Telegram é a rede mais usada por criminosos, diz relatório

O Telegram voltou ao centro das discussões sobre segurança digital depois de um relatório recente apontar que a plataforma é, nos dias atuais, a mais utilizada por criminosos na internet. 

Nesse sentido, o estudo, conduzido pela Check Point Software Technologies, revela um cenário preocupante: mesmo com avanços em moderação e remoção de conteúdo, o app segue sendo amplamente explorado para atividades ilícitas, como por exemplo golpes, fraudes e distribuição de dados roubados. Sendo assim, essa constatação reforça o papel central do Telegram no ecossistema do cibercrime global.

O relatório que apontou que o Telegram é a rede mais usada por criminosos

De acordo com a pesquisa da Check Point Software Technologies, o Telegram se consolidou como o aplicativo de mensagens favorito entre cibercriminosos. Vale ressaltar que a conclusão teve base na análise de milhares de canais, grupos e interações suspeitas, que revelaram um padrão consistente de uso da plataforma para atividades ilegais.

Mesmo com a implementação de políticas mais rígidas de moderação e remoção de conteúdos, o Telegram continua sendo uma ferramenta essencial para indivíduos e grupos que desejam operar fora da lei. Isso ocorre porque a plataforma oferece características que favorecem esse tipo de comportamento, como anonimato relativo, facilidade de criação de grupos e grande alcance de comunicação.

Por que o Telegram ainda é atrativo?

O sucesso do Telegram entre criminosos não é por acaso. Em outras palavras, a plataforma combina diversos elementos que a tornam ideal para quem deseja agir de forma discreta:

  • Criação ilimitada de grupos e canais;
  • Compartilhamento rápido de arquivos;
  • Estrutura baseada em nuvem;
  • Dificuldade de rastreamento em alguns casos.

Desse modo, tais características permitem que criminosos mantenham operações ativas por longos períodos, mesmo diante de ações de moderação.

Moderação ainda insuficiente

Embora o Telegram tenha intensificado suas ações contra conteúdos ilegais, a pesquisa indica que essas medidas ainda não são suficientes para eliminar o problema. Nesse sentido, muitos usuários mal-intencionados continuam encontrando maneiras de contornar as regras, o que mantém a plataforma como parte fundamental de suas atividades.

Um relatório apontou que o Telegram é a rede que os criminosos mais utilizam.
Um relatório apontou que o Telegram é a rede que os criminosos mais utilizam. | Foto: DALL-E 3

Detalhes sobre esse contexto do Telegram

O relatório da Check Point Software Technologies traz números que ajudam a dimensionar o problema. Segundo o estudo, pelo menos 20% dos canais bloqueados do Telegram estavam diretamente ligados a atividades criminosas.

Além disso, o cenário não demonstra sinais de melhora em 2026. Pelo contrário: a quantidade de conteúdos removidos pela moderação da plataforma está em crescimento acelerado.

Crescimento das remoções

Entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, cerca de 500 mil publicações foram derrubadas pelo Telegram, um número recorde dentro do período analisado. Sendo assim, esse aumento indica que, embora a plataforma esteja mais ativa na remoção de conteúdos ilegais, a produção desse tipo de material também está crescendo. 

Um ponto importante é que o estudo, que analisou dados desde o mês de dezembro de 2023, mostra que a escalada de atividades criminosas é algo que acompanha o aumento da fiscalização.

Telegram domina o compartilhamento

Paralelamente, outro dado relevante é o volume de compartilhamentos envolvendo o Telegram. Durante os últimos três meses analisados, links de grupos criminosos foram amplamente divulgados, somando mais de 3 milhões de compartilhamentos. Tal valor supera outras plataformas como por exemplo Discord e Signal.

Pouca migração para outras plataformas

Apesar da intensificação das regras, a pesquisa não encontrou evidências de uma migração significativa de criminosos para outras redes. O Telegram continua sendo o principal ponto de encontro para comunicação em massa. Embora alguns contatos diretos sejam feitos em aplicativos alternativos, como o SimpleX, esses serviços ainda não conseguiram substituir o Telegram em escala.

Tentativas frustradas de migração

Um exemplo que o relatório cita envolve o grupo cibercriminoso russo AKULA, que tentou migrar para o SimpleX. No entanto, a iniciativa não teve sucesso, principalmente pela dificuldade em engajar o público já consolidado no Telegram.

Como os criminosos utilizam o Telegram?

Para continuar operando dentro da plataforma, cibercriminosos têm adotado estratégias cada vez mais sofisticadas dentro do Telegram. Nesse sentido, uma das práticas mais comuns é a inclusão de avisos de isenção de responsabilidade nas descrições dos grupos, numa tentativa de mascarar atividades ilegais.

Esses avisos buscam criar uma falsa aparência de legalidade, mesmo quando há práticas claramente criminosas em andamento. Vale ressaltar que, em alguns casos, os administradores chegam a citar diretamente os criadores do aplicativo, alegando que estão seguindo as diretrizes da plataforma, o que pode confundir usuários menos atentos.

Criação de grupos de backup

Adicionalmente, outra estratégia amplamente utilizada é a criação de canais e grupos de backup. Tais espaços, muitas vezes inativos, funcionam como reservas estratégicas. Eles acumulam seguidores ao longo do tempo e são rapidamente ativados caso o grupo principal seja removido por moderação. Logo, essa prática garante a continuidade das operações e reduz significativamente o impacto de eventuais punições.

Organização de crimes e golpes

Juntamente com isso, o Telegram se tornou um verdadeiro hub para organização de atividades ilegais. Entre os usos mais comuns estão a venda de dados roubados, o compartilhamento de ferramentas de invasão, a coordenação de ataques cibernéticos e a disseminação de golpes financeiros. A facilidade de comunicação em massa permite que essas ações sejam realizadas com agilidade e alcance ampliado.

Adaptação constante

Mesmo com o endurecimento das regras, os criminosos continuam se adaptando. Eles utilizam as próprias ferramentas do Telegram a seu favor, explorando brechas e criando novas formas de operar. Portanto, essa capacidade de adaptação é um dos principais fatores que explicam a permanência da plataforma como referência no cibercrime.

A relação dessa situação do Telegram com o histórico da rede

O Telegram foi criado no ano de 2013 pelos irmãos Pavel Durov e Nikolai Durov. Nesse sentido, a proposta inicial era oferecer um aplicativo de mensagens baseado em nuvem, com foco em velocidade, segurança e resistência à censura. Sendo assim, essa abordagem rapidamente atraiu milhões de usuários ao redor do mundo.

Evolução da plataforma

Com o passar dos anos, o Telegram incorporou novas funcionalidades, como por exemplo:

  • Bots automatizados;
  • Canais de transmissão;
  • Ferramentas de monetização;
  • Grupos com grande capacidade de usuários;

Todos esses recursos contribuíram para o crescimento exponencial da plataforma, mas também abriram espaço para usos indevidos.

Uso por diferentes grupos

Ao longo do tempo, o Telegram se tornou uma ferramenta importante não apenas para comunicação pessoal, mas também para:

  • Ativismo político;
  • Movimentos sociais;
  • Grupos extremistas;
  • Redes criminosas.

Dessa forma, essa diversidade de usos tornou a moderação mais complexa e desafiadora.

Controvérsias e problemas legais

A falta de controle mais rigoroso levou a problemas legais significativos. Em outras palavras, no ano de 2024, Pavel Durov foi alvo de investigações relacionadas a crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros delitos, justamente devido à ausência de moderação eficaz na plataforma. Ou seja, tal episódio marcou um ponto de virada na política do Telegram.

Mudanças na moderação

Em fevereiro de 2025, o Telegram foi pressionado a adotar medidas mais rigorosas. De acordo com a pesquisa “Telegram’s Crackdown and Criminal Resilience in 2026”, mais de 43,5 milhões de grupos e canais foram removidos. No entanto, apenas uma pequena parcela desses conteúdos estava relacionada a crimes mais graves, como abuso infantil (2%) e terrorismo (0,8%).

Criminosos não abandonaram a plataforma

Apesar das mudanças, o estudo mostra que não houve uma fuga significativa de criminosos para outras redes. Em vez disso, eles passaram a se adaptar às novas regras, utilizando as próprias ferramentas de moderação como parte de suas estratégias.

Lições a aprender com essa circunstância do Telegram

A importância da segurança digital

O cenário apresentado pelo relatório reforça a necessidade de maior conscientização sobre segurança digital. Nesse sentido, usuários comuns precisam estar atentos aos riscos associados ao uso de plataformas de comunicação.

Responsabilidade das plataformas

O caso do Telegram também é responsável por levantar debates sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia. Em outras palavras, é essencial que haja um equilíbrio entre privacidade e segurança, pois isso pode garantir que os usuários estejam protegidos sem comprometer direitos fundamentais.

Papel das autoridades

Governos e órgãos reguladores têm papel crucial na criação de leis que protejam os usuários, especialmente crianças e adolescentes. Sendo assim, a tendência é que novas legislações surjam nos próximos anos, exigindo maior controle das plataformas.

Educação digital como solução

Investir em educação digital é uma das melhores formas de combater o problema. Usuários informados são menos suscetíveis a golpes e conseguem identificar comportamentos suspeitos com mais facilidade.

Futuro do Telegram

O futuro do Telegram dependerá da sua capacidade de equilibrar liberdade e controle. A plataforma precisará continuar evoluindo suas ferramentas de moderação para reduzir o uso indevido, sem perder sua essência.

Em última análise, o Telegram permanece como uma das principais plataformas de comunicação do mundo, mas também enfrenta o desafio de combater seu uso por criminosos. O relatório da Check Point deixa claro que, apesar dos avanços, ainda há um longo caminho a percorrer. Logo, para os usuários, a principal lição é simples: usar a rede com consciência e atenção é essencial para evitar riscos.

*com uso de inteligência artificial

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