iFood acusa 99Food e Keeta de possível concorrência desleal

O iFood voltou ao centro do debate sobre concorrência após fazer uma representação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra 99Food e Keeta. Em outras palavras, a empresa afirma que as rivais adotam estratégias comerciais excessivamente agressivas, sustentadas por forte capacidade financeira, o que poderia afetar a livre concorrência. 

Nesse sentido, o caso que envolve iFood, 99Food e Keeta é responsável por reacender as discussões sobre o mercado brasileiro de delivery, que vive intensa disputa entre plataformas por consumidores, restaurantes e entregadores. Descontos, incentivos e benefícios competitivos impulsionam tal contexto.

A acusação do iFood contra 99Food e Keeta de possível concorrência desleal

Recentemente, o iFood apresentou uma representação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica solicitando um acompanhamento mais rigoroso das operações da 99Food e da Keeta no mercado brasileiro de entregas. Nesse sentido, a empresa afirma que existem elementos suficientes para justificar uma análise mais aprofundada sobre a forma como as duas plataformas vêm conduzindo sua expansão no país.

De acordo com o documento encaminhado ao órgão responsável pela defesa da concorrência, uma das principais preocupações está relacionada à capacidade financeira das concorrentes para manter campanhas de preços reduzidos durante um período prolongado. 

Na visão do iFood, esse aspecto permitiria que ambas absorvessem prejuízos significativos sem comprometer suas operações. Isso é algo que concorrentes com estruturas financeiras diferentes teriam dificuldade para fazer.

O foco está nas estratégias comerciais

O pedido destaca que promoções constantes, descontos elevados e subsídios direcionados tanto aos consumidores quanto aos restaurantes podem representar uma estratégia para acelerar a conquista de participação de mercado.

Embora promoções sejam comuns em diversos segmentos, o iFood argumenta que existe a possibilidade de essas práticas ultrapassarem o limite da competição considerada saudável caso sejam financiadas indefinidamente por recursos externos.

O Cade analisará o caso

A representação foi protocolada na segunda-feira (29), cabendo agora ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica avaliar os argumentos apresentados. O órgão poderá solicitar informações adicionais às empresas envolvidas, analisar documentos financeiros, políticas comerciais e outros dados considerados relevantes antes de decidir se existe fundamento para uma investigação mais ampla.

Por fim, vale destacar que o simples protocolo da representação não significa que tenha sido constatada qualquer irregularidade. Sendo assim, trata-se apenas do início de um procedimento de análise.

O iFood está acusando 99Food e Keeta de possível concorrência desleal.
O iFood está acusando 99Food e Keeta de possível concorrência desleal. | Foto: DALL-E 3

Mais detalhes dessa acusação do iFood

O pedido que o iFood apresentou concentra boa parte de seus argumentos na estrutura financeira das controladoras das plataformas concorrentes. A 99Food pertence à DiDi, gigante chinesa da mobilidade urbana. Enquanto isso, a Keeta faz parte da Meituan, uma das maiores empresas de tecnologia voltadas ao setor de entregas da China. 

Segundo o documento, ambas possuem capacidade financeira suficiente para sustentar operações deficitárias durante um longo período, caso isso seja considerado estratégico para conquistar novos mercados.

O papel das empresas controladoras

Na avaliação apresentada ao Cade, essa robustez financeira permitiria que as plataformas operassem com margens negativas temporariamente. Com isso, tal aspecto seria responsável por possibilitar descontos que empresas locais teriam dificuldade para acompanhar.

O iFood sustenta que esse tipo de estratégia poderia criar um ambiente competitivo desequilibrado. Isso ocorreria principalmente se os prejuízos forem tratados como investimentos de longo prazo para eliminar concorrentes e consolidar posição dominante futuramente.

Referências à política de internacionalização chinesa

Paralelamente, outro ponto citado na representação envolve políticas de incentivo à internacionalização de empresas chinesas. O documento menciona programas governamentais que incentivam a expansão internacional de companhias de tecnologia, incluindo iniciativas ligadas à chamada Nova Rota da Seda. 

Segundo a argumentação apresentada, esse contexto poderia favorecer investimentos expressivos na conquista de mercados estrangeiros. Além disso, a petição faz referência a estudos, análises financeiras e relatórios de mercado que apontariam perdas bilionárias registradas pelas empresas em processos recentes de expansão internacional.

Exemplos que o iFood utilizou

Como parte de sua fundamentação, o iFood afirma que estratégias semelhantes já teriam sido observadas em outros mercados. O documento cita situações envolvendo países como por exemplo Hong Kong, Catar e Kuwait, onde, de acordo com a empresa, concorrentes locais perderam espaço após a entrada de plataformas apoiadas por elevados investimentos financeiros.

Com base nesses exemplos, o iFood solicita que o Cade realize uma análise detalhada sobre preços praticados, custos operacionais, políticas de subsídios e demais estratégias comerciais utilizadas pela 99Food e pela Keeta no Brasil para verificar se existe algum indício de prática anticoncorrencial.

Possíveis desdobramentos dessa acusação do iFood

Ainda é cedo para prever qual será o resultado da análise realizada pelo Cade. Entretanto, o caso poderá gerar diferentes consequências para o mercado de delivery brasileiro. Sendo assim, a decisão final poderá influenciar não apenas as empresas diretamente envolvidas, mas também a forma como futuras disputas concorrenciais serão avaliadas no setor de tecnologia e plataformas digitais.

O Cade poderá aprofundar a investigação

Caso entenda que existem elementos suficientes, o órgão poderá abrir um procedimento mais amplo para coleta de informações junto às empresas envolvidas. Essa etapa pode incluir pedidos de documentos, demonstrações financeiras, contratos, políticas de precificação e outros materiais que auxiliem na avaliação da dinâmica concorrencial do setor. 

Adicionalmente, também poderão ser ouvidos representantes das empresas, especialistas e agentes do mercado. Isso permitirá uma análise mais detalhada sobre os impactos das estratégias comerciais adotadas pelas plataformas.

Não há conclusão prévia

Da mesma maneira, é possível que, após analisar todas as informações disponíveis, o Cade conclua que não existem indícios suficientes para caracterizar qualquer prática anticoncorrencial. 

Nesse caso, é possível que se arquive o processo sem aplicação de medidas adicionais. Porém, isso não significa que o debate sobre concorrência no setor será encerrado, já que o crescimento do mercado tende a atrair novas discussões regulatórias.

Impactos para consumidores e restaurantes

Independentemente do desfecho, o caso já desperta atenção de consumidores, restaurantes parceiros e entregadores. Caso ocorram mudanças nas estratégias comerciais das plataformas, promoções, taxas cobradas dos estabelecimentos e incentivos financeiros poderão sofrer alterações ao longo do tempo. 

Além disso, a decisão poderá estabelecer parâmetros importantes para futuras disputas concorrenciais envolvendo empresas de tecnologia que atuam no Brasil. Ou seja, servirá como referência para casos semelhantes nos próximos anos.

Outros conflitos parecidos com o que envolve iFood, 99Food e Keeta podem acontecer no futuro?

A tendência é que disputas semelhantes se tornem cada vez mais frequentes. Isso se deve ao fato de que o mercado digital costuma ser marcado por forte competição, especialmente em setores que dependem da formação rápida de uma ampla base de usuários. 

Sendo assim, à medida que novas empresas entram no segmento, cresce também a utilização de estratégias comerciais agressivas para conquistar espaço e fidelizar consumidores em um curto período de tempo.

Grandes empresas costumam investir pesado

É relativamente comum que plataformas digitais invistam grandes quantias em campanhas promocionais durante sua fase inicial de expansão. Isso ocorre porque conquistar consumidores logo nos primeiros anos pode representar vantagem estratégica importante para consolidar uma marca e fortalecer efeitos de rede, bastante comuns em aplicativos. 

Juntamente com os descontos, essas empresas frequentemente oferecem incentivos financeiros para restaurantes parceiros e entregadores. Nesse sentido, buscam ampliar rapidamente sua presença no mercado e dificultar a entrada de novos concorrentes.

O desafio da regulação

Ao mesmo tempo, órgãos reguladores precisam encontrar um equilíbrio delicado. Por um lado, é desejável que exista concorrência suficiente para beneficiar consumidores por meio de melhores preços, maior inovação e serviços mais eficientes. 

Já por outro, práticas que eventualmente eliminem concorrentes por meio de subsídios considerados excessivos também podem gerar preocupações concorrenciais, principalmente se reduzirem a diversidade de empresas atuando no mercado no longo prazo. 

Logo, o resultado desse tipo de discussão poderá influenciar futuras decisões regulatórias e servir como referência para outros mercados digitais que enfrentem desafios semelhantes de competição.

Lições a aprender com essa circunstância que envolve iFood, 99Food e Keeta

Independentemente da decisão que será tomada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o episódio oferece importantes reflexões sobre o funcionamento dos mercados digitais.

Crescimento e competição caminham juntos

A primeira delas é que o crescimento acelerado e também a competição intensa costumam ser responsáveis por caminhar juntos quando novas empresas entram em setores que são altamente concentrados.

O papel dos órgãos reguladores

Em paralelo, outra lição importante é que órgãos reguladores exercem papel fundamental para garantir que a concorrência ocorra dentro das regras previstas na legislação brasileira, protegendo tanto empresas quanto consumidores.

Transparência nas estratégias comerciais

Do mesmo modo, também fica evidente que grandes plataformas globais possuem capacidade financeira muito superior à de diversos concorrentes locais. Isso torna essencial que suas estratégias comerciais sejam acompanhadas de forma transparente quando surgirem questionamentos sobre possíveis impactos concorrenciais.

Investigações não significam condenação

Por fim, o caso reforça que investigações conduzidas por autoridades especializadas não representam condenações antecipadas. Elas fazem parte do funcionamento normal dos mecanismos de fiscalização econômica e servem justamente para verificar se determinada conduta está ou não em conformidade com a legislação vigente.

Resumindo, o mercado continuará acompanhando atentamente os próximos passos desse processo, já que sua conclusão poderá influenciar futuras estratégias comerciais das plataformas de delivery e estabelecer precedentes relevantes para todo o setor de tecnologia no Brasil

Logo, se você deseja saber todas as novidades envolvendo o iFood, continue acompanhando nossas atualizações sobre o tema!

*com uso de inteligência artificial

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