Starlink vai conectar 140 escolas isoladas na Amazônia à internet

A Starlink será responsável por um dos projetos de conectividade mais emblemáticos dos últimos anos no Brasil. Ele consiste em levar internet de alta velocidade a 140 escolas isoladas na Amazônia, transformando a realidade educacional de comunidades ribeirinhas que, até então, viviam praticamente desconectadas do mundo digital. 

Sendo assim, a iniciativa, liderada pelo jovem Eric Bartunek em parceria com a SpaceX, representa um marco no uso de tecnologia via satélite para reduzir desigualdades históricas no acesso à educação.

Ou seja, ao conectar escolas que não possuem acesso à fibra óptica e que só podem ser alcançadas após longas viagens de barco, o projeto mostra como a internet via satélite pode romper barreiras geográficas e sociais. Mais do que instalar antenas da Starlink, trata-se de abrir portas para novas oportunidades de aprendizagem, acesso a serviços públicos digitais e inclusão tecnológica.

A iniciativa que resultou na conexão de 140 escolas amazônicas começou com a mobilização de um jovem de apenas 17 anos. Em outras palavras, Eric Bartunek decidiu agir após perceber a profunda desigualdade de acesso à internet em regiões ribeirinhas do Norte do Brasil.

O pedido direto à liderança da SpaceX

No mês de janeiro de 2025, Eric enviou um pedido formal diretamente à presidente e COO da SpaceX, Gwynne Shotwell. A proposta era clara: utilizar a tecnologia da Starlink para conectar 140 escolas de um distrito amazônico que não tinham qualquer infraestrutura de internet fixa.

O jovem solicitou apoio inicialmente para conectar apenas 10 das 140 escolas. No entanto, a resposta superou as expectativas. A executiva informou que a empresa estava estruturando o programa filantrópico “Starlink for Good”, voltado justamente para expandir a conectividade em regiões vulneráveis. Com isso, foi possível ampliar a meta inicial e viabilizar a doação das 140 antenas necessárias para atender todas as escolas do distrito.

As primeiras antenas foram entregues em novembro de 2025 na comunidade de Barro Alto, em Manicoré, município localizado a quase 30 horas de barco de Manaus. Vale ressaltar que a logística envolveu transporte fluvial e planejamento cuidadoso, considerando as dificuldades naturais da região.

Posteriormente, a chegada dos equipamentos foi tratada como um acontecimento histórico pela comunidade. Segundo Eric, a escola interrompeu as aulas por cerca de uma hora para que alunos e professores pudessem acompanhar a instalação das antenas e a ativação do sinal.

Em seguida, a partir do momento em que a internet foi disponibilizada, a rotina escolar começou a mudar. Professores passaram a acessar planos de aula online, plataformas educacionais e ferramentas de gestão escolar. Alunos tiveram contato com pesquisas digitais, bibliotecas virtuais e até recursos baseados em Inteligência Artificial.

Conclusão prevista para fevereiro

A previsão é que todas as 140 escolas estejam conectadas até meados deste mês de fevereiro. O objetivo central do projeto é garantir internet na Amazônia a instituições que jamais teriam acesso à fibra óptica devido às limitações geográficas e aos altos custos de infraestrutura. Nesse contexto, a Starlink surge como alternativa viável, utilizando satélites de órbita baixa para oferecer conexão estável mesmo em áreas remotas.

Um projeto utilizará a Starlink para levar internet para 140 escolas isoladas na Amazônia.
Um projeto utilizará a Starlink para levar internet para 140 escolas isoladas na Amazônia. | Foto: DALL-E 3

É importante destacar que o impulso inicial do projeto não surgiu do nada. Por outro lado, ele foi construído a partir de experiências que despertaram em Eric a consciência sobre desigualdade educacional no Brasil.

A experiência em Sobral

No ano de 2022, durante uma viagem a Sobral, no Ceará, com a Fundação Lemann, Eric ficou impressionado com a qualidade da educação pública local. Mesmo tendo apenas 13 anos na época, ele percebeu que muitos alunos aprendiam matemática em nível comparável ao de sua escola particular em São Paulo.

Nesse sentido, a visita mostrou que políticas públicas bem estruturadas podem transformar a educação. Ao mesmo tempo, foi algo que evidenciou que nem todas as regiões do país têm as mesmas oportunidades.

O contato com desigualdades educacionais

O entendimento mais profundo sobre as disparidades veio durante um estágio no Instituto PROA, organização que prepara jovens de baixa renda de escolas públicas para o mercado de trabalho.

Ali, Eric tomou conhecimento da realidade de escolas ribeirinhas que só podem ser acessadas por barco e que não possuem qualquer tipo de conexão à internet. Isso se deve ao fato de que a ausência de conectividade limita o acesso a conteúdos atualizados, ferramentas digitais e oportunidades de desenvolvimento.

Portanto, ele percebeu que havia uma forma concreta de ajudar: introduzindo conectividade por meio de tecnologia via satélite. Sendo assim, como a fibra óptica não chega a essas regiões, a solução mais viável seria a internet oferecida pela Starlink.

O projeto não nasceu com a dimensão que alcançou. Em contrapartida, no início, a proposta era relativamente simples: mobilizar recursos dentro da própria rede de contatos de Eric para conectar apenas algumas escolas localizadas em áreas remotas da Amazônia. 

Sendo assim, a iniciativa tinha um caráter experimental, focado em resolver um problema imediato de conectividade enfrentado por estudantes e professores isolados pela geografia e pela falta de infraestrutura digital.

A busca por parceiros

Depois de perceber que o impacto poderia ser maior, ele decidiu buscar parceiros estratégicos. Para isso, enviou diversos e-mails para empresas e organizações até conseguir uma reunião virtual de cerca de dez minutos com Gwynne Shotwell.

Sendo assim, durante a conversa, apresentou sua ambição de ampliar o acesso à internet na Amazônia e solicitou apoio para conectar parte das escolas. Como já dito anteriormente, a resposta foi surpreendente. Isso se deve ao fato de que, com o lançamento do programa Starlink for Good, tornou-se possível doar antenas suficientes para atender todas as 140 instituições do distrito.

Uma escala além do esperado

Eric afirma que nunca imaginou atingir essa escala. O que começou como um projeto para poucas escolas se transformou em uma iniciativa capaz de impactar milhares de estudantes. A Starlink, ao integrar essa ação ao seu braço filantrópico, demonstra como empresas de tecnologia podem desempenhar papel relevante na promoção de inclusão digital e desenvolvimento social.

A instalação das antenas representa apenas o primeiro passo de uma jornada muito mais complexa. Nesse sentido, garantir conectividade é essencial, mas, por si só, não assegura melhorias no aprendizado. Sendo assim, o desafio real está em transformar o acesso à internet em resultados educacionais concretos e duradouros para alunos e professores da Amazônia.

Treinamento para professores

Para isso, Eric conta com o apoio da ONG MegaEdu, do Instituto Escolas Conectadas e do professor Martin Carnoy, da Stanford University. Está sendo estruturado um programa de capacitação para professores, com foco no uso estratégico de ferramentas digitais em sala de aula. A meta é que docentes aprendam a integrar plataformas online, recursos interativos e Inteligência Artificial ao currículo escolar.

Transformar conectividade em aprendizagem

O objetivo central é claro: fazer com que a internet na Amazônia gere ganhos concretos de aprendizagem. Isso envolve planejamento pedagógico, acompanhamento de resultados e adaptação das metodologias de ensino.

Eric conclui o ensino médio ainda este ano e pretende iniciar, no segundo semestre, estudos em Economia e Educação em uma universidade dos Estados Unidos. Após a graduação, ele afirma que deseja retornar ao Brasil para aplicar o conhecimento adquirido, possivelmente atuando no setor público e contribuindo para políticas educacionais mais eficazes.

Além do projeto de internet na Amazônia com a Starlink, Eric participa de outras iniciativas voltadas à transformação social.

Projetos paralelos

Ele lidera o clube de investimentos de sua escola e integra o projeto Juntos na Tech, realizado em parceria com o Unidos de Paraisópolis, que ensina programação a jovens da comunidade em São Paulo. Tais ações mostram que o foco não está apenas na conectividade, mas na criação de oportunidades reais por meio da educação e da tecnologia.

Influência familiar e disciplina

Filho de Florian Bartunek, sócio-fundador da Constellation, Eric afirma ter crescido em um ambiente que valorizava estudo, disciplina e responsabilidade. Ele destaca o apoio do pai como fundamental para enfrentar desafios e persistir diante de recusas. Para lidar com a ansiedade e o estresse, pratica tênis e muay thai. Segundo ele, o esporte ajuda a manter o equilíbrio entre estudos, projetos e vida pessoal.

A importância da persistência

Aos jovens que desejam causar impacto, Eric aconselha persistência. De acordo com ele, cada “não” recebido é um passo mais próximo de um “sim”. A história do projeto comprova essa visão: foram muitos e-mails ignorados antes de alcançar a reunião decisiva que viabilizou a doação das antenas.

Resumindo, o projeto da Starlink mostra como a tecnologia pode reduzir desigualdades regionais ao levar internet a áreas remotas da Amazônia. Diante das limitações logísticas e do alto custo da fibra óptica, a conexão via satélite surge como solução viável. Ao conectar 140 escolas, o projeto amplia o acesso à educação digital, fortalece comunidades locais e reforça a inovação como ferramenta de inclusão social.

*com uso de Inteligência Artificial

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