Nos últimos meses, uma dúvida tem ganhado espaço nas discussões políticas, energéticas e até mesmo no dia a dia dos cidadãos brasileiros: será que o horário de verão vai voltar em 2025?
Essa questão desperta curiosidade, já que a medida, suspensa desde o ano de 2019, sempre dividiu opiniões. De um lado, há os que defendem os benefícios para o consumo de energia e até para o bem-estar. De outro, há especialistas que destacam que o contexto atual da matriz energética brasileira e os novos padrões de consumo já não justificariam o retorno.
Assim, neste artigo, iremos explicar se o horário de verão retornará em 2025 e também listar quais eram os impactos dele. Em conjunto a isso, exploraremos como o mesmo funcionava, bem como discutiremos se é possível que o contexto desta medida mude no futuro. Por fim, iremos listar algumas lições que podem ser aprendidas com a situação dela.
O horário de verão retornará em 2025?
Recentemente, surgiram dúvidas sobre uma possível volta do horário de verão ainda este ano. Nesse sentido, o Ministério de Minas e Energia (MME) tem afirmado que a medida está “permanentemente em avaliação”, mas os sinais atuais indicam que não será em 2025 que os relógios dos brasileiros voltarão a ser adiantados em uma hora.
De acordo com informações divulgadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as condições do sistema estão estáveis.
Sendo assim, o MME destacou que os reservatórios das hidrelétricas evoluem dentro da normalidade, mesmo durante o período seco. Ou seja, isso é algo que garante o suprimento de energia sem necessidade de medidas adicionais até o mês de fevereiro de 2026.
Contexto energético atual
Nos anos de adoção do em que o horário de verão foi adotado, seu principal objetivo era reduzir o pico de consumo no início da noite. Em outras palavras, isso ajudava a aliviar a rede elétrica em momentos de maior pressão.
Apesar disso, atualmente o pico de demanda ocorre no período da tarde, impulsionado pelo uso intensivo de ar-condicionado e equipamentos de refrigeração. Essa mudança altera completamente a lógica que antes justificava a medida.
Declarações do governo
Em uma reunião recente do CMSE, o MME reforçou que, mesmo que o tema seja revisitado de maneira periódica, a necessidade de retomar o horário de verão é hoje considerada baixa. Para especialistas do setor, o sistema elétrico brasileiro está robusto o suficiente para enfrentar os períodos críticos sem ter que recorrer à medida.
Quais eram os impactos do horário de verão?
O horário de verão foi oficialmente suspenso no ano de 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro. Em tal sentido, a decisão teve base em estudos que mostraram que a política havia deixado de gerar ganhos significativos para o setor elétrico.
Mudança no perfil de consumo
No passado, o adiantamento dos relógios ajudava a reduzir o consumo no início da noite, quando as pessoas chegavam em casa e ligavam luzes e aparelhos eletrônicos. Porém, com a popularização de aparelhos de refrigeração e a expansão do uso de ar-condicionado, especialmente nas regiões mais quentes, o pico de consumo de energia migrou para a parte da tarde. Assim, a medida perdeu sua principal função.
Benefícios percebidos no passado
No entanto, não se pode ignorar que, por décadas, o horário de verão trouxe benefícios tanto econômicos quanto sociais. Entre eles, podemos citar:
- Economia de energia: antes da mudança no perfil de consumo, estimava-se uma redução de até 4,5% na demanda no horário de pico;
- Alívio do sistema elétrico: o escalonamento da demanda reduzia a necessidade de acionar usinas termelétricas, mais caras e poluentes;
- Aproveitamento da luz natural: muitas pessoas relatavam maior bem-estar ao sair do trabalho com ainda algumas horas de sol.
Críticas à medida
Por outro lado, diversos estudos também apontaram que o horário de verão era responsável por afetar negativamente o sono e a saúde de parte da população. Dessa forma, registraram-se distúrbios no ritmo biológico, aumento de casos de estresse e até mesmo impactos em acidentes de trânsito. Ou seja, esses pontos contribuíram para a decisão de suspender a medida.

Como funcionava o horário de verão?
O horário de verão no Brasil foi instituído com o objetivo de reduzir o consumo de energia elétrica, aproveitando melhor a luz natural dos dias mais longos. Ele era regulamentado pelo Decreto nº 6.558/2008, que foi alterado em 2017.
Período de vigência
Estabelecia que os relógios fossem adiantados em uma hora a partir do primeiro domingo de novembro, com término no terceiro domingo de fevereiro. Quando coincidiam com o Carnaval, as datas de encerramento eram ajustadas para evitar confusões no calendário.
Abrangência geográfica
A adoção não era uniforme em todo o território nacional. Apenas os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Distrito Federal, participavam da medida. Já as regiões Norte e Nordeste ficavam de fora, uma vez que a variação da luminosidade entre as estações é pequena, o que tornava o horário de verão ineficaz para economizar energia.
Comparação internacional
No cenário internacional, o Brasil se destacava por ser um dos poucos países tropicais a aplicar a prática. Vale ressaltar que a maioria das nações próximas à Linha do Equador não adota o horário de verão, justamente porque a diferença na duração do dia ao longo do ano é mínima.
Já em países de clima temperado, como por exemplo Estados Unidos, Canadá, México, Chile e Paraguai, a medida ainda é bastante comum, pois a variação de luz entre verão e inverno é significativa.
Ou seja, esse histórico mostra como o horário de verão no Brasil sempre foi marcado por debates, ajustes e diferenças regionais. Com isso, reflete tanto questões energéticas quanto particularidades climáticas.
É possível que o contexto do horário de verão mude no futuro?
Ainda que hoje não haja previsão concreta para o retorno do horário de verão, a possibilidade de reabertura do debate não pode ser totalmente descartada. Isso se deve ao fato de que a medida já foi aplicada por décadas no Brasil e, diante de novos cenários, pode voltar a ser considerada como alternativa no intuito de equilibrar consumo e oferta de energia.
Avanços tecnológicos
A digitalização e a análise em tempo real do consumo permitem identificar padrões mais detalhados de demanda. Em outras palavras, caso crises energéticas mais severas ocorram ou o perfil de uso da energia sofra mudanças significativas, o governo poderá avaliar a retomada da medida como estratégia de eficiência.
Questões climáticas
Com verões mais intensos e prolongados, cresce o uso de equipamentos de refrigeração, como ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. Nesse sentido, tal aumento pode deslocar novamente os horários de pico de consumo, reacendendo a discussão sobre o papel do horário de verão como forma de aliviar pressões sobre o sistema elétrico.
Pressão social e política
Embora muitos especialistas apontem desvantagens, parte da população ainda valoriza o horário de verão, especialmente pela sensação de dias mais longos e pela possibilidade de aproveitar melhor o tempo livre.
Sendo assim, caso esse apoio se intensifique, pode surgir pressão popular e parlamentar para que o governo volte a discutir o tema. Portanto, o futuro do horário de verão é algo que permanece em aberto, estando sujeito a variáveis técnicas, climáticas e sociais.
Lições a aprender com a situação do horário de verão
O debate em torno do horário de verão é um contexto que deixa importantes aprendizados para o Brasil. Na sequência, estão os principais deles:
A importância de dados atualizados
A decisão de suspender a medida no ano de 2019 não foi aleatória. Por outro lado, teve base em pesquisas do CMSE que foram responsáveis por demonstrar a mudança no perfil de consumo. Dessa maneira, isso reforça a importância de decisões de políticas públicas embasadas em evidências.
O equilíbrio entre economia e saúde
O horário de verão mostrou que medidas energéticas podem impactar diretamente a qualidade de vida da população. Sendo assim, qualquer decisão futura deve considerar não apenas a eficiência do sistema elétrico, mas também os efeitos sociais e de saúde.
Planejamento energético de longo prazo
O caso também ressalta a necessidade de planejar o setor elétrico com foco em sustentabilidade, diversificação da matriz e redução da dependência de medidas temporárias. Isso se deve ao fato de que o fortalecimento de energias renováveis, como por exemplo solar e eólica, tende a ser mais eficaz do que ajustes pontuais nos relógios.
Em última análise, o debate sobre a volta do horário de verão em 2025 segue despertando curiosidade, mas, segundo o governo e o setor elétrico, a medida não deve retornar. O Brasil vive um cenário distinto daquele em que foi criada: o pico de consumo mudou, a matriz energética se fortaleceu e estudos apontam impactos à saúde.
Ainda assim, o tema permanece em avaliação, já que mudanças climáticas ou econômicas podem alterar a decisão no futuro. Para acompanhar possíveis novidades sobre um possível retorno do horário de verão e entender os efeitos dessa medida, continue atento às atualizações.

