Uma investigação do Citizen Lab revelou a AdFection, técnica que explora anúncios digitais para infectar celulares sem interação das vítimas. Vale ressaltar que o método utiliza publicidade direcionada para distribuir programas espiões e monitorar dispositivos, levantando preocupações sobre a segurança dos anúncios exibidos em sites e aplicativos.
O uso de anúncios para invadir celulares por criminosos
A investigação do Citizen Lab identificou a AdFection, técnica que utiliza publicidade digital para distribuir programas espiões. Desse modo, o método preocupa porque pode dispensar ações comuns em golpes, como por exemplo clicar em links suspeitos, instalar aplicativos desconhecidos ou abrir arquivos recebidos por mensagens.
Como funciona o ataque de clique zero
Nesse cenário, o carregamento de um anúncio pode desencadear a infecção enquanto a pessoa navega em sites ou utiliza aplicativos. Ou seja, sem precisar interagir com o conteúdo, a vítima tem mais dificuldade para perceber quando o ataque acontece.
É importante destacar que os pesquisadores identificaram conexões entre a empresa de publicidade Discover-Tech e servidores associados à desenvolvedora de ferramentas de espionagem Candiru. A estrutura permitia identificar dispositivos de interesse e direcioná-los para receber programas espiões avançados.
Dispositivos foram atingidos entre 2024 e 2025
Segundo os registros técnicos do Citizen Lab, pelo menos 45 dispositivos relacionados ao canal de notícias Al Jazeera foram atingidos entre 2024 e 2025. O caso demonstra como a publicidade direcionada pode ser explorada para viabilizar operações de vigilância.
Diferentemente do phishing tradicional, que geralmente exige alguma ação da vítima, ataques de clique zero podem explorar vulnerabilidades sem interação consciente do usuário.
Publicidade também exige atenção à segurança
A infraestrutura identificada permite traçar perfis de indivíduos, reconhecer aparelhos e selecionar alvos com precisão. Combinados a ferramentas de espionagem, esses recursos podem facilitar ataques direcionados.
Isso não significa que todos os anúncios sejam perigosos ou que qualquer celular esteja infectado. A descoberta evidencia, porém, a necessidade de fortalecer os mecanismos de proteção das plataformas publicitárias, considerando ameaças que não dependem de cliques ou downloads.

Mais detalhes sobre esse uso de anúncios para invadir celulares por criminosos
O relatório do Citizen Lab representa um marco nas investigações sobre espionagem digital ao documentar a distribuição de programas espiões por publicidade direcionada. Sendo assim, Ron Deibert, diretor do laboratório e coautor do estudo, destacou como ferramentas de espionagem mercenária podem alcançar dispositivos por meio de anúncios.
Como funciona a publicidade programática
Grande parte dos anúncios circulados na internet é negociada por sistemas automatizados de leilão. Nesse modelo, anunciantes disputam oportunidades de exibição para públicos específicos, com transações realizadas em frações de segundo.
Vale ressaltar que a tecnologia utiliza critérios de segmentação para distribuir campanhas em larga escala. Entretanto, agentes maliciosos podem explorar esses mecanismos para direcionar ataques contra pessoas selecionadas.
Rastreamento de dispositivos amplia preocupação
No caso da AdFection, pesquisadores identificaram ferramentas da Discover-Tech capazes de rastrear e reconhecer dispositivos em milhares de aplicativos e páginas da web. Os registros analisados abrangeram março a junho, e a infraestrutura também foi detectada em redes relacionadas à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e à Organização das Nações Unidas (ONU).
Tal abrangência demonstra que o problema ultrapassa aplicativos isolados. Como a publicidade envolve diferentes empresas e intermediários, uma falha pode permitir que ameaças alcancem diversos ambientes digitais.
Segmentação pode favorecer espionagem
Embora a publicidade legítima utilize dados para alcançar consumidores interessados, recursos semelhantes podem ajudar operações maliciosas a identificar aparelhos específicos e direcionar ataques.
A diferença está na finalidade: enquanto anúncios comerciais divulgam produtos e serviços, programas espiões buscam comprometer a privacidade e acessar informações indevidamente.
Por isso, a investigação reforça a necessidade de proteger não apenas os anúncios exibidos, mas também os intermediários, os mecanismos de identificação e os sistemas responsáveis por sua distribuição.
Consequências da descoberta desse uso de anúncios para invadir celulares por criminosos
A divulgação das descobertas é algo que levou empresas do mercado publicitário digital a reagir. Depois de analisar as informações dos pesquisadores, grandes plataformas restringiram a atuação da Discover-Tech, reduzindo suas possibilidades de distribuir anúncios nesses canais.
Nesse sentido, a Alphabet, controladora do Google, confirmou o bloqueio da companhia em suas plataformas de leilão publicitário. A decisão impede sua participação nos leilões abrangidos pela medida. O Google também implementou proteções no serviço Navegação Segura, que podem alertar usuários sobre domínios associados ao grupo investigado.
Outras organizações restringem o acesso
A IAB Europe, entidade ligada ao mercado europeu de publicidade digital, e a plataforma Beeswax também adotaram restrições contra a empresa. Dessa forma, as iniciativas demonstram como investigações independentes podem estimular respostas de organizações responsáveis por partes importantes da infraestrutura publicitária.
Entretanto, bloquear uma companhia não elimina todas as vulnerabilidades. Isso se deve ao fato de que a publicidade programática envolve diversos participantes, exigindo monitoramento contínuo, verificação de parceiros comerciais e identificação rápida de atividades suspeitas.
Responsabilização e transparência continuam em debate
A Discover-Tech e os representantes da Candiru não se pronunciaram sobre as revelações apresentadas na investigação. Sendo assim, o relatório do Citizen Lab permanece como referência para compreender a estrutura técnica identificada pelos pesquisadores.
Para os usuários, o episódio reforça a importância da transparência sobre os sistemas que distribuem conteúdos na internet. As plataformas precisam explicar como identificam ameaças, protegem dispositivos e impedem que agentes maliciosos reutilizem seus serviços.
Fiscalização pode ganhar importância
Finalmente, a descoberta também pode ampliar a pressão por regras mais rigorosas. Como a publicidade permite alcançar públicos específicos em larga escala, seus responsáveis precisam desenvolver mecanismos para detectar usos incompatíveis com finalidades comerciais. A prevenção depende de tecnologia, fiscalização e supervisão das relações entre empresas.
Esse uso de anúncios para invadir celulares por criminosos ainda preocupa?
É importante destacar que a descoberta da AdFection mostra que a publicidade digital pode apresentar riscos difíceis de identificar pelos mecanismos tradicionais de proteção. Apesar das medidas contra a Discover-Tech, a distribuição de programas espiões por sistemas automatizados continua preocupando especialistas em segurança digital.
Desafios para as plataformas
Nesse sentido, um dos principais problemas está na verificação dos participantes do mercado publicitário. Em outras palavras, como os anúncios são negociados automaticamente em grande volume, as plataformas precisam monitorar empresas, destinos das campanhas e comportamentos suspeitos.
Quando esses controles falham, a infraestrutura pode alcançar dispositivos sem o conhecimento dos proprietários. Desse modo, nos ataques de clique zero, o risco aumenta porque não é necessário convencer a vítima a clicar em links ou executar ações.
Medidas para reduzir ameaças
A prevenção exige aprimorar os processos de verificação e monitoramento. Entre as medidas possíveis estão bloquear agentes suspeitos, identificar atividades incomuns, compartilhar informações entre empresas e desenvolver mecanismos de proteção nas redes de distribuição de anúncios.
Os pesquisadores Bill Marczak e outros integrantes do Citizen Lab alertaram para os riscos da aproximação entre tecnologias publicitárias e ferramentas de espionagem. Segundo o relatório, essa combinação exige atenção de reguladores e responsáveis por políticas públicas.
Impactos sobre informações pessoais
Programas espiões podem comprometer dados pessoais e profissionais, além de ameaçar pessoas envolvidas em atividades sensíveis. Jornalistas, por exemplo, podem ficar expostos quando suas comunicações, fontes e rotinas profissionais se tornam alvos de vigilância direcionada.
Isso não significa que todos os anúncios sejam perigosos ou que a publicidade digital deva ser abandonada. O problema está na exploração maliciosa dessa infraestrutura. Logo, para reduzir os riscos, são necessários controles mais eficientes das plataformas, fiscalização e medidas técnicas de proteção.
Lições a aprender com esse uso de anúncios para invadir celulares por criminosos
O caso da AdFection é responsável por mostrar que a segurança digital não depende apenas dos usuários. Nesse sentido, embora evitar links suspeitos e atualizar aplicativos sejam medidas importantes, elas não impedem necessariamente ataques que ocorrem sem interação da vítima.
Prevenção exige ações das empresas
Empresas de tecnologia e operadores de publicidade devem verificar anunciantes, monitorar campanhas e interromper atividades suspeitas. Tais medidas ajudam a impedir que sistemas comerciais sejam usados para distribuir programas maliciosos.
Cuidados para proteger celulares
Manter o sistema operacional atualizado, instalar aplicativos de fontes confiáveis e revisar permissões concedidas são práticas recomendadas. Paralelamente, também é importante desconfiar de mensagens que solicitem instalações, acessos incomuns ou visitas a páginas desconhecidas. Esses cuidados reduzem riscos, mas não eliminam todas as ameaças, especialmente ataques de clique zero.
Investigação e cooperação são fundamentais
Um celular sem sinais de comprometimento não está necessariamente livre de ameaças, enquanto a presença de um anúncio não confirma uma invasão. Vale ressaltar que a identificação de infecções pode exigir análise técnica especializada.
Por fim, a cooperação entre pesquisadores, plataformas digitais, empresas de publicidade e autoridades é essencial para identificar falhas, divulgar descobertas com responsabilidade e implementar correções que fortaleçam a segurança digital.
Concluindo, o episódio mostra que até recursos comuns da navegação podem ser explorados em operações sofisticadas de vigilância. Ou seja, entender como funcionam esses ataques é um passo importante para cobrar mais responsabilidade das empresas e melhorar a proteção dos dispositivos.
Logo, para acompanhar outras ameaças digitais e descobrir como se proteger, continue conferindo as novidades sobre anúncios, golpes virtuais, segurança cibernética e medidas práticas para manter seus dispositivos e dados pessoais protegidos.
*com uso de inteligência artificial

