Pesquisa diz que 99% dos líderes esperam demissões devido à IA

Uma pesquisa recente sobre os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho reacendeu um debate global que já vinha crescendo nos últimos anos: até que ponto a automação poderá substituir profissionais humanos nas empresas? 

Vale ressaltar que o tema ganhou força após a divulgação do relatório Global Talent Trends 2026, uma pesquisa produzida pela consultoria Mercer, que apontou que praticamente todos os líderes empresariais entrevistados esperam cortes de funcionários provocados pela expansão da IA nos próximos anos.

A pesquisa que apontou que 99% dos líderes esperam demissões por causa da inteligência artificial

O levantamento que a Mercer realizou ouviu executivos e profissionais de recursos humanos de diferentes regiões do mundo para entender como as empresas estão se preparando para a nova era da automação inteligente. Nesse sentido, o dado que mais chamou a atenção foi o fato de que 99% dos CEOs consultados acreditarem que a inteligência artificial provocará reduções de quadros de funcionários até 2028.

O avanço acelerado da automação

Durante os últimos anos, ferramentas de inteligência artificial passaram a assumir tarefas que antes dependiam exclusivamente de pessoas. Sistemas capazes de responder clientes, organizar relatórios, criar documentos, analisar dados e automatizar processos administrativos já fazem parte da rotina de grandes empresas.

Com isso, muitos executivos entendem que determinadas funções poderão deixar de existir ou exigir menos profissionais. Áreas administrativas, atendimento, suporte operacional e atividades repetitivas aparecem entre as mais vulneráveis.

É importante destacar que a pesquisa mostra que o cenário deixou de ser uma possibilidade distante e passou a integrar o planejamento estratégico das organizações. Ou seja, em vez de discutir se a IA será incorporada, as empresas agora avaliam a velocidade dessa transformação e os impactos financeiros e operacionais que ela pode gerar.

CEOs já trabalham com projeções de cortes

De acordo com o relatório, os líderes empresariais acreditam que a automação poderá reduzir custos operacionais e aumentar a produtividade. Por isso, muitas companhias já iniciaram revisões internas para identificar setores que poderão ser parcialmente automatizados.

Tal aspecto não significa necessariamente que todas as vagas desaparecerão. Em muitos casos, funções devem ser reformuladas, exigindo profissionais com novas habilidades tecnológicas. Ainda assim, o estudo indica que uma parcela relevante dos empregos atuais corre risco de redução nos próximos anos.

Outro ponto importante é que o temor das empresas não está apenas ligado à eficiência. Há também uma forte pressão competitiva. Dessa forma, organizações que adotarem IA mais rapidamente poderão operar com custos menores e maior velocidade, obrigando concorrentes a seguirem o mesmo caminho.

Uma pesquisa recente apontou que 99% dos líderes esperam demissões devido à IA.
Uma pesquisa recente apontou que 99% dos líderes esperam demissões devido à IA. | Foto: DALL-E 3

Detalhes dessa pesquisa

Embora os líderes reconheçam o potencial da inteligência artificial, o relatório destaca que muitas empresas ainda não estão preparadas para a transição. 

Empresas ainda não estão prontas para a transição

A pesquisa revelou que apenas 32% dos executivos acreditam que sua força de trabalho está preparada para atuar ao lado de ferramentas de IA. Desse modo, o dado evidencia um desalinhamento entre o avanço tecnológico e a capacitação profissional.

Nesse sentido, muitas organizações investiram em transformação digital, mas poucas criaram programas robustos de qualificação voltados especificamente para inteligência artificial. Ou seja, isso gera incertezas para trabalhadores e gestores.

Paralelamente, a falta de treinamento adequado também pode ser responsável por aumentar erros operacionais, dificuldades de adaptação e resistência interna às novas tecnologias.

Jovens profissionais podem ser os mais afetados

O relatório aponta que profissionais em início de carreira, especialmente até cerca de 27 anos, podem enfrentar impactos maiores. Isso porque muitos cargos de entrada envolvem tarefas repetitivas e operacionais, mais suscetíveis à automação.

Historicamente, essas funções serviam como porta de entrada para crescimento profissional. Com a IA assumindo parte dessas atividades, o mercado pode sofrer mudanças estruturais na formação de talentos. Além disso, jovens profissionais podem enfrentar competição mais intensa por vagas estratégicas e menos automatizáveis.

Interesse por IA também cresce entre trabalhadores

Mesmo com as preocupações sobre as demissões, muitos profissionais demonstram interesse em aprender a utilizar inteligência artificial. Segundo o levantamento, 35% dos entrevistados afirmaram que considerariam pedir demissão caso não recebessem acesso adequado a ferramentas ou treinamentos em IA. O dado mostra que dominar inteligência artificial já é visto como diferencial importante para permanecer competitivo no mercado.

Possíveis consequências do contexto que essa pesquisa trouxe

Os resultados do estudo apontam que a transformação que a inteligência artificial está provocando é algo que vai além das demissões e pode ser responsável por alterar profundamente a estrutura das empresas. 

Estruturas corporativas mais enxutas

A Mercer destaca a simplificação das hierarquias corporativas como uma das principais tendências. Nesse sentido, com sistemas automatizados assumindo tarefas operacionais e administrativas, empresas podem reduzir níveis de gestão intermediária.

Sendo assim, isso tende a criar organizações mais rápidas, orientadas por dados e com equipes menores, porém mais autônomas. Ou seja, em tal cenário, gestores precisarão desenvolver habilidades para liderar ambientes híbridos, com humanos e sistemas automatizados trabalhando juntos.

Mudança nas prioridades das empresas

A pesquisa mostra três prioridades principais para os próximos anos. São elas:

  • Redesenho de processos de trabalho;
  • Melhoria das ferramentas de análise de RH;
  • Capacitação de gestores para liderar equipes híbridas.

Dessa maneira, tais mudanças indicam que a inteligência artificial será integrada à estratégia organizacional. Com isso, empresas deverão revisar funções, fluxos internos e métricas de produtividade.

O desafio enfrentado pelo RH

O setor de recursos humanos aparece entre os mais pressionados. Em conjunto ao fato de lidar com possíveis cortes, o RH precisará manter profissionais qualificados engajados e preparados para mudanças constantes. A Mercer afirma que melhorar a experiência do funcionário virou prioridade, incluindo treinamentos contínuos e adaptação tecnológica.

A responsabilidade dos trabalhadores

O relatório também reforça a necessidade de capacitação contínua. Em outras palavras, profissionais com habilidades analíticas, criatividade, pensamento estratégico e capacidade de adaptação poderão ganhar mais espaço dentro de um mercado automatizado.

A importância dessa pesquisa

A relevância desse levantamento está no fato de que ele oferece uma visão concreta sobre como os líderes empresariais enxergam o futuro do trabalho.

Um sinal importante para o mercado

Quando praticamente todos os executivos entrevistados afirmam esperar impactos da IA sobre empregos, isso indica que a transformação já é algo que faz parte do planejamento corporativo global.

Sendo assim, a pesquisa ajuda empresas, governos, universidades e trabalhadores a entenderem que mudanças profundas podem ocorrer nos próximos anos. Dessa forma, ignorar esse movimento pode aumentar tanto as dificuldades econômicas quanto as sociais no futuro. Além disso, o estudo contribui para ampliar discussões sobre aspectos como por exemplo educação, qualificação profissional e regulamentação da inteligência artificial.

Debate sobre qualificação profissional

Paralelamente, outro aspecto importante é que a pesquisa reforça a necessidade de atualização constante das competências profissionais. Nesse sentido, o mercado de trabalho já passou por grandes revoluções tecnológicas anteriormente, mas a velocidade atual da inteligência artificial chama atenção. 

Devido a isso, ferramentas que antes pareciam experimentais passaram rapidamente a integrar operações reais de empresas em todo o mundo. Tal aspecto aumenta a pressão para que instituições de ensino adaptem currículos e para que trabalhadores busquem aprendizado contínuo.

Reflexos econômicos e sociais

As consequências da automação também podem ultrapassar o ambiente corporativo. Em outras palavras, reduções significativas de empregos em determinados setores podem afetar renda, consumo e estabilidade econômica.

Simultaneamente, novas funções podem surgir a partir da expansão tecnológica, especialmente em áreas ligadas à análise de dados, supervisão de IA, segurança digital e desenvolvimento de sistemas automatizados. A grande questão será a velocidade dessa transição e a capacidade de adaptação da sociedade.

É possível que os resultados dessa pesquisa se alterem no futuro?

Embora o relatório apresente projeções fortes, especialistas afirmam que o cenário ainda pode mudar durante os próximos anos. 

A tecnologia evolui rapidamente

A evolução da inteligência artificial é algo que pode ser responsável por alterar as expectativas atuais. Nesse sentido, algumas funções consideradas ameaçadas hoje ainda podem exigir supervisão humana significativa. 

Juntamente com isso, limitações técnicas, questões éticas e regulamentações podem desacelerar a automação. Muitas empresas também enfrentam dificuldades para integrar IA de forma totalmente eficiente.

Novas profissões podem surgir

Grandes transformações tecnológicas costumam eliminar funções, mas também criar oportunidades. Vale ressaltar que a expansão da internet seguiu esse caminho, e o mesmo pode acontecer com a inteligência artificial. Áreas ligadas à supervisão de algoritmos, ética digital, treinamento de modelos e integração tecnológica podem crescer nos próximos anos.

Regulamentações também podem influenciar

Governos discutem regras para o uso da IA no ambiente corporativo. Ou seja, dependendo das leis futuras, empresas poderão enfrentar limites para substituir trabalhadores integralmente. Pressões sociais e sindicais também podem incentivar modelos híbridos e programas de requalificação profissional.

Em última análise, a pesquisa da Mercer reforça que a inteligência artificial já deixou de ser apenas uma tendência e passou a ocupar papel central nas estratégias corporativas globais. O futuro do trabalho dependerá da capacidade de empresas, governos e profissionais se adaptarem rapidamente às transformações trazidas pela automação inteligente.

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*com uso de inteligência artificial

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