A Holanda está desenvolvendo e testando uma alternativa de código aberto ao Windows e ao Microsoft 365 para computadores utilizados pelo governo. Nesse sentido, a proposta faz parte de um projeto voltado à criação de um ambiente digital mais controlado pelo setor público, tendo o Linux como uma das bases tecnológicas.
O desejo da Holanda de substituir Windows por Linux
O governo holandês está trabalhando em uma alternativa própria para substituir, futuramente, ferramentas como o Windows e o Microsoft 365 em computadores utilizados por órgãos públicos. Em outras palavras, o projeto recebeu o nome de Ambiente de Trabalho Digital Autônomo do Governo, conhecido pela sigla DAWO, e utiliza a distribuição NixOS como base.
Vale ressaltar que a iniciativa não consiste apenas em instalar uma distribuição Linux nos computadores governamentais. A proposta envolve a criação de um ambiente de trabalho completo, reunindo diferentes recursos necessários para o funcionamento das equipes do setor público.
Entre os elementos previstos estão ferramentas de escritório, colaboração, armazenamento em nuvem, gerenciamento de dispositivos e outros recursos voltados à administração dos computadores. Dessa forma, a intenção é criar uma estrutura integrada que possa atender às necessidades dos órgãos públicos.
Os primeiros testes já começaram em pequena escala. De acordo com informações da mídia holandesa, oito municípios participam de uma avaliação coordenada pela Associação de Municípios Holandeses (VNG).
Apesar do início dos testes, ainda não existe um cronograma oficial para a substituição definitiva do Windows ou do Microsoft 365. O projeto está em uma fase de avaliação, na qual os responsáveis precisam verificar se a alternativa consegue atender às demandas do setor público.

Mais detalhes desse desejo da Holanda
É importante destacar que o projeto começou a ganhar forma nos bastidores e recebeu uma missão oficial do governo holandês em julho. A determinação envolve a criação de um ambiente de trabalho padronizado que ofereça ao setor público maior controle sobre sistemas, aplicativos, armazenamento, backups e ferramentas utilizadas pelas equipes de tecnologia.
Por que houve a escolha do NixOS?
O NixOS foi escolhido como base para o DAWO. Uma de suas características é permitir que configurações de software sejam definidas e padronizadas, algo que pode facilitar a implantação de um mesmo ambiente em diferentes computadores.
Tal possibilidade de padronização pode ser importante para uma estrutura governamental, já que diferentes órgãos precisam utilizar sistemas e ferramentas de uma maneira consistente. Em vez de depender de configurações individuais, o projeto busca estabelecer uma base comum para os equipamentos.
DAWO vai além da troca do sistema operacional
No entanto, a iniciativa não significa simplesmente trocar o Windows pelo Linux. O objetivo é desenvolver um conjunto mais amplo de serviços para o trabalho diário dos funcionários públicos.
A proposta inclui aplicativos de colaboração e ferramentas de administração, além de recursos relacionados ao armazenamento e ao gerenciamento dos dispositivos. Também existe uma preocupação com a adaptação dos profissionais que já estão acostumados a utilizar computadores baseados no Windows.
Testes avaliam a transição
Os testes servem justamente para avaliar esse processo de transição. A novidade já foi executada, inclusive, em notebooks antigos que não estavam mais sendo utilizados. Dessa forma, os responsáveis podem verificar o funcionamento do sistema em equipamentos que já fazem parte da estrutura disponível.
Espera-se a primeira versão estável para 2027
Ainda não houve divulgação de um calendário formal de implementação. Sendo assim, a expectativa dos desenvolvedores é que a primeira versão estável do DAWO esteja disponível em algum momento de 2027, mas não existe um compromisso com um mês específico.
Com isso, até lá, os testes devem ajudar a identificar eventuais problemas de compatibilidade, além das necessidades de treinamento dos funcionários. A capacidade de executar aplicações utilizadas pelos órgãos públicos também será um fator importante para determinar a possibilidade de uma adoção mais ampla.
Integração com serviços da Microsoft
Mais um ponto envolve serviços que atualmente estão integrados ao ecossistema da Microsoft. Para uma substituição mais abrangente, será necessário encontrar alternativas capazes de desempenhar funções semelhantes e garantir que as equipes continuem trabalhando sem grandes interrupções.
O que motiva esse desejo da Holanda?
A iniciativa está relacionada ao debate sobre soberania digital na Europa. O conceito envolve, entre outros aspectos, a busca por maior controle sobre tecnologias, sistemas e serviços considerados importantes para o funcionamento de governos e instituições públicas.
Em tal contexto, reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros pode ser visto como uma forma de ampliar o controle sobre a infraestrutura digital. No caso da Holanda, essa discussão ganhou força após as sanções dos Estados Unidos contra integrantes do Tribunal Penal Internacional (TPI), que tem sede em Haia.
O episódio chamoua atenção para a possibilidade de serviços considerados essenciais ficarem sujeitos a decisões tomadas por governos de outros países. A situação contribuiu para ampliar o debate sobre a dependência de empresas estrangeiras no fornecimento de ferramentas tecnológicas utilizadas por instituições públicas.
Com isso, o próprio TPI já decidiu substituir ferramentas da Microsoft por alternativas de código aberto em parte de sua infraestrutura. Ou seja, o movimento demonstra que a discussão não está restrita aos computadores utilizados pela administração holandesa.
Outros países também buscam alternativas
A Holanda não é o único país europeu discutindo maneiras de reduzir a dependência de soluções proprietárias. Isso se deve ao fato de que a Dinamarca anunciou a troca do Windows e do Microsoft 365 por Linux e LibreOffice em parte da administração pública.
Paralelamente, a França também é uma nação que avança na adoção de Linux em computadores públicos. Já a Suíça iniciou um programa piloto com 3 mil funcionários para testar uma alternativa aberta ao Microsoft 365.
Em conjunto a isso, o Euro-Office, uma suíte de aplicativos de código aberto, ganhou um aplicativo para desktop. Ou seja, a movimentação mostra que alternativas ao ecossistema da Microsoft vêm sendo consideradas em diferentes partes da Europa.
Apesar das iniciativas semelhantes, cada país possui necessidades próprias, e a adoção de soluções de código aberto depende de fatores como compatibilidade, treinamento, infraestrutura existente e disponibilidade de ferramentas capazes de atender às atividades realizadas pelos funcionários públicos.
É possível que outros países se inspirem nesse desejo da Holanda?
O projeto holandês é algo que pode servir de referência para governos que avaliam alternativas ao Windows e ao Microsoft 365. Nesse sentido, iniciativas semelhantes em outros países europeus mostram que a discussão sobre independência tecnológica está presente nas administrações.
Um destaque é a proposta de desenvolver um ambiente completo, em vez de simplesmente trocar um sistema operacional. O DAWO busca reunir sistema, aplicativos, colaboração, armazenamento e gerenciamento em uma estrutura única.
Esse modelo pode interessar a governos que pretendem reduzir a dependência de fornecedores. Porém, a experiência holandesa ainda está em testes, e os resultados serão importantes para avaliar a viabilidade de uma implantação ampla.
A compatibilidade com softwares utilizados será um dos desafios. Muitos órgãos públicos dependem de aplicações específicas, e uma mudança de plataforma precisa garantir que essas ferramentas continuem funcionando ou tenham substitutos adequados.
O treinamento dos funcionários também pode influenciar o processo. Uma mudança de ambiente exige adaptação, especialmente quando os profissionais estão acostumados com interfaces e ferramentas. Assim, a experiência da Holanda poderá fornecer informações sobre benefícios e dificuldades de uma migração para uma estrutura baseada em código aberto.
Lições a aprender com esse desejo da Holanda
Um aspecto fundamental é que a experiência holandesa mostra que uma mudança tecnológica em órgãos públicos envolve mais do que escolher um sistema operacional. É necessário considerar a estrutura usada diariamente e garantir que os serviços funcionem de maneira integrada.
Padronização pode facilitar a administração
A utilização do NixOS como base do DAWO destaca a importância da padronização. Em uma estrutura com muitos computadores e órgãos, estabelecer configurações comuns pode facilitar o gerenciamento de equipamentos e softwares, além de reduzir diferenças entre máquinas.
A transição exige testes
Mais um ponto importante é realizar testes antes de uma implementação em larga escala. A Holanda começou com uma avaliação envolvendo oito municípios, permitindo identificar problemas antes de uma possível expansão. Paralelamente, a estratégia também ajuda a verificar como os funcionários se adaptam ao novo ambiente e quais aplicações apresentam dificuldades de funcionamento.
Código aberto não significa apenas trocar o sistema operacional
O projeto reforça que uma estratégia baseada em código aberto precisa considerar todo o ecossistema digital. A substituição do Windows não resolve questões relacionadas a ferramentas de escritório, colaboração, armazenamento e administração. No caso do DAWO, a proposta é desenvolver uma estrutura mais ampla. Sendo assim, a primeira versão estável é esperada para 2027, mas ainda não há data específica definida.
Em suma, a iniciativa mostra como governos europeus estão avaliando alternativas de código aberto diante do debate sobre soberania digital e dependência tecnológica. Para a Holanda, o DAWO ainda representa um projeto em desenvolvimento, e seus próximos testes serão fundamentais para determinar até onde essa proposta poderá avançar.
Logo, continue acompanhando as principais novidades sobre tecnologia e descubra os próximos passos da Holanda nessa possível mudança para Linux, além dos impactos dessa decisão para governos, empresas e usuários.
*com uso de inteligência artificial

