Starlink e Vivo: entenda os testes entre as empresas no Brasil

Os testes entre Starlink e Vivo no Brasil colocam em evidência uma tecnologia que pode ampliar as possibilidades de conexão móvel no país. Nesse sentido, a proposta envolve a comunicação direta entre celulares compatíveis e satélites. Sendo assim, é algo que permite que determinados dispositivos acessem serviços de conectividade mesmo em locais onde a infraestrutura tradicional de telefonia não está disponível.

A SpaceX, empresa responsável pela Starlink, informou à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) que recebeu autorização para operar dentro do Brasil. Embora a companhia tenha solicitado sigilo sobre a operadora que participaria da iniciativa, as informações disponíveis indicam que a parceira seria a Vivo, controlada pela Telefônica Brasil.

Nesse sentido, a possível parceria está relacionada ao Starlink Mobile, serviço baseado na tecnologia Direct-to-Cell, também conhecida como Direct-to-Device (D2D). A solução permite que celulares compatíveis estabeleçam comunicação diretamente com satélites em órbita, sem a necessidade de antenas parabólicas ou de equipamentos externos instalados pelo usuário.

O serviço já está disponível em mercados como Estados Unidos, Austrália e Chile. No caso norte-americano, a tecnologia é oferecida pela T-Mobile em determinados planos, enquanto clientes de outras operadoras também podem utilizar o serviço mediante pagamento adicional.

Expansão da cobertura móvel

A própria Starlink já indica o Brasil entre os países que devem receber a tecnologia futuramente. Nesse modelo, os satélites funcionam como uma extensão da cobertura das redes móveis terrestres, permitindo a comunicação em regiões nas quais a presença de antenas convencionais é limitada.

Testes anteriores no Brasil

Porém, a iniciativa não é a primeira experiência envolvendo conexão direta entre celulares e satélites no Brasil. A Claro também participou de testes experimentais da tecnologia em um ambiente de testes realizado em São Luís, no Maranhão. Na ocasião, a operadora trabalhou em conjunto com a empresa norte-americana Lynk Global.

Até o momento, contudo, não há indicação de que a Claro tenha avançado para a adoção comercial da tecnologia. Dessa forma, os testes associados à Vivo ganham atenção por envolverem uma nova etapa de experimentação da conectividade via satélite aplicada diretamente a dispositivos móveis.

Estão acontecendo testes entre Starlink e Vivo no Brasil.
Estão acontecendo testes entre Starlink e Vivo no Brasil. | Foto: DALL-E 3

Os testes ganharam destaque principalmente após uma decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em outras palavras, o órgão prorrogou até abril de 2029 a autorização para que a Telefônica Brasil realize experimentos utilizando a tecnologia Direct-to-Device.

Autorização para os testes

A autorização possui abrangência nacional e permite a realização dos testes em todo o território brasileiro. Juntamente com isso, o enquadramento no ambiente regulatório experimental possibilita a exploração comercial da solução dentro das condições estabelecidas pela regulamentação.

Nesse sentido, a autorização anterior havia sido concedida em julho e previa que os testes fossem encerrados em 22 de outubro de 2026. A própria operadora solicitou a extensão do período, argumentando que o prazo inicialmente estabelecido não seria suficiente para testes representativos.

É importante destacar que a mudança foi formalizada pelo Ato nº 11.334, publicado no Diário Oficial da União em 16 de setembro de 2026. Com a nova autorização, a Telefônica poderá continuar avaliando o funcionamento da tecnologia por mais tempo.

Avaliação em diferentes cenários

Outro ponto relevante é que a autorização não estabelece um limite para a quantidade de estações móveis conectadas durante os experimentos. Isso amplia as possibilidades de avaliação da tecnologia em diferentes condições e cenários de uso.

Na prática, a extensão do prazo permite que a operadora obtenha mais informações sobre o desempenho da comunicação entre dispositivos móveis e satélites. Os testes também podem ajudar a identificar limitações técnicas e condições necessárias para uma eventual expansão.

Conectividade em escala nacional

Esse tipo de teste é importante para compreender como a tecnologia se comporta em uma rede de dimensões continentais como a brasileira. Os resultados poderão contribuir para futuras decisões sobre aplicações comerciais e modelos de conectividade direta entre celulares e satélites.

A autorização concedida pela Anatel estabelece parâmetros técnicos específicos para a realização dos experimentos. Entre eles estão as frequências de 2.567,5 MHz e 2.687,5 MHz, com canalização de 5 MHz em cada faixa.

Parâmetros técnicos

Paralelamente, a potência de emissão também foi definida em até 100 W. O serviço está enquadrado como Serviço Limitado Privado (SLP), enquanto o licenciamento das estações utiliza as regras relacionadas ao Serviço Móvel Pessoal (SMP).

Essas condições são importantes porque determinam como os testes podem ser conduzidos dentro do espectro de radiofrequências utilizado no país. A operação, portanto, não ocorre sem restrições, mas segue os parâmetros técnicos estabelecidos pelo órgão regulador.

Transmissões em caráter secundário

Vale ressaltar que as transmissões também acontecem em caráter secundário. Isso significa que a Vivo não possui direito à proteção contra eventuais interferências provocadas por outros sistemas de telecomunicações que estejam autorizados a operar no Brasil.

Caso os testes provoquem interferência em sistemas regularmente autorizados, a operadora deverá interromper imediatamente as transmissões. A regra estabelece uma condição importante para a realização dos experimentos, já que a expansão de novas tecnologias precisa considerar a coexistência com serviços que já utilizam as faixas de frequência.

Avaliação da tecnologia

Esse modelo regulatório permite que a tecnologia seja avaliada em condições reais sem alterar permanentemente a estrutura do serviço de telecomunicações. Os resultados obtidos durante o período de testes podem ajudar a determinar os próximos passos relacionados à utilização comercial da conectividade direta entre celulares e satélites.

A realização dos testes é relevante porque a tecnologia D2D apresenta uma proposta diferente daquela tradicionalmente associada à internet via satélite. Em vez de depender de uma antena instalada em uma residência, empresa ou outro local, a comunicação pode ocorrer diretamente entre o telefone compatível e o satélite.

Conectividade em áreas remotas

Tal característica pode ser especialmente importante em áreas remotas ou com cobertura móvel limitada. Regiões rurais, estradas, áreas de difícil acesso e outros locais afastados da infraestrutura tradicional podem se beneficiar de uma tecnologia capaz de ampliar a disponibilidade de determinados serviços de comunicação.

Paralelamente, a solução também pode representar uma alternativa para situações nas quais a instalação de novas antenas terrestres seja mais complexa. Nesse contexto, a conexão direta com satélites pode funcionar como complemento às redes móveis existentes.

Limitações da tecnologia

Entretanto, os testes ainda representam uma etapa de avaliação. A autorização para experimentação não significa, por si só, que o serviço comercial esteja disponível para todos os consumidores brasileiros ou que todos os celulares possam utilizar a conexão via satélite.

Nesse sentido, a compatibilidade dos aparelhos, as condições de cobertura, as características do serviço e as regras comerciais são alguns dos fatores que precisam ser considerados antes de uma eventual oferta em larga escala. O desempenho da conexão também poderá variar conforme as condições de cada região.

Avaliação até 2029

A continuidade dos testes até 2029 permitirá analisar a tecnologia em diferentes condições no território nacional. Dessa maneira, a experiência poderá esclarecer suas principais aplicações e limitações. Os dados obtidos também servirão de referência para futuras decisões sobre a expansão da conectividade direta entre celulares e satélites no Brasil.

É importante destacar que a experiência envolvendo a Vivo pode servir como referência para o desenvolvimento de outras iniciativas de conectividade direta entre satélites e celulares no Brasil. Isso ocorre porque o país possui dimensões territoriais extensas e diferentes níveis de disponibilidade de infraestrutura de telecomunicações entre suas regiões.

Outras iniciativas no Brasil

A existência de experiências anteriores, como os testes realizados pela Claro em parceria com a Lynk Global, mostra que diferentes empresas já avaliam alternativas para ampliar a cobertura móvel por meio de satélites.

Novas parcerias

Paralelamente, a continuidade dos experimentos da Telefônica também pode gerar informações relevantes para o setor. À medida que as empresas analisam o funcionamento da tecnologia, podem surgir novos modelos de parceria entre operadoras móveis e companhias especializadas em sistemas de satélites.

Mesmo assim, qualquer iniciativa futura dependerá de aspectos técnicos, regulatórios e comerciais. Cada empresa precisará avaliar as condições de operação, as frequências disponíveis, a compatibilidade dos dispositivos e as regras estabelecidas pela Anatel.

Complemento às redes móveis

O avanço dessa tecnologia não significa necessariamente a substituição das redes móveis tradicionais. A proposta do D2D é complementar a infraestrutura existente, utilizando satélites para ampliar as possibilidades de conexão em locais onde as redes terrestres não conseguem oferecer cobertura adequada. 

Desse modo, os testes no Brasil representam mais uma etapa dentro do processo de desenvolvimento da conectividade híbrida, combinando redes móveis terrestres e infraestrutura espacial.

Em resumo, os testes entre Starlink e Vivo mostram como a conexão direta entre celulares e satélites está avançando no Brasil e sendo avaliada dentro de um ambiente regulatório específico. Logo, para conferir novas informações sobre a tecnologia, seus testes e possíveis aplicações, continue acompanhando as novidades sobre as empresas.

*com uso de inteligência artificial

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