Criptomoedas: mercado brasileiro encolhe com saída de corretoras

O mercado brasileiro de criptomoedas passa por mudanças após a saída de corretoras que não solicitaram autorização ao Banco Central. Com o fim do prazo regulatório, o setor caminha para maior concentração, enquanto empresas que atendem às novas exigências buscam manter suas operações. Já outras plataformas anunciaram encerramentos, transferências de clientes e mudanças nos serviços disponíveis aos investidores brasileiros.

O contexto de encolhimento do mercado brasileiro de criptomoedas com a saída de corretoras

Vale ressaltar que o prazo para que corretoras de criptomoedas que já operavam no Brasil solicitassem autorização ao Banco Central terminou na sexta-feira, 30 de outubro. Sendo assim, o encerramento representa um marco para o setor, que deve registrar uma redução significativa no número de plataformas disponíveis aos investidores.

Até o momento, o Banco Central não divulgou uma lista oficial das empresas que protocolaram solicitações. Ou seja, as informações conhecidas foram apresentadas pelas próprias companhias em seus sites, aplicativos e canais de comunicação.

Até 75 empresas podem continuar no mercado

Nesse sentido, as estimativas iniciais indicam que até 75 empresas apresentaram pedidos para permanecer no país. Por outro lado, pelo menos 15 companhias já anunciaram a saída do mercado brasileiro ou o encerramento de determinados serviços relacionados aos ativos digitais. Os números ainda podem mudar, pois dependem da confirmação e da análise dos pedidos pelo regulador.

Análise pode levar até três anos

É importante destacar que o fim do prazo não significa que todas as empresas interessadas já receberam autorização definitiva. O processo de avaliação pode levar aproximadamente três anos, considerando os períodos máximos previstos para as diferentes etapas.

As companhias que protocolaram suas solicitações dentro do prazo podem continuar operando enquanto aguardam a decisão do Banco Central, desde que respeitem as condições estabelecidas pela regulamentação.

Mercado passa por mudanças

O resultado é um ambiente mais restrito, com tendência de concentração das operações em empresas capazes de atender às novas exigências. Para os consumidores, a mudança exige atenção especial. Investidores que mantêm dinheiro ou criptomoedas em plataformas afetadas devem acompanhar os comunicados oficiais e verificar possíveis alterações nos serviços disponíveis.

O mercado brasileiro de criptomoedas encolheu após a saída de algumas corretoras de criptomoedas.
O mercado brasileiro de criptomoedas encolheu após a saída de algumas corretoras de criptomoedas. | Foto: DALL-E 3

Quais corretoras continuam no mercado brasileiro de criptomoedas?

Embora ainda não exista uma lista pública completa das empresas que solicitaram autorização, diversas plataformas começaram a confirmar seus movimentos antes do encerramento do prazo.

Um dos casos mais relevantes foi o da Binance, que protocolou seu pedido junto ao Banco Central em 23 de outubro, sete dias antes do fim do período estabelecido. A iniciativa confirmou o interesse em continuar atendendo ao público brasileiro. Outras plataformas internacionais também demonstraram interesse em permanecer no país, incluindo OKX, Ripio, Bybit, Coinbase, Kraken e Bitget.

Empresas brasileiras também buscam autorização

No mercado nacional, os principais nomes associados aos pedidos são Mercado Bitcoin, Foxbit, Brasil Bitcoin, Liqi e Transfero. Também aparecem empresas ligadas a stablecoins e pagamentos digitais, como Crown, Lumx, Bloquo, Nonco, Avenia e NoxPay.

Bancos seguem procedimento diferente

Instituições financeiras já autorizadas pelo Banco Central precisam realizar uma comunicação formal sobre o interesse em atuar com ativos virtuais, em vez de apresentar um pedido completo como as corretoras independentes. Entre os bancos envolvidos estão Itaú, Bradesco, Nubank, Inter, BTG Pactual e Banco BS2. A B3 também manifestou interesse nesse segmento.

Principais empresas interessadas em permanecer

Vale ressaltar que, entre os nomes associados à continuidade das atividades estão Binance, Coinbase, OKX, Bybit, Kraken, Bitget, Ripio e Coins.xyz, dentro do grupo internacional. No mercado brasileiro aparecem Mercado Bitcoin, Foxbit, Brasil Bitcoin, Transfero, Liqi e Onda Finance. Já no segmento de stablecoins e pagamentos estão Crown, Lumx, Bloquo, Nonco, Avenia, NoxPay e TCR.

Por fim, é importante destacar que apresentar um pedido não garante aprovação. Em outras palavras, todas as empresas precisam comprovar o cumprimento das exigências regulatórias no intuito de obter autorização definitiva do Banco Central.

Lista de corretoras que deixaram o mercado brasileiro de criptomoedas

Ao mesmo tempo em que algumas empresas decidiram permanecer no Brasil, outras optaram por sair diante dos custos e das exigências regulatórias. Parte delas estabeleceu parcerias para facilitar a migração dos usuários.

Um exemplo é a mexicana Bitso, que encerrou o atendimento ao público pessoa física e transferiu clientes para o Mercado Bitcoin, mantendo sua atuação institucional. A Bitypreço, que informava possuir 850 mil usuários, também desistiu da autorização e ofereceu migração para o Mercado Bitcoin e a Bipa. 

Paralelamente, Digitra.com e NovaDAX indicaram a Foxbit como alternativa. Do mesmo modo, Coinext, Lemon e Bitnuvem também anunciaram mudanças ou encerramento das operações.

Empresas estrangeiras também deixam o mercado

A Revolut interrompeu apenas os serviços de criptomoedas. Em adição, a Uphold e a Oobit anunciaram a saída do Brasil. Já a Crypto.com encerrou sua conta em reais, mas manteve os serviços de negociação de ativos digitais.

Prazos para saques e transferências

Vale ressaltar que os procedimentos variam conforme cada companhia:

  • Revolut: venda manual até 24/11; conversão em dólar em 25/11.
  • Bitypreço: migração até 18/11, saques até 25/11 e conversão em reais em 27/11.
  • Oobit: encerramento das contas em 29 ou 30/11.
  • Uphold: saques até 30/11; depois, conversão para USDC.
  • Bitso: fechamento das contas a partir de 31/10.
  • NovaDAX: saques até 30/10; depois, conversão em reais.
  • Coinext: conversão em reais desde 26/10 e histórico até 30/11.
  • Digitra.com: saques em reais até 19/10.
  • Crypto.com: operações em reais indisponíveis desde 25/10.
  • Lemon: contas excluídas em 16/10.

Os clientes devem consultar os comunicados oficiais para conferir os prazos e evitar problemas de acesso aos recursos.

Existem corretoras que ainda não anunciaram permanência nem saída?

Mesmo com as confirmações de permanência e dos anúncios de encerramento, algumas empresas ainda não esclareceram seus planos para o mercado brasileiro. Sendo assim, clientes de plataformas internacionais, como por exemplo KuCoin, MEXC e BingX, aguardam um posicionamento oficial sobre a continuidade dos serviços no país.

A ausência de comunicados não significa necessariamente que essas companhias estejam deixando o Brasil. Entretanto, sem informações sobre possíveis pedidos de autorização ao Banco Central, os usuários não conseguem saber se as operações continuarão normalmente ou se precisarão procurar alternativas.

Emissoras de stablecoins também estão sob atenção

Um ponto crucial é que a indefinição envolve ainda empresas responsáveis pela emissão de stablecoins, criptomoedas que procuram manter paridade com outros ativos, geralmente moedas tradicionais, como o dólar.

Tether, Circle e Paxos estão entre os nomes sem pedidos de autorização identificados até o momento. Circle e Paxos, no entanto, possuem estrutura no Brasil, o que acrescenta um elemento importante à discussão sobre a adequação dessas operações às novas regras.

Banco Central já recusou um pedido

Mais um caso relevante é o da Higherway Tech Soluções, responsável pela operação Higher Global Payments. A empresa teve seu pedido de autorização recusado pelo Banco Central, conforme decisão publicada no Diário Oficial da União em 28 de setembro.

O regulador não divulgou publicamente os motivos da negativa. Dessa maneira, o episódio demonstra que apresentar a solicitação não garante a aprovação, pois cada companhia precisa comprovar o cumprimento das exigências regulatórias.

Assim, enquanto o processo de adaptação continua, investidores devem acompanhar os comunicados das plataformas utilizadas, verificar eventuais mudanças nas condições de funcionamento e observar os prazos estabelecidos para possíveis transferências de recursos.

Possíveis impactos desse contexto do mercado brasileiro de criptomoedas

É importante destacar que a redução no número de empresas está relacionada às Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central, vigentes desde fevereiro de 2026. As normas criaram a categoria das Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV), com exigências de capital mínimo, governança e segurança.

De acordo com a ABcripto, o Brasil reunia 200 empresas antes das mudanças. Sendo assim, caso sejam confirmados 50 pedidos de autorização, a redução poderá chegar a 75%.

Clientes migram para concorrentes

O Mercado Bitcoin recebeu usuários da Bitso e da Bitypreço, além de ser indicado para clientes da Coinext. Paralelamente, a Foxbit também foi recomendada pela NovaDAX e pela Digitra.com. Empresas sem pedido de autorização terão até 30 dias após o fim do prazo de solicitação para encerrar atividades.

Prazos e cuidados para investidores

A Resolução 589 estabelece restrições, a partir de 6 de novembro, para negócios entre instituições financeiras e prestadoras não autorizadas. Dessa forma, a análise dos pedidos pode levar até 720 dias. Para proteger seus recursos, investidores devem:

  • Verificar a corretora: consulte sua situação nos canais oficiais.
  • Transferir ativos: respeite os prazos de encerramento.
  • Guardar comprovantes: preserve registros para o Imposto de Renda do ano de 2027.
  • Buscar esclarecimentos: solicite informações e considere uma carteira própria.

Em suma, diante dessas mudanças, o mercado brasileiro de criptomoedas entra em uma nova fase, que é marcada por maior supervisão, redução no número de participantes e concentração das operações em plataformas que buscam atender às exigências do Banco Central. 

De qualquer modo, para os investidores, acompanhar a situação das corretoras e respeitar os prazos de movimentação dos recursos será uma postura fundamental. Então, continue seguindo as notícias sobre criptomoedas e fique por dentro das mudanças que podem ser responsáveis por afetar seus investimentos no mercado brasileiro.

*com uso de inteligência artificial

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