiente pode produzir mais eletricidade, mas seu benefício precisa compensar o investimento adicional.
Investimento influencia a adoção comercial
Segundo um relatório da Solar Energy Industries Association, a compra e a instalação de painéis convencionais em usinas solares nos Estados Unidos custam entre US$ 0,93 e US$ 1,06 por watt. Esses valores ajudam a dimensionar o desafio financeiro das novas soluções.
Dentro desse contexto, o preço dos equipamentos será determinante para a adoção comercial. Andrés Gluski, CEO da empresa de energia AES, afirmou ao The New York Times que o custo terá papel fundamental no sucesso dos painéis tandem.
Fabricação em escala pode reduzir despesas
Juntamente com as despesas de fabricação, as empresas precisam considerar os custos de instalação, manutenção e substituição dos equipamentos. Caso a economia obtida com a geração adicional não compense esses gastos, os modelos convencionais poderão continuar sendo mais vantajosos em determinados projetos.
A concorrência internacional também influencia esse cenário. Em outras palavras, a capacidade produtiva chinesa pressiona os preços e representa uma dificuldade para empresas de outros países que pretendem ampliar sua participação na indústria solar.
Por isso, o avanço da tecnologia depende tanto do desenvolvimento de células mais eficientes quanto da capacidade de fabricar os equipamentos em escala, reduzindo os custos por unidade e ampliando sua competitividade no mercado de energia.
Possíveis momentos futuros desse novo modelo de painel solar
A degradação dos materiais é outro fator que pode ser responsável por determinar o futuro dos painéis tandem. Como os projetos solares exigem investimentos elevados e dependem de equipamentos com longa vida útil, as empresas do setor adotam novas tecnologias com cautela.
Nesse sentido, a perda gradual de desempenho pode comprometer a eletricidade produzida e alterar as previsões de retorno financeiro. Por esse motivo, os fabricantes precisam demonstrar que seus dispositivos mantêm níveis satisfatórios de eficiência após anos de exposição ao sol e às variações climáticas.
A Tandem PV, empresa sediada na Califórnia, afirma ter submetido seus painéis a testes em diferentes condições nos Estados Unidos durante o último ano. Segundo seu CEO, Scott Wharton, os equipamentos apresentaram degradação anual inferior a 1% nesse período.
Embora o resultado seja relevante, a avaliação da durabilidade exige acompanhamento prolongado e testes independentes. O desempenho observado em um intervalo limitado não garante que os painéis conservarão as mesmas características durante décadas.
Certificação independente e eficiência energética
Paralelamente, a Qcells também avançou nesse aspecto e se tornou a primeira fabricante a produzir um painel tandem certificado independentemente segundo padrões estabelecidos pela Underwriters Laboratories e pela International Electrotechnical Commission.
Em conjunto ao fato de ampliar a geração de eletricidade, a tecnologia pode permitir que usinas solares consigam produzir a mesma quantidade de energia com menos área e materiais. Tal possibilidade melhora o aproveitamento dos terrenos e reduz a quantidade de equipamentos necessária para determinados projetos.
Sendo assim, executivos do setor estimam que os painéis tandem possam alcançar fatores de capacidade superiores a 31%. Para comparação, a média das usinas solares nos Estados Unidos é de aproximadamente 24%. O fator de capacidade representa a relação entre a eletricidade produzida e a quantidade que uma instalação poderia gerar operando continuamente na potência máxima.
Crescimento da energia solar nos Estados Unidos
A inovação surge em um momento de crescimento da demanda por eletricidade nos Estados Unidos. De acordo com dados da Energy Information Administration, a energia solar respondeu por quase 9% da eletricidade produzida no país em 2025, ante 3% em 2020.
Para os fabricantes norte-americanos, desenvolver e comercializar essa tecnologia antes dos concorrentes chineses pode representar uma oportunidade de recuperar espaço na indústria.
Perspectivas para os painéis tandem
Mesmo assim, a expansão dependerá da redução dos custos, da capacidade produtiva e da comprovação independente da confiabilidade e durabilidade dos dispositivos. Esses fatores determinarão se a tecnologia poderá se tornar uma alternativa competitiva aos painéis tradicionais.
Outros dispositivos podem se inspirar nesse novo modelo de painel solar?
O princípio utilizado pelos painéis tandem pode inspirar o desenvolvimento de outras soluções que dependem da conversão da luz em energia. Ao combinar materiais com propriedades diferentes, pesquisadores podem buscar formas de aproveitar uma parcela maior da radiação disponível e melhorar o desempenho de dispositivos fotovoltaicos.
No próprio setor solar, essa abordagem pode contribuir para o desenvolvimento de células com maior eficiência, equipamentos adaptados a diferentes aplicações e sistemas capazes de produzir mais eletricidade em espaços limitados.
Pesquisa de novos materiais e estruturas
A tecnologia também pode estimular pesquisas sobre novos materiais e estruturas que reduzam as perdas de energia durante a conversão da luz solar. No entanto, a aplicação desses conceitos em outros dispositivos depende das características de cada equipamento, dos materiais empregados e dos custos envolvidos.
Desafios para a adoção em larga escala
Por enquanto, o principal foco comercial dos painéis tandem está na geração de eletricidade por instalações solares. A possibilidade de aproveitar melhor a radiação solar torna a tecnologia promissora, mas sua adoção em larga escala ainda depende de resultados consistentes em testes, preços competitivos e fabricação em volumes maiores.
Resumindo, o novo painel solar que promete gerar 25% mais energia pode representar um avanço importante para o setor, desde que consiga combinar eficiência, resistência e viabilidade econômica.
Então, quer conferir outras inovações em energia e tecnologia? Logo, continue acompanhando as novidades sobre esse painel solar e descubra como esses avanços podem transformar a geração de eletricidade.
*com uso de inteligência artificial

