Tornozeleira eletrônica: Como funciona sua tecnologia? Entenda!

A tornozeleira eletrônica é uma das soluções tecnológicas mais eficazes no monitoramento de pessoas sob medida judicial fora do sistema penitenciário. Em tal sentido, criada como alternativa à prisão tradicional, ela serve tanto para promover a ressocialização quanto para desafogar o sistema carcerário. 

Mas como exatamente esse pequeno dispositivo consegue monitorar, em tempo real, os passos de uma pessoa e garantir o cumprimento das restrições que a justiça impôs? 

Logo, neste conteúdo, iremos explicar como funciona a tecnologia da tornozeleira eletrônica e também explorar outras especificações deste dispositivo. Em conjunto a isso, pensaremos sobre o contexto atual com ele, bem como apresentaremos alguns crimes que podem ser penalizados com o uso do objeto. Por último, iremos discutir se é possível que outras tecnologias substituam o mesmo no futuro.

Como funciona a tecnologia da tornozeleira eletrônica?

A combinação entre GPS e modem celular

A tecnologia da tornozeleira eletrônica é resultado da integração entre dois sistemas bem conhecidos: o GPS (Sistema de Posicionamento Global) e o modem de celular, que também recebe o nome de modem GSM. 

Com isso, o dispositivo capta constantemente a localização do usuário por meio de satélites e transmite esses dados em tempo real para uma central de monitoramento. Tal central, que geralmente empresas privadas que o poder público contrata são responsáveis por gerir, acompanha cada passo da pessoa monitorada.

Essas empresas têm acesso a mapas e sistemas com os dados em tempo real, sendo capazes de agir prontamente caso haja alguma irregularidade. Sendo assim, quando se detecta uma infração (como por exemplo ultrapassar uma área restrita ou permanecer fora de casa após o horário permitido), a Polícia Militar recebe uma notificação imediata com o intuito de tomar providências.

Configuração de áreas de inclusão e exclusão

Cada tornozeleira é personalizada conforme a sentença judicial. Isso inclui a definição de áreas de inclusão (onde a pessoa pode estar) e áreas de exclusão (onde ela não pode permanecer ou sequer entrar). Logo, configuram-se essas áreas com base em critérios como o tipo de crime cometido, o grau de periculosidade, a localização da vítima (quando houver), entre outros.

Por exemplo, em casos de violência doméstica, há a possibilidade de impedir o agressor de se aproximar da residência ou do local de trabalho da vítima. Nesses casos, a vítima pode receber uma Unidade Portátil de Rastreamento (UPR), um aparelho que detecta a aproximação da tornozeleira do agressor. Ou seja, caso ele ultrapasse a distância segura, a central de monitoramento recebe um aviso, e pode tomar medidas urgentes.

Outras especificações da tornozeleira eletrônica

Tamanho, peso e uso contínuo

A tornozeleira eletrônica é compacta, pesando cerca de 128 gramas, o equivalente a um celular moderno. Ela é presa ao tornozelo com uma cinta de borracha altamente resistente, que deve ser usada ininterruptamente. Por questões de segurança, não há permissão para retirá-la, nem mesmo por alguns minutos. Qualquer tentativa de remoção pode ser interpretada como fuga.

Mesmo com o seu tamanho, o atrito constante pode causar incômodo ou até mesmo reações alérgicas em alguns usuários. No entanto, não existem exceções para o uso do equipamento. Dessa maneira, adaptar-se ao uso contínuo faz parte das obrigações de quem cumpre medida judicial com o monitoramento eletrônico.

Cinta com fibra óptica e sistema antifraude

A cinta que prende o dispositivo ao tornozelo possui um cabo de fibra óptica interno, que emite sinais constantemente. Caso seja rompido, seja por tentativa de corte ou por desgaste acidental (o que é raro), dispara-se um alarme e a polícia considera a pessoa foragida automaticamente. Esse sistema impede que o monitorado tente burlar o rastreamento.

Juntamente com isso, esconder-se em uma área sem sinal celular, como por exemplo zonas rurais ou túneis, também não funciona como tentativa de fuga. Isso se deve ao fato de que a tornozeleira continua armazenando os dados, e assim que a conexão for restabelecida, tudo é enviado para a central de uma vez.

Sistema de bateria e notificações

A bateria da tornozeleira dura, em média, de 24 a 48 horas. Quando atinge 25% de carga, o dispositivo começa a emitir avisos sonoros e vibrações frequentes, o que alerta o usuário de que é hora de recarregar. 

Caso a bateria seja completamente descarregada, isso pode ser interpretado como violação das regras e gerar consequências legais. O carregamento é feito por um adaptador fornecido junto ao equipamento. É responsabilidade da pessoa monitorada manter o dispositivo carregado diariamente.

À prova d’água

Outro ponto importante é que a tornozeleira é à prova d’água. Isso significa que o banho, a chuva ou até mesmo uma queda acidental em um rio ou mar não danificam o equipamento, e também não servem como desculpa para remoção ou falhas no rastreamento. A intenção é evitar qualquer tipo de brecha para tentar fraudar o monitoramento.

O contexto atual com a tornozeleira eletrônica

Diversidade de modelos e tecnologias no mundo

Atualmente, diversos países adotam modelos distintos de tornozeleiras eletrônicas, com variações que fatores como por exemplo a legislação local, a estrutura do sistema penal e o nível de desenvolvimento tecnológico determinam. 

Essas diferenças refletem não apenas os objetivos específicos de cada programa de monitoramento, mas também o grau de investimento em soluções de segurança e reintegração social.

No Brasil, o modelo mais comum é o que combina tecnologia GPS com conexão via modem celular, permitindo o rastreamento em tempo real da localização do indivíduo. Outro tipo que se usa bastante é o que tem base em radiofrequência, especialmente indicado para monitoramento de prisão domiciliar. Em tal caso, instala-se um receptor na residência da pessoa monitorada, registrando sua presença durante os horários estipulados pela Justiça.

Modelos com sensores avançados

Além disso, há modelos mais sofisticados que incorporam sensores de movimento e comportamento, capazes de identificar tentativas de violação, como remoção ou manipulação do dispositivo. Paralelamente, em países com maior avanço tecnológico, já estão em fase de testes tornozeleiras que detectam níveis de álcool no suor ou até mesmo vestígios de substâncias entorpecentes no organismo. 

Tais inovações abrem caminho para um monitoramento ainda mais preciso e específico, especialmente útil em casos de crimes como embriaguez ao volante, violência doméstica ou reincidência no uso de drogas. Isso reforça o caráter preventivo e corretivo do sistema.

Crimes que podem ser penalizados com o uso de tornozeleira eletrônica

Alternativa à prisão tradicional

Utiliza-se frequentemente a tornozeleira eletrônica em regimes de prisão domiciliar, regime semiaberto, liberdade condicional ou progressão de pena. Neles, o réu pode cumprir sua pena em casa ou com restrições de horário e localidade.

Adicionalmente, ela é especialmente útil em casos de superlotação carcerária ou quando a pessoa condenada apresenta baixo risco à sociedade. Desse modo, a ideia é permitir que o cumprimento da pena seja feito de forma mais humanizada, sem colocar em risco a ordem pública.

Violência doméstica e crimes sexuais

Nos casos de violência contra a mulher e crimes sexuais, a tornozeleira eletrônica cumpre um papel de extrema importância. A imposição de um perímetro de exclusão ao redor da vítima, aliado ao uso da Unidade Portátil de Rastreamento (UPR), tem salvado vidas e dado às vítimas maior sensação de segurança.

Paralelamente, a justiça também pode estabelecer regras sobre horários de saída, locais proibidos ou atividades que o monitorado não pode realizar. O sistema é completamente personalizável, sempre com base na sentença judicial.

Outros casos comuns

Juntamente com isso, é possível aplicar a tornozeleira eletrõnica em casos de:

  • Crimes de colarinho branco;
  • Corrupção;
  • Tráfico em menor escala;
  • Crimes contra o patrimônio;
  • Acordos de delação premiada.
Existe uma ampla gama de crimes para os quais a utilização de tornozeleira eletrônica pode ser útil.
Existe uma ampla gama de crimes para os quais a utilização de tornozeleira eletrônica pode ser útil. | Foto: DALL-E 3

É possível que outras tecnologias substituam a tornozeleira eletrônica no futuro?

Avanços e tendências futuras

Apesar de ser um sistema consolidado, a tornozeleira eletrônica não é perfeita. Por isso, pesquisadores e empresas já estudam alternativas tecnológicas que possam garantir o mesmo nível de monitoramento com menor desconforto físico e mais precisão.

Dessa maneira, entre as propostas em andamento estão:

  • Pulseiras inteligentes conectadas com sensores de localização e comportamento;
  • Implantes subcutâneos com chips GPS (tema polêmico, mas em fase de testes em alguns países);
  • Monitoramento por reconhecimento facial contínuo em cidades com câmeras de vigilância avançadas;
  • Geofencing via smartphone, onde o celular do condenado se torna o próprio monitor.

No entanto, vale ressaltar que qualquer substituição deverá atender aos requisitos legais, de segurança e privacidade. Além disso, deverá passar por testes rigorosos antes de ter uma aplicação em larga escala.

Em última análise, a tornozeleira eletrônica é uma ferramenta valiosa no sistema de justiça contemporâneo, pois representa um equilíbrio entre punição, monitoramento e reintegração social. Por meio da combinação de tecnologias como GPS, radiofrequência e sensores comportamentais, o dispositivo garante o cumprimento de sentenças com alto grau de segurança e precisão. 

Do mesmo modo, sua evolução e as discussões sobre o futuro mostram que o monitoramento eletrônico está em constante transformação. Ou seja, ele acompanha os avanços tecnológicos e as necessidades da sociedade.

Quer saber mais sobre como a tecnologia da tornozeleira eletrônica pode impactar o sistema penal e os direitos das vítimas? Continue acompanhando o tema e converse sobre com quem também se interessa pelo tema!

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