Austrália quer ampliar multa para redes que não barrarem crianças

A Austrália voltou a endurecer sua postura em relação às grandes empresas de tecnologia e pretende ampliar significativamente as punições para plataformas que não conseguirem impedir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais. 

Nesse sentido, a iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla para proteger crianças e adolescentes dos riscos associados ao ambiente digital. Sendo assim, isso é algo que reforça uma legislação que, apesar de já estar em vigor há alguns meses, ainda enfrenta dificuldades de implementação na Austrália.

O desejo da Austrália de ampliar a multa para redes sociais que não barrarem crianças

O governo australiano anunciou que pretende tornar ainda mais rígida a fiscalização das plataformas digitais. Em outras palavras, a proposta prevê dobrar o valor das multas aplicadas às empresas de tecnologia que não cumprirem a legislação responsável por impedir que menores de 16 anos criem ou mantenham contas em redes sociais.

Vale ressaltar que a medida surge em um momento de insatisfação das autoridades australianas com os resultados obtidos desde que a norma entrou em vigor. Embora a legislação já esteja valendo há cerca de seis meses, os mecanismos adotados pelas empresas para verificar a idade dos usuários ainda não têm apresentado a eficácia esperada.

Multas poderão ultrapassar 350 milhões de reais

Caso a proposta seja aprovada, a penalidade máxima passará de 49,5 milhões para 99 milhões de dólares australianos. Em conversão direta, o valor supera os 353 milhões de reais, tornando-se uma das punições financeiras mais severas do mundo para empresas que descumprirem regras relacionadas à proteção de menores na internet.

Dessa forma, a expectativa do governo é que o aumento expressivo das multas incentive investimentos mais robustos em sistemas de verificação de idade, inteligência artificial e outros mecanismos capazes de impedir o cadastro de crianças e adolescentes.

Objetivo é tornar a lei realmente efetiva

Na avaliação das autoridades australianas, apenas criar uma legislação não é suficiente. É necessário garantir que as empresas realmente adotem medidas eficazes para impedir que menores consigam acessar plataformas destinadas exclusivamente a adultos. Sendo assim, o aumento das multas pretende justamente transformar o cumprimento da lei em uma prioridade para as gigantes da tecnologia.

Constatou-se que a Austrália possui o desejo de ampliar a multa para redes sociais que não barrarem crianças.
Constatou-se que a Austrália possui o desejo de ampliar a multa para redes sociais que não barrarem crianças. | Foto: DALL-E 3

Motivações para esse desejo da Austrália

O principal motivo para o endurecimento das punições é o baixo índice de efetividade da legislação atual. Nesse sentido, mesmo após a entrada em vigor das restrições, milhares de adolescentes continuam utilizando normalmente diversas redes sociais, muitas vezes sem qualquer dificuldade para criar novas contas.

Estudo revelou falhas nos sistemas de verificação

Um levantamento que foi publicado na revista científica British Medical Journal (BMJ) acompanhou 408 adolescentes com idades entre 12 e 15 anos. Os resultados chamaram bastante atenção: aproximadamente 85% dos participantes afirmaram continuar utilizando redes sociais normalmente, mesmo estando abaixo da idade mínima permitida pela legislação australiana.

Sendo assim, isso é algo que demonstra que, na prática, os sistemas implementados pelas plataformas ainda apresentam diversas vulnerabilidades.

Como os adolescentes conseguem burlar as restrições

Entre os métodos utilizados pelos jovens, destacam-se:

  • informar idade superior a 16 anos durante o cadastro;
  • enviar selfies que acabam sendo aprovadas pelos sistemas automáticos de verificação;
  • criar contas em plataformas que sequer exigem comprovação efetiva da idade.

Todas essas brechas são responsáveis por mostrar que muitos mecanismos atuais ainda dependem excessivamente da boa-fé do usuário ou utilizam tecnologias que podem ser facilmente contornadas.

Governo responsabiliza empresas de tecnologia

Diante desse cenário, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, criticou publicamente a atuação das empresas responsáveis pelas redes sociais. Segundo o governo, as gigantes da tecnologia ainda não estão fazendo o suficiente para cumprir as exigências legais, razão pela qual o aumento das penalidades passou a ser considerado necessário.

Outros detalhes dessa situação da Austrália

O plano australiano não se limita ao aumento das multas. Isso se deve ao fato de que as autoridades pretendem ampliar significativamente os poderes do órgão responsável pela fiscalização da internet no país.

Fortalecimento do eSafety Commissioner

É importante destacar que o grande protagonista dessa nova etapa será o eSafety Commissioner, órgão regulador que terá a responsabilidade de supervisionar o cumprimento das normas digitais. Caso a proposta seja aprovada, a instituição ganhará poderes adicionais no intuito de investigar o comportamento das plataformas.

Na prática, isso significa que as empresas poderão ser obrigadas a demonstrar, por meio de documentos e evidências concretas, quais mecanismos estão utilizando para impedir que menores criem contas.

Cruzamento de informações

Paralelamente, mais um ponto crucial da proposta envolve a possibilidade de solicitar dados diretamente a empresas especializadas em verificação de idade. Além disso, o regulador também poderá obter informações junto às grandes lojas de aplicativos, como por exemplo a Apple, responsável pela App Store, e a Google, responsável pela Google Play.

Sendo assim, o objetivo é cruzar diferentes bases de dados para confirmar se as plataformas realmente estão aplicando mecanismos eficazes de controle de idade.

Empresas já estão sendo investigadas

Mesmo antes das possíveis mudanças, o eSafety Commissioner já conduz investigações que envolvem algumas das maiores empresas de tecnologia de todo o mundo. Nesse sentido, entre elas estão:

  • Meta, responsável por Instagram e Facebook;
  • Google, por meio do YouTube;
  • Snap, controladora do Snapchat;
  • TikTok.

Logo, as investigações têm o objetivo de verificar se essas empresas estão cumprindo integralmente as exigências que são impostas pela legislação australiana.

Possíveis desdobramentos desse desejo da Austrália

Apesar da postura firme adotada pelo governo, o projeto ainda enfrenta desafios jurídicos e políticos. Nesse sentido, a proposta representa uma das iniciativas mais rigorosas do mundo para responsabilizar plataformas digitais.

Entretanto, sua implementação depende da superação de obstáculos legais e da consolidação do novo modelo regulatório. Sendo assim, especialistas avaliam que o desfecho dessa discussão poderá servir como referência para outros países interessados em adotar medidas semelhantes.

Vale ressaltar que ainda não existe uma data definida para que o novo teto das multas entre efetivamente em vigor. Antes disso, o governo australiano ainda precisará concluir etapas administrativas e acompanhar o andamento dos processos judiciais relacionados à nova legislação. Enquanto isso, empresas de tecnologia seguem monitorando os desdobramentos para avaliar possíveis impactos sobre suas operações.

Contestação judicial

Uma das principais resistências parte do Reddit. Em outras palavras, a plataforma ingressou com uma ação judicial buscando derrubar a proibição, alegando que a legislação pode violar princípios relacionados à liberdade de expressão e impor obrigações consideradas desproporcionais às empresas. 

Desse modo, tal processo poderá ser responsável por influenciar diretamente os próximos passos da regulamentação australiana e estabelecer precedentes importantes para futuras disputas semelhantes.

Outros países acompanham atentamente

Independentemente do resultado da disputa judicial, diversos governos observam atentamente a experiência australiana. A discussão sobre limites de idade nas redes sociais vem crescendo em várias partes do mundo, especialmente diante do aumento das preocupações envolvendo saúde mental, cyberbullying, vício em telas e exposição de menores a conteúdos inadequados.

Entre os países que analisam medidas semelhantes está o Reino Unido. As autoridades britânicas já sinalizaram que estudam restrições ainda mais abrangentes, incluindo não apenas redes sociais tradicionais, mas também plataformas de jogos online e serviços de transmissão ao vivo. 

Caso iniciativas semelhantes avancem em diferentes países, é possível que as empresas de tecnologia precisem desenvolver padrões globais mais rigorosos para verificação de idade, criando procedimentos mais uniformes para proteger crianças e adolescentes em diferentes mercados.

Lições a aprender com esse contexto da Austrália

A iniciativa australiana é algo que evidencia que legislações voltadas à proteção de crianças e adolescentes precisam ser acompanhadas de mecanismos de fiscalização que sejam eficientes. 

Dessa maneira, criar uma regra é apenas o primeiro passo. Sem instrumentos capazes de verificar seu cumprimento, a tendência é que as plataformas encontrem dificuldades para impedir fraudes ou adotar controles realmente eficazes.

Fiscalização é tão importante quanto a legislação

Outro aprendizado importante envolve a responsabilidade compartilhada. Em outras palavras, embora empresas de tecnologia tenham papel central na implementação dos controles, famílias, escolas e governos também precisam atuar na educação digital de crianças e adolescentes, promovendo o uso consciente da internet. Sendo assim, o diálogo entre responsáveis e jovens complementa as medidas adotadas pelas plataformas.

Responsabilidade deve ser compartilhada

Juntamente com isso, o caso australiano demonstra que o debate sobre proteção de menores nas redes sociais está longe de terminar. Nesse sentido, questões relacionadas à privacidade, liberdade de expressão, segurança digital e verificação de identidade continuarão sendo discutidas em diversos países durante os próximos anos.

Debate continuará nos próximos anos

Por fim, a Austrália reforça uma tendência global: governos estão cada vez mais dispostos a responsabilizar financeiramente grandes plataformas quando elas deixam de cumprir regras voltadas à proteção dos usuários mais jovens. 

Logo, se essa estratégia produzir os resultados esperados, poderá servir de referência para outras nações interessadas em fortalecer sua legislação digital. Com isso, irá estimular normas mais rigorosas e maior compromisso das empresas com a segurança de crianças e adolescentes.

Então, quer saber mais notícias, análises e atualizações sobre a Austrália e os principais acontecimentos envolvendo tecnologia, legislação e segurança digital? Portanto, continue acompanhando nossos conteúdos.

*com uso de inteligência artificial

Artigos recentes