Pesquisa aponta preferência dos brasileiros por trabalho remoto

Nos últimos anos, o tema trabalho remoto se tornou pauta constante no mercado corporativo, especialmente após a pandemia da Covid-19, que acelerou mudanças já em andamento. Em tal sentido, uma recente pesquisa realizada pelo Google Cloud revelou que a maioria dos brasileiros prefere o modelo de trabalho remoto ou híbrido, e muitos estariam dispostos até mesmo a mudar de emprego para ter essa possibilidade. 

Vale ressaltar que esse levantamento trouxe dados relevantes não apenas sobre o cenário atual, mas também sobre como a Inteligência Artificial está sendo aplicada nas empresas para apoiar novas formas de produtividade.

Assim, neste conteúdo, iremos explorar a preferência dos brasileiros por trabalho remoto que foi apontada por uma pesquisa e também apresentar outro dado dela. Em conjunto a isso, pensaremos se a mesma teve resultados que condizem com o contexto atual do home office, bem como refletirmos se é possível que os dados do estudo mudem no futuro. Por último, iremos listar algumas lições que podem ser aprendidas com ele.

A preferência dos brasileiros por trabalho remoto apontada por uma pesquisa

Uma das principais revelações do estudo “Work: In Progress”, divulgado durante o Google Cloud Summit Brasil 2025, é que 93% dos entrevistados afirmaram sentir-se mais satisfeitos com o modelo híbrido de trabalho e com a possibilidade de dias flexíveis. Além disso, 56% disseram que mudariam de emprego caso a empresa oferecesse condições mais adequadas ao modelo remoto ou híbrido.

Em outras palavras, isso é algo que mostra uma clara tendência de valorização da flexibilidade por parte dos profissionais brasileiros, que enxergam no home office benefícios como por exemplo:

  • Mais tempo para a família: sem longos deslocamentos diários, sobra mais tempo para a vida pessoal;
  • Melhoria na qualidade de vida: menos trânsito significa menos estresse e mais energia;
  • Equilíbrio entre vida pessoal e profissional: possibilidade de organizar horários com maior autonomia;
  • Redução de custos: economia com transporte, alimentação e até vestuário.

Apesar desses dados, a pesquisa também mostra que 60% dos trabalhadores ainda vão ao escritório todos os dias, um número que, embora seja maioria, já é bem menor do que em 2019, quando cerca de 90% trabalhavam exclusivamente de forma presencial.

Outro dado importante apresentado foi o histórico: em 2019, apenas cerca de 5 milhões de brasileiros trabalhavam em home office, de um total de 94,6 milhões de empregados, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Isso evidencia o quanto o mercado de trabalho mudou nos últimos anos.

O estudo foi conduzido em parceria com o Google Workspace, IDC e Provokers, entrevistando mais de 3.500 funcionários em empresas de diferentes setores, distribuídas em países como Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México. As companhias tinham entre 500 e 10 mil colaboradores, o que dá uma boa representatividade ao levantamento.

O papel da IA nesse contexto

Juntamente com o tema do trabalho remoto, o levantamento também abordou a aplicação de ferramentas de Inteligência Artificial no ambiente corporativo. Muitas empresas estão usando IA para apoiar a gestão de equipes, melhorar a comunicação interna e até monitorar resultados de produtividade. A Inteligência Artificial, portanto, vem se consolidando como uma aliada importante na adaptação ao modelo híbrido.

Outro dado desta pesquisa

A pesquisa também investigou em quais dias da semana os brasileiros preferem estar no escritório e quando optam por trabalhar de casa. O resultado evidencia uma tendência clara: quinta e sexta-feira são os dias em que mais se pratica o home office no Brasil, reforçando a ideia de que o final da semana é visto como o momento ideal para maior flexibilidade. 

Já no início da semana, o cenário muda significativamente, com uma adesão mais forte ao modelo presencial. Os dados apontam que, na segunda-feira, 59% dos profissionais vão ao escritório. Na terça-feira, 56% mantêm o trabalho presencial. Finalmente, na quarta-feira, a presença aumenta para 64%, o índice mais alto da semana.

Esse padrão não é exclusivo do Brasil. Resultados semelhantes foram observados em outros países da América Latina, revelando que a preferência por organizar a semana de maneira híbrida é, na verdade, uma tendência regional.

O que explica essa distribuição de dias?

Diversos fatores ajudam a entender o comportamento. Pelo lado das empresas, há a rotina organizacional, já que muitas concentram reuniões e atividades colaborativas entre terça e quarta-feira, quando a presença da equipe é mais garantida. Já do lado dos colaboradores, o planejamento pessoal pesa bastante: começar e encerrar a semana em casa oferece maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal. 

Em conjunto a isso, há a percepção de produtividade, com muitos profissionais relatando que se concentram melhor em casa para tarefas individuais, enquanto no escritório aproveitam a interação com colegas. Tal cenário demonstra que, mesmo quando as empresas ainda exigem presença física, existe espaço para negociações mais flexíveis, sobretudo nos dias que antecedem o fim de semana.

A pesquisa teve resultados que condizem com o contexto atual do trabalho remoto?

Apesar da alta taxa de satisfação que os entrevistados relataram, a realidade do mercado mostra algumas contradições. Em outras palavras, nos últimos meses, várias empresas globais e brasileiras têm anunciado medidas restritivas em relação ao home office:

  • Itaú: demitiu mais de 1 mil funcionários alegando baixa produtividade no trabalho remoto;
  • Microsoft: estabeleceu que seus colaboradores remotos devem ir ao escritório pelo menos três vezes por semana;
  • Amazon: impôs o fim do home office no Brasil;
  • Uber: firmou um modelo de três dias presenciais semanais para contratados ao redor de todo o mundo.

Por que essas empresas estão adotando medidas mais rígidas?

As justificativas giram em torno de alguns pontos principais:

  1. Colaboração: executivos acreditam que a interação presencial fortalece equipes;
  2. Produtividade: há a percepção de que alguns trabalhadores produzem mais quando supervisionados;
  3. Cultura organizacional: muitos gestores entendem que a cultura da empresa se transmite melhor no ambiente físico.

No entanto, essas decisões corporativas não anulam o desejo dos trabalhadores de ter mais flexibilidade. Ou seja, isso indica que negociações constantes entre empresas e colaboradores devem marcar o cenário futuro.

Os resultados da pesquisa não estão de acordo com a posição atual das empresas em relação ao trabalho remoto.
Os resultados da pesquisa não estão de acordo com a posição atual das empresas em relação ao trabalho remoto. | Foto: DALL-E 3

É possível que os dados desta pesquisa mudem no futuro?

Sim, é possível que os resultados apresentados sofram mudanças ao longo do tempo. O futuro do trabalho está em constante transformação, sendo moldado por fatores que vão desde a evolução da tecnologia até o contexto econômico global e as próprias mudanças culturais que impactam a forma como as pessoas encaram a relação entre vida pessoal e profissional.

O impacto da tecnologia

A aceleração no uso de ferramentas digitais tem um papel decisivo nesse processo. Softwares de colaboração, plataformas em nuvem e, especialmente, a inteligência artificial tendem a ampliar a eficiência do trabalho remoto. Por exemplo, a IA pode auxiliar na mensuração de produtividade com dados mais objetivos, diminuindo a desconfiança de gestores que ainda enxergam o home office como um desafio para o controle de resultados.

O papel da economia

O cenário econômico também exerce influência direta. Em períodos de crise ou necessidade de cortes de custos, as empresas podem enxergar no modelo remoto uma solução para reduzir despesas com infraestrutura física, como aluguel de escritórios e manutenção. Já em momentos de expansão, pode crescer a pressão para aumentar a presença física, buscando maior integração entre equipes.

Mudanças de mentalidade

Por fim, as novas gerações, mais habituadas ao digital, tendem a reivindicar cada vez mais flexibilidade. Esse movimento cultural pode consolidar o home office como prática comum, reforçando e até ampliando os números observados atualmente pelas pesquisas.

Lições a aprender com esta pesquisa

A pesquisa do Google Cloud deixa importantes ensinamentos para empresas e profissionais que buscam se adaptar às novas formas de trabalho.

Empresas

  • Flexibilidade é diferencial competitivo: oferecer opções de home office pode atrair e reter talentos;
  • Produtividade não é apenas presencialidade: é preciso investir em métricas de desempenho mais sofisticadas, que considerem resultados e não apenas horas de presença;
  • Tecnologia é aliada: ferramentas de Inteligência Artificial e colaboração digital são essenciais para que o trabalho híbrido funcione.

Profissionais

  • Capacidade de adaptação: o futuro do trabalho será híbrido, exigindo que os profissionais consigam performar bem tanto em casa quanto no escritório;
  • Autonomia e responsabilidade: trabalhar de casa requer disciplina, organização e comunicação eficiente;
  • Aperfeiçoamento constante: o domínio de ferramentas digitais e habilidades de colaboração virtual se tornam cada vez mais valiosos.

Sociedade

Essa transição também tem impacto social, já que menos deslocamentos significam menos poluição e congestionamentos. Ao mesmo tempo, podem surgir novos desafios, como o isolamento social ou a dificuldade em separar vida pessoal da profissional.

Resumindo, a pesquisa que o Google Clous divulgou foi responsável por revelar que os brasileiros têm clara preferência pelo trabalho remoto e híbrido, valorizando a flexibilidade e a qualidade de vida. 

Ainda que grandes empresas tentem impor mais dias presenciais, os dados mostram uma mudança cultural que dificilmente será revertida. Sendo assim, o futuro do trabalho está em negociação constante, e quem souber equilibrar tecnologia, produtividade e bem-estar terá vantagem.

Logo, quer ficar sempre atualizado sobre os principais levantamentos que moldam o mercado de trabalho? Então, continue acompanhando o tema e entenda o que cada pesquisa revela sobre o futuro das profissões!

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