iFood capta R$ 24 bi para negócios além da entrega de comida

O iFood vai destinar R$ 24 bilhões ao Brasil no ano fiscal entre abril de 2026 e março de 2027, em uma estratégia que pretende ampliar a atuação da companhia para além da entrega de comida. Nesse sentido, o valor representa um aumento de 41% em relação aos R$ 17 bilhões destinados no período anterior e reforça a aposta em novas categorias, crédito, benefícios, tecnologia e inovação.

A captação de R$ 24 bi pelo iFood para negócios além da entrega de comida

A disputa pelo mercado de delivery voltou a movimentar grandes volumes de recursos no Brasil. O iFood prepara um novo ciclo de investimentos que será anunciado durante o iFood Move 2026 e que contempla não apenas a operação tradicional de entrega de restaurantes, mas também diferentes verticais de negócios.

Novo ciclo de investimentos

Vale ressaltar que o montante de R$ 24 bilhões previsto para o ano fiscal que vai de abril de 2026 a março de 2027 representa um crescimento de 41% sobre os R$ 17 bilhões aplicados no exercício anterior. A decisão ocorre depois de um período de expansão da companhia e indica que a estratégia será direcionada principalmente para ampliar a presença em áreas além do delivery de refeições.

No exercício encerrado em março, o iFood registrou receita líquida de R$ 10,1 bilhões, crescimento de 29%. Paralelamente, no mesmo período, a companhia movimentou R$ 150 bilhões e alcançou EBITDA de R$ 2,2 bilhões.

Foco na expansão

Dessa forma, parte dos resultados obtidos será direcionada para uma estratégia de crescimento de longo prazo. Segundo Diego Barreto, CEO do iFood, a prioridade atual da companhia está na expansão dos negócios, e não na busca imediata por rentabilidade.

A estratégia também está relacionada à transformação da composição da empresa. Nos dias atuais, aproximadamente 30% do resultado do iFood já é proveniente de verticais que não estão diretamente ligadas à entrega de comida. Sendo assim, a expectativa apresentada pela companhia é que essa participação alcance 50% em até dois anos.

Recentemente, o iFood captou 24 bilhões de reais para negócios além da entrega de comida.
Recentemente, o iFood captou 24 bilhões de reais para negócios além da entrega de comida. | Foto: DALL-E 3

Setores que o iFood planeja investir esses R$ 24 bi

Os R$ 24 bilhões previstos para o novo ciclo serão distribuídos entre diversas áreas da companhia. Nesse sentido, a estratégia envolve fortalecer categorias presentes na plataforma e ampliar investimentos em segmentos com potencial de crescimento.

Restaurantes, supermercados e farmácias

De acordo com Diego Barreto, R$ 10 bilhões serão direcionados às verticais do iFood. É importante destacar que o grupo inclui restaurantes, supermercados e farmácias, além de categorias como por exemplo pet shop, bebidas, conveniência.

Sendo assim, a companhia projeta uma expansão de 60% nos supermercados e de 70% nas farmácias. No setor de restaurantes, duas iniciativas aparecem entre as apostas do iFood. O Hits concentra refeições de menor preço e entrega gratuita, enquanto o Turbo trabalha com entregas em até 20 minutos.

Com isso, a modalidade Turbo avança para outras grandes cidades, ampliando o alcance da proposta de entrega ultrarrápida. Atualmente, o iFood conecta 65 milhões de consumidores a 500 mil estabelecimentos em 2.800 cidades.

Crédito e serviços financeiros

Mais um segmento que receberá investimentos é o iFood Pago, fintech da companhia. Isso se deve ao fato de que serão R$ 5 bilhões destinados principalmente à concessão de crédito. Segundo Barreto, cerca de 10% dos restaurantes da base utilizam os serviços financeiros. A empresa identifica espaço para ampliar essa utilização entre os parceiros.

Paralelamente, a estratégia também avança para o crédito destinado a pessoas físicas. Em outras palavras, a companhia estuda alternativas para financiar compras de maior valor. A partir de outubro, o iFood deve iniciar testes de um cartão de crédito voltado a consumidores com recorrência na plataforma. Desse modo, a expectativa é que o produto possa ganhar escala a partir de 2027.

Benefícios, tecnologia e inteligência artificial

O iFood Benefícios também está entre as áreas contempladas. A operação receberá R$ 1 bilhão adicional e, de acordo com a companhia, apresenta crescimento próximo de 100% ao ano.

Logo, a meta é ampliar a presença da empresa além do modelo tradicional de pedidos e entregas. Tecnologia e inovação terão mais de R$ 2 bilhões. Os recursos incluem investimentos em inteligência artificial, reforçando o papel da tecnologia na expansão dos serviços.

Motivações que explicam esse movimento do iFood

O crescimento das novas verticais está entre os principais fatores que explicam o aumento dos investimentos. Segundo Diego Barreto, os negócios que ficam além do delivery de restaurantes apresentam taxas de crescimento entre 60% e 110%.

Há aproximadamente três anos, essas atividades tinham uma participação pequena nos resultados da companhia. Atualmente, elas já respondem por cerca de 30% do resultado, e a projeção é que cheguem a 50% em até dois anos.

A transformação do modelo de negócios

Vale ressaltar que a expansão das novas categorias representa uma mudança na composição do iFood. A companhia, que foi construída principalmente em torno da entrega de refeições, passa a buscar crescimento também em áreas como crédito, benefícios, supermercados, farmácias e outras categorias de conveniência.

Dessa maneira, a estratégia apresentada pelo CEO é transformar o iFood em um ecossistema de conveniência e ultraconveniência. Nesse modelo, o consumidor não utiliza a plataforma apenas para pedir comida, mas também para atender diferentes necessidades de consumo. O crescimento dessas novas verticais pode, portanto, reduzir gradualmente a dependência da operação de restaurantes na composição dos resultados da empresa.

A disputa pelo mercado de delivery

Paralelamente, o aumento dos investimentos também acontece em um cenário de maior disputa no mercado. A entrada de concorrentes elevou a utilização de cupons, descontos e outros incentivos destinados a conquistar consumidores e restaurantes.

O iFood também precisou ampliar o uso desses mecanismos, embora Barreto classifique a estratégia como uma ferramenta de caráter tático e passageiro. Juntamente com isso, o CEO também afirmou, sem citar empresas, que alguns concorrentes estariam adotando uma estratégia que classificou como “preço predatório”, comparando a prática ao dumping, caracterizado pela utilização de preços muito baixos com o objetivo de conquistar mercado.

Nesse cenário, a empresa pretende evitar que a disputa seja definida apenas pela quantidade de dinheiro empregada em descontos e incentivos. A aposta do iFood é combinar os recursos destinados ao mercado de delivery com investimentos em novas verticais capazes de sustentar o crescimento no longo prazo.

A importância desse movimento do iFood

O novo ciclo de investimentos representa uma mudança relevante na estratégia de expansão do iFood. Em outras palavras, os R$ 24 bilhões não serão concentrados exclusivamente no delivery de restaurantes, mas distribuídos entre diferentes operações que podem ampliar a participação de outras fontes de receita no negócio.

A transformação ocorre em um momento no qual a empresa já apresenta uma parcela significativa dos resultados originada fora da entrega de comida. No momento atual, cerca de 30% do resultado vem dessas novas verticais, e a meta é alcançar metade do negócio em até dois anos.

Da mesma forma, o movimento também mostra como uma plataforma de delivery pode utilizar sua grande base de consumidores, estabelecimentos e entregadores para desenvolver serviços complementares. 

Com 65 milhões de consumidores, 500 mil estabelecimentos e mais de 180 milhões de pedidos mensais, o iFood possui uma estrutura que pode ser utilizada para ampliar a presença em supermercados, farmácias, pet shops, bebidas, conveniência, presentes, serviços financeiros e benefícios.

Em conjunto a isso, o investimento em tecnologia e inteligência artificial indica que a companhia pretende utilizar recursos tecnológicos para acompanhar essa expansão. A diversificação pode, desse modo, ocorrer simultaneamente ao desenvolvimento de novas soluções digitais.

É possível que outras empresas se inspirem nesse movimento do iFood?

Vale ressaltar que a estratégia do iFood pode servir de referência para empresas que atuam em mercados digitais e possuem uma grande base de consumidores. A expansão para novas categorias permite aproveitar a infraestrutura existente para oferecer produtos e serviços.

Novas verticais

Um dos pontos centrais desse modelo é a diversificação. Em vez de depender de uma única atividade, a empresa desenvolve diferentes verticais, que podem apresentar ritmos de crescimento distintos.

O caso do iFood também mostra a importância de utilizar uma base consolidada para testar novas possibilidades. Restaurantes, supermercados, farmácias, crédito, benefícios e outras categorias integram a estratégia de expansão.

Limites do modelo

A replicação depende de fatores como mercado, infraestrutura, base de consumidores, capacidade tecnológica e recursos disponíveis. No caso do iFood, a companhia inicia esse novo ciclo com uma operação consolidada e a intenção de ampliar significativamente a participação das novas verticais nos resultados.

Resumindo, se a projeção apresentada por Diego Barreto se concretizar, até dois anos metade dos negócios da companhia estará relacionada a atividades que vão além da entrega de comida. O investimento de R$ 24 bilhões, portanto, faz parte de uma estratégia mais ampla de transformação do modelo de negócios e de expansão para diferentes áreas de consumo.

Então, para conferir as mudanças no mercado de tecnologia, empresas digitais e novos modelos de negócio, continue acompanhando as novidades sobre o iFood e entenda como essa estratégia de expansão pode transformar a plataforma.

*com uso de inteligência artificial

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