Urna eletrônica é violável? Entenda o sistema e seus detalhes!

A urna eletrônica faz parte das eleições brasileiras desde 1996 e foi criada para tornar a votação mais rápida, segura e eficiente. Nesse sentido, ao longo dos anos, o equipamento passou por diversas atualizações de hardware, software e mecanismos de auditoria. Em 2026, o Brasil completa 30 anos de uso da tecnologia, que segue sendo utilizada nas eleições nacionais.

Mesmo assim, dúvidas sobre o funcionamento e a possibilidade de invasão da urna continuam circulando. Afinal, a urna eletrônica é violável? Para responder à questão, é necessário entender como o sistema funciona, quais são suas barreiras de proteção e de que maneira se registram e auditam os resultados.

O sistema de votação na urna eletrônica

Dois terminais físicos são os principais componentes do sistema de votação brasileiro. Vale ressaltar que o mesário utiliza o primeiro no intuito de identificar o eleitor e liberar a votação. Já o segundo fica na cabine e permite ao eleitor registrar suas escolhas.

A urna funciona de maneira isolada de redes externas. Ela não utiliza internet, Wi-Fi ou Bluetooth durante a votação. De acordo com o TSE, o equipamento não se comunica com outros dispositivos por redes com ou sem fio.

1. O início da votação e a Zerésima

Ocorre a emissão da Zerésima antes do primeiro eleitor votar. Isso se deve ao fato de que esse documento demonstra que não existem votos registrados para candidatos ou legendas naquela seção. Nas Eleições 2026, a emissão da Zerésima e do Resumo da Zerésima está prevista antes do início da votação.

2. Identificação e liberação do eleitor

O processo começa com a identificação pelo mesário. Dependendo da seção e da situação cadastral, a confirmação pode ocorrer por biometria. Após a validação, libera-se o terminal do eleitor. Na cabine, a pessoa digita o número da candidatura escolhida e confere as informações na tela antes de pressionar “CONFIRMA”.

3. Registro e proteção dos votos

Uma das partes mais importantes é o Registro Digital do Voto (RDV). É nesse arquivo que se registram os votos para permitir a geração do Boletim de Urna. O RDV registra o voto sem informação que permita associá-lo à identidade do eleitor. 

Juntamente com isso, armazenam-se os votos em ordem aleatória, impedindo o uso da sequência para descobrir quem escolheu determinado candidato. O sistema operacional utilizado é o Uenux, uma versão adaptada do Linux desenvolvida para a urna eletrônica. Ele passou a ser utilizado em todas as urnas a partir de 2008.

4. Encerramento e Boletim de Urna

Ao final, o mesário realiza o encerramento. Em seguida, a urna consolida os dados e imprime o Boletim de Urna (BU), que apresenta os votos de cada candidatura e legenda naquela seção. O BU permite conferir os resultados independentemente da totalização geral. Paralelamente, os dados também são gravados em uma mídia de resultado para transmissão à Justiça Eleitoral.

O sistema da urna eletrônica é algo que causa debates.
O sistema da urna eletrônica é algo que causa debates. | Foto: DALL-E 3

Como funciona a segurança da urna eletrônica?

É importante destacar que a segurança da urna eletrônica não depende de uma única tecnologia. O sistema reúne camadas de proteção envolvendo hardware, software, criptografia, controle de acesso, auditorias e procedimentos físicos.

Nesse sentido, o TSE informa que existem mais de 30 barreiras de segurança no equipamento. Elas atuam em conjunto para dificultar alterações não autorizadas e preservar a integridade do processo eleitoral.

Ausência de conexão com redes externas

Uma das características mais conhecidas é o isolamento da urna eletrônica. Em outras palavras, o equipamento não fica conectado à internet durante a votação e não utiliza Wi-Fi ou Bluetooth para comunicação. 

Isso impede ataques remotos convencionais durante a votação. A transferência dos resultados ocorre posteriormente por mídias próprias e dentro dos procedimentos da Justiça Eleitoral.

Assinaturas digitais e resumos criptográficos

Os programas utilizados nas urnas passam por mecanismos de autenticação. As assinaturas digitais verificam se os arquivos correspondem aos sistemas autorizados. Em paralelo, o processo também utiliza hashes, que funcionam como uma espécie de impressão digital dos arquivos. 

Uma alteração produz resultado diferente, permitindo identificar mudanças. Nas Eleições 2026, o TSE mantém os códigos-fonte dos sistemas eleitorais disponíveis para inspeção no período previsto.

Módulos e mecanismos de proteção

A arquitetura inclui componentes destinados à proteção do hardware e software. O objetivo é criar uma cadeia de confiança para permitir apenas a execução de programas autorizados. Por isso, não basta ter acesso físico à urna para modificar seu funcionamento. Existem mecanismos de validação que precisam ser superados.

Lacres físicos

Da mesma forma, a proteção também existe no aspecto físico. As portas de acesso recebem lacres de segurança produzidos pela Casa da Moeda do Brasil. Esses lacres evidenciam tentativas de retirada ou violação e acontece a aplicação deles em diferentes pontos do equipamento.

Zerésima e Boletim de Urna

A Zerésima e o BU são mecanismos importantes de transparência. Desse modo, a primeira é emitida antes da votação e demonstra que não existem votos registrados. O segundo apresenta o resultado da seção após o encerramento. Logo, existe um registro físico antes e outro depois da votação.

Testes Públicos de Segurança

Em conjunto a isso, a segurança também é submetida a testes antes das eleições. O Teste Público de Segurança permite que especialistas, pesquisadores e representantes autorizados tentem encontrar vulnerabilidades. Problemas identificados podem resultar em correções e aprimoramentos. No ano de 2026, o TSE informou que a segunda etapa do teste de 2025 foi concluída com novos procedimentos de verificação.

Outros locais usam a urna eletrônica?

O Brasil não é o único país a utilizar tecnologia eletrônica em eleições. Em outras palavras, o TSE informa que pelo menos 46 países adotam algum tipo de votação eletrônica, embora os sistemas e as tecnologias sejam diferentes entre si.

Exemplos de países

A Índia utiliza urnas eletrônicas em larga escala. Nos Estados Unidos, diferentes estados e condados adotam máquinas eletrônicas, leitores ópticos e outros sistemas. Venezuela, Bélgica, Bulgária, Peru, México e Equador também aparecem entre os países que empregam tecnologias eletrônicas em processos eleitorais.

Já a França utiliza equipamentos eletrônicos em algumas localidades, enquanto a Estônia é conhecida principalmente pelo voto pela internet. Portanto, não existe um único modelo internacional de votação eletrônica. Cada país define sua própria arquitetura, legislação, forma de auditoria e relação entre equipamentos digitais e cédulas físicas.

Alternativas à urna eletrônica

Embora diversos países utilizem algum tipo de tecnologia eleitoral, a maioria ainda recorre predominantemente às cédulas de papel. Na Alemanha, por exemplo, o uso de determinados equipamentos eletrônicos de votação foi restringido após decisão do Tribunal Constitucional Federal relacionada à necessidade de transparência pública no processo de apuração. 

Já países como Reino Unido, Itália, Suécia e Espanha utilizam predominantemente sistemas baseados em papel. Na América Latina, Chile e Uruguai também utilizam cédulas físicas. Japão é outro exemplo de país que mantém a votação baseada em papel.

Por que alguns países preferem o papel?

Existem diferentes razões para essa escolha. Uma delas envolve custos. Implantar e manter milhares de equipamentos eletrônicos exige investimentos em hardware, software, segurança, armazenamento, transporte e atualização tecnológica.

Mais um fator é a preferência institucional por métodos de contagem considerados visualmente verificáveis. Em uma votação com cédulas, o cidadão consegue compreender de maneira relativamente simples o processo de registro e contagem.

Por fim, também existe a questão da descentralização. As regras e tecnologias podem variar entre estados e condados, como ocorre nos Estados Unidos. Há locais que combinam cédulas de papel, votação pelo correio, leitores ópticos e máquinas eletrônicas.

Afinal, a urna eletrônica é violável?

A resposta para essa pergunta exige uma distinção importante. Nenhum sistema tecnológico deve ser tratado como impossível de atacar. Porém, isso é diferente de afirmar que a urna eletrônica brasileira possa ser facilmente invadida ou manipulada.

Arquitetura de segurança

Vale ressaltar que a arquitetura brasileira foi desenvolvida para dificultar alterações indevidas. O equipamento não possui conexão externa durante a votação, utiliza autenticação e criptografia, conta com proteção física e passa por diferentes etapas de auditoria. Além disso, os votos registrados no RDV não são vinculados à identidade do eleitor. Logo, a ordem dos registros é embaralhada, preservando o sigilo do voto.

Auditorias e verificações

Um ponto crucial é que a segurança não termina quando o eleitor aperta o botão “CONFIRMA”. Existem procedimentos antes, durante e depois da votação. Zerésima, testes de autenticidade e integridade, lacres, RDV e Boletim de Urna fazem parte desse conjunto.

Como dito anteriormente, nas Eleições 2026, estão previstos testes de integridade das urnas e verificações de autenticidade dos sistemas instalados nos equipamentos selecionados para auditoria. 

Então, dizer que a urna é “100% inviolável” seria inadequado. O correto é afirmar que ela possui segurança em várias camadas, criada para tornar ataques e alterações não autorizadas difíceis e detectáveis.

Resumindo, entender essas etapas é fundamental para diferenciar dúvidas legítimas de informações falsas sobre o processo eleitoral. A tecnologia utilizada no Brasil possui mecanismos que podem ser auditados e verificações realizadas por diferentes instituições e participantes autorizados.

Portanto, para compreender de verdade se a urna eletrônica é violável, é necessário analisar todo o sistema, e não apenas o equipamento isoladamente. Conheça mais sobre esse dispositivo e entenda como a tecnologia participa das eleições brasileiras!

*com uso de inteligência artificial

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