Hackers ligados à Coreia do Norte ampliam suas operações com o auxílio da inteligência artificial (IA), que facilita invasões, identificação de vulnerabilidades e ataques contra empresas e instituições financeiras. Isso se deve ao fato de que a tecnologia aumenta o alcance dessas atividades criminosas e fortalece uma fonte de recursos utilizada pelo governo norte-coreano para financiar projetos militares.
A possibilidade de ampliação de ataques por hackers norte-coreanos turbinados por IA
A Coreia do Norte mantém uma estrutura organizada de profissionais especializados em operações cibernéticas. Entre eles, uma unidade de elite chamada TraderTraitor chama a atenção de especialistas pela capacidade de atacar grandes empresas. O grupo é acusado de realizar um dos maiores roubos de criptomoedas já registrados, envolvendo perdas bilionárias na Binance.
De acordo com informações atribuídas ao FBI, o coletivo estaria relacionado ao roubo de aproximadamente US$ 6,3 bilhões em ativos digitais. A dimensão da operação demonstra como essas ameaças passaram a atingir diretamente organizações que administram grandes volumes de recursos financeiros.
Estratégia prioriza grandes empresas
O TraderTraitor utiliza uma abordagem conhecida como Big Game Hunting, expressão que significa caça de grandes presas. Em vez de concentrar esforços em pequenos alvos, os integrantes procuram empresas capazes de movimentar quantias elevadas, especialmente no mercado de criptomoedas.
Depois de identificar uma organização vulnerável, os criminosos estudam sua infraestrutura e procuram brechas para interferir nos sistemas e nos procedimentos de transferência financeira.
A inteligência artificial acrescenta novas possibilidades a esse método. Ferramentas capazes de analisar grandes volumes de informações e identificar possíveis pontos de entrada podem acelerar a preparação de ataques sofisticados e ampliar a quantidade de operações realizadas.
Roubos podem financiar programas militares
Segundo Park Seong-su, pesquisador de ameaças da empresa de cibersegurança Zscaler, o objetivo do coletivo é conseguir grandes quantias em uma única operação. Para isso, seus integrantes estudam o funcionamento das organizações e tentam comprometer sistemas ou processos financeiros.
Os recursos obtidos podem representar uma fonte importante de financiamento para o governo de Kim Jong Un, inclusive para programas militares e iniciativas relacionadas ao desenvolvimento de armamentos proibidos internacionalmente.

Mais detalhes desses hackers norte-coreanos turbinados por IA
A inteligência artificial pode ser responsável por tornar as operações de grupos norte-coreanos mais rápidas e acessíveis. Ferramentas que automatizam tarefas e auxiliam na análise de sistemas reduzem as dificuldades para executar ataques complexos. Park Seong-su destaca que as barreiras técnicas diminuíram, enquanto a velocidade das atividades aumentou.
Entretanto, a preparação dos profissionais começou antes da popularização da IA. Há décadas, a Coreia do Norte identifica estudantes com desempenho elevado em tecnologia e oferece treinamentos especializados para integrar equipes de operações cibernéticas.
Sendo assim, entre as instituições mencionadas por desertores e especialistas está a Faculdade Moranbong, em Pyongyang. Esses ambientes contribuem para formar profissionais com conhecimentos avançados em programação, segurança digital e invasão de sistemas.
Criptomoedas representam fonte de receita
De acordo com dados da empresa de análise blockchain Chainalysis, atividades atribuídas a agentes norte-coreanos responderam por 89% das perdas relatadas em invasões desse mercado durante o período analisado.
Além de ataques digitais, profissionais ligados ao país já foram associados à utilização de fazendas de laptops nos Estados Unidos. Essas estruturas permitem trabalhar remotamente com identidades falsas, dificultando a identificação de vínculos com o governo.
Sanções aumentam importância dos roubos digitais
Os ataques cibernéticos se transformaram em uma importante fonte de receita externa para a Coreia do Norte. Isolado de boa parte do sistema financeiro internacional por sanções relacionadas aos programas nucleares e de mísseis, o país encontra dificuldades para obter recursos por meios tradicionais.
No passado, Pyongyang também recorreu ao contrabando de cigarros e à falsificação de dólares. Atualmente, os roubos de criptomoedas oferecem possibilidades de arrecadação muito maiores, complementando as relações comerciais com a China e militares com a Rússia.
Por que os hackers norte-coreanos turbinados por IA preocupam o resto do mundo?
Vale ressaltar que o avanço tecnológico representa um desafio adicional para empresas, governos e instituições que administram ativos digitais. Isso se deve ao fato de que a inteligência artificial pode ajudar criminosos a identificar vítimas, desenvolver abordagens mais eficientes e aperfeiçoar métodos de invasão, obrigando organizações a rever suas estratégias de proteção.
Nick Carlsen, investigador sênior da TRM Labs, afirma que técnicas que foram identificadas nas operações recentes do TraderTraitor indicam uma utilização ampla de inteligência artificial. Embora os detalhes das ferramentas empregadas não sejam conhecidos, os métodos observados sugerem que o grupo está incorporando novos recursos para aprimorar suas atividades.
Os valores envolvidos também demonstram essa evolução. Antes do roubo bilionário contra a Binance, um dos maiores ataques atribuídos ao grupo ocorreu na Bybit, em 2025, quando aproximadamente US$ 1,5 bilhão em criptomoedas foram levados.
Engenharia social explora funcionários de empresas
Paralelamente, outro aspecto preocupante é a combinação entre conhecimentos técnicos e engenharia social. Em vez de depender apenas de falhas em programas e equipamentos, os criminosos exploram comportamentos humanos para acessar sistemas protegidos.
Uma das estratégias consiste em identificar funcionários com privilégios elevados, que podem acessar informações confidenciais, ferramentas administrativas e operações financeiras. Segundo Carlsen, os integrantes do grupo podem abordar esses profissionais com propostas de emprego financeiramente atrativas para conquistar confiança e obter informações ou credenciais.
Segurança também depende dos funcionários
O pesquisador ressalta que a exploração do fator humano está entre as principais especialidades do grupo. Por isso, investimentos em equipamentos e programas não são suficientes.
Corretoras de criptomoedas precisam reforçar treinamentos, verificações adicionais, controles de autorização e procedimentos de segurança, especialmente para trabalhadores com acesso privilegiado às estruturas internas.
Exemplos de ataques dos hackers norte-coreanos turbinados por IA
O caso envolvendo a Binance é algo que representa um dos exemplos mais expressivos da capacidade operacional atribuída ao grupo TraderTraitor. De acordo com uma investigação inicial da empresa, um laptop comprometido de um engenheiro teria sido utilizado como ponto de entrada para a invasão.
A partir desse acesso, os criminosos conseguiram roubar US$ 6,36 bilhões em criptomoedas em aproximadamente 20 minutos. O valor representa uma parcela expressiva da produção econômica anual estimada da Coreia do Norte.
É importante destacar que a rapidez da operação demonstra como ataques bem planejados podem provocar prejuízos bilionários antes que as equipes de segurança consigam interromper todas as movimentações. Do mesmo modo, a velocidade das transações digitais também dificulta a recuperação dos recursos e aumenta os desafios para identificar os responsáveis.
Parte dos valores foi congelada
Após o episódio, aproximadamente US$ 2,8 bilhões foram congelados. Com isso, as saídas líquidas ficaram em torno de US$ 3,6 bilhões, ainda uma quantia extraordinária. O caso também evidenciou os riscos associados aos dispositivos utilizados por funcionários de setores estratégicos.
Um único equipamento comprometido pode abrir caminhos para sistemas internos e operações financeiras de grande escala. Devido a isso, o monitoramento de computadores corporativos e o controle de acessos são medidas importantes para reduzir vulnerabilidades.
Criptomoedas como instrumento estratégico
Para Lim Eul-chul, professor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade Kyungnam, os ataques contra empresas de criptomoedas ultrapassaram a dimensão dos crimes financeiros.
Segundo o especialista, essas operações ajudam a compensar a falta de acesso da Coreia do Norte a moedas estrangeiras e podem sustentar objetivos estratégicos do governo, incluindo projetos militares e atividades que enfrentam restrições internacionais.
Possíveis momentos futuros desses hackers norte-coreanos turbinados por IA
A perspectiva de expansão das operações preocupa diante do cenário internacional. Em outras palavras, enquanto os Estados Unidos concentram recursos em conflitos no Oriente Médio e na contenção da China e da Rússia, a capacidade de atuação norte-americana na Península Coreana pode ficar reduzida.
Sendo assim, para Lim Eul-chul, a Coreia do Norte pode aproveitar esse contexto no intuito de acelerar o seu desenvolvimento militar e também de ampliar os seus investimentos em defesa.
Ataques cibernéticos podem financiar programas militares
Em 2024, especialistas das Nações Unidas apontaram que roubos digitais e outras atividades financeiras ilícitas poderiam financiar aproximadamente 40% dos programas norte-coreanos de armas de destruição em massa.
Adam Farrar, ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos para assuntos relacionados à Coreia, avalia que os recursos obtidos com criptomoedas também podem sustentar investimentos militares mais amplos. Juntamente com armas nucleares e mísseis balísticos, o dinheiro pode financiar novos navios de guerra e tecnologias relacionadas a drones.
Modernização militar preocupa a Coreia do Sul
Vale ressaltar que a presença de aproximadamente 28,5 mil soldados norte-americanos na península demonstra a importância estratégica da região. Embora a Coreia do Norte ainda apresente desvantagens militares em relação à vizinha, a continuidade dos investimentos pode reduzir essa distância.
Nesse cenário, a inteligência artificial não apenas aprimora ataques digitais, mas também fortalece uma estrutura de arrecadação que sustenta objetivos militares e políticos de Pyongyang, aumentando os desafios internacionais de segurança cibernética.
Em suma, diante da evolução dessas operações, acompanhar a atuação dos hackers norte-coreanos e os efeitos da inteligência artificial tornou-se fundamental para compreender os novos riscos digitais e suas consequências geopolíticas. Portanto, continue acompanhando as notícias sobre isso e descubra como a tecnologia está transformando as ameaças à segurança internacional.
*com uso de inteligência artificial

