LinkedIn quer combater o uso de IA na plataforma. Veja!

O LinkedIn é uma das maiores redes sociais profissionais do mundo, sendo o espaço onde milhões de usuários compartilham experiências, publicam conteúdos sobre suas áreas de atuação e buscam oportunidades de carreira. 

No entanto, durante os últimos anos, com a ascensão das ferramentas de Inteligência Artificial (IA) generativa, como por exemplo ChatGPT, Bard, Copilot e outras, a plataforma vem enfrentando um novo desafio. Em tal sentido, ele consiste em uma grande quantidade de comentários, posts e interações artificiais que buscam apenas gerar engajamento. 

Sendo assim, recentemente, o LinkedIn anunciou medidas para combater o uso de IA na plataforma. Ou seja, essa é uma decisão que promete impactar diretamente a forma como o conteúdo é produzido e consumido dentro da rede.

Logo, neste conteúdo, entenderemos o contexto do LinkedIn querer combater o uso de Inteligência Artificial na plataforma e também apresentaremos as medidas que ele adotou nesse intuito. Além disso, iremos listar algumas razões que justificam essa postura, bem como refletir se ela é exclusiva da rede social corporativa. Finalmente, elencaremos as lições que podem ser aprendidas com essa situação.

O contexto do LinkedIn querer combater o uso de IA na plataforma

Nos últimos anos, as ferramentas de IA generativa se popularizaram em um ritmo muito acelerado. Em outras palavras, com alguns cliques, qualquer pessoa pode gerar textos prontos para publicações, elaborar comentários automáticos em massa, criar imagens ou até mesmo vídeos. Tal facilidade trouxe consigo um efeito colateral: as redes sociais passaram a ser inundadas por conteúdo sintético, muitas vezes genérico e sem valor real.

A febre da automação de comentários

O LinkedIn, por ser uma plataforma profissional, sempre teve uma proposta diferenciada das demais redes sociais. Isso se deve ao fato de que seu foco não é somente o entretenimento, mas sim networking, troca de experiências e discussões qualificadas. 

Apesar disso, a febre das Inteligências Artificiais acabou atingindo a rede. Nesse sentido, alguns usuários começaram a usar extensões e bots para automatizar comentários do tipo:

  • “Parabéns pelo sucesso!”;
  • “Muito interessante esse ponto de vista!”;
  • “Concordo plenamente com sua análise!”.

Desse modo, tais frases, muitas vezes sem conexão real com o conteúdo, começaram a se multiplicar nos feeds. Isso está fazendo com que discussões relevantes se perdessem em meio a interações artificiais.

Atualização discreta na documentação

Foi nesse cenário que o LinkedIn incluiu uma atualização discreta na sua documentação oficial. Na página de ajuda referente a comentários e respostas, surgiu um novo trecho afirmando que, caso seja detectada a criação excessiva de comentários ou o uso de ferramentas de automação, a rede poderá limitar a visibilidade dessas interações.

Ou seja, com essa postura o LinkedIn está oficialmente declarando guerra ao uso indiscriminado de IA e bots para inflar engajamento.

Medidas que o LinkedIn adotou no intuito de querer combater o uso de IA na plataforma

A decisão do LinkedIn não veio por acaso. Por outro lado, ela é fruto de anos de observação e de crescentes reclamações de usuários sobre a queda da qualidade do conteúdo na rede. Mas o que, na prática, muda com essa nova postura?

A nova regra na página de ajuda

O ponto central está na inclusão da seguinte observação: “Se detectarmos a criação excessiva de comentários ou o uso de uma ferramenta de automação, poderemos limitar a visibilidade desses comentários.”. Essa frase é suficiente para abrir espaço para ações concretas da rede contra práticas abusivas.

Duas frentes de combate principais

Na prática, essa regra tem como alvo dois problemas centrais:

1. Bots e ferramentas de Inteligência Artificial

Softwares, scripts e extensões que publicam comentários genéricos em massa são o primeiro alvo. O objetivo desses recursos é aumentar artificialmente a visibilidade de perfis ou publicações, criando uma aparência de engajamento orgânico. No entanto, o LinkedIn entende que esse tipo de interação desvaloriza o propósito da plataforma e prejudica a experiência dos usuários.

2. Pods de engajamento

Outro ponto crítico são os chamados “pods de engajamento”. Esses grupos, muitas vezes organizados em aplicativos externos como por exemplo WhatsApp ou Telegram, reúnem pessoas que combinam de curtir e comentar mutuamente nas postagens para “enganar” o algoritmo da rede. 

Mesmo que não envolvam necessariamente o uso de Inteligência Artificial, esses pods também criam uma bolha de interações artificiais. Isso se deve ao fato de que eles simulam relevância sem que haja de fato interesse genuíno no conteúdo.

Razões que justificam essa postura do LinkedIn

A decisão do LinkedIn de adotar medidas contra o uso abusivo de IA e automação não é apenas técnica. Em parelelo, ela está fundamentada em uma série de razões estratégicas e na preocupação em preservar a essência da rede.

Reclamações dos usuários

Uma das principais motivações foi a crescente insatisfação dos usuários. Em outras palavras, profissionais passaram a relatar que seus feeds estavam cada vez mais cheios de comentários superficiais e irrelevantes, que não agregavam às discussões. 

Sendo assim, esse fenômeno ficou conhecido como AI Slop (ou “lixo de Inteligência Artificial”), termo que é usado para se referir ao conteúdo gerado automaticamente, sem autenticidade.

Preocupação com a credibilidade da rede

O LinkedIn tem uma proposta clara: ser o espaço da credibilidade e também do networking profissional. Se a plataforma se encher de interações falsas, ela corre o risco de perder sua identidade e ser vista como apenas mais uma rede social superficial. Dessa maneira, manter o padrão de qualidade das interações é essencial para que a rede continue sendo relevante no mercado.

Impacto nos algoritmos de engajamento

Vale ressaltar que outro ponto relevante é que o excesso de interações artificiais pode distorcer o algoritmo. Então, publicações pouco relevantes podem ganhar destaque apenas pelo volume de comentários automáticos, ao mesmo tempo que conteúdos que são realmente valiosos ficam escondidos. Tal desequilíbrio prejudica a experiência dos usuários e pode afastar profissionais sérios da plataforma.

Essa postura do LinkedIn é exclusiva da plataforma?

Durante muito tempo, especialistas especularam que as redes sociais não teriam interesse em combater o engajamento artificial. Isso se deve ao fato de que mais interações mesmo que sejam falsas) poderiam inflar métricas a serem apresentadas para investidores. Apesar disso, o cenário está mudando.

O caso da Wikipédia

No mês de agosto, a Wikipédia anunciou medidas restritivas contra a criação de conteúdo por IA. Agora, editores têm autonomia para apagar artigos que são claramente gerados por Inteligência Artificial, sem precisar passar por longos processos de deliberação. Com isso, a meta é simples: preservar a enciclopédia como uma fonte confiável e reduzir os riscos de desinformação.

O movimento do YouTube e do Facebook

Plataformas como por exemplo YouTube e Facebook também já adotaram mudanças em suas políticas para lidar com perfis e conteúdos que se beneficiam do AI Slop. Nesses casos, as medidas incluem corte de monetização e limitação de alcance de posts que sejam considerados artificiais.

Um movimento global

Em tal contexto, a decisão do LinkedIn não é isolada. Por outro lado, ela integra um movimento global das principais plataformas digitais para manter a autenticidade das interações e reforçar a credibilidade. Sendo assim, o objetivo é evitar que ambientes sociais sejam dominados por engajamentos falsos e garantir que usuários encontrem experiências mais transparentes e relevantes.

A Wikipédia também está adotando uma postura de combate ao uso de IA em sua plataforma.
A Wikipédia também está adotando uma postura de combate ao uso de IA em sua plataforma. | Foto: DALL-E 3

Lições a aprender com essa postura do LinkedIn

A decisão do LinkedIn de combater o uso abusivo de Inteligência Artificial traz reflexões importantes não apenas para usuários da plataforma, mas para todos que lidam com a criação de conteúdo digital.

Autenticidade é um valor crescente

Se antes o volume de postagens e interações era visto como sinal de relevância, hoje está cada vez mais claro que a autenticidade é o fator que mais importa. Nesse sentido, redes sociais estão começando a punir comportamentos artificiais e a valorizar conteúdos originais.

A importância da qualidade sobre a quantidade

A prática de usar IA para gerar comentários em massa pode parecer uma forma rápida de ganhar visibilidade, mas no longo prazo, prejudica a reputação do profissional. No LinkedIn, em especial, a construção de uma imagem sólida depende de interações genuínas e discussões de qualidade.

O futuro da moderação digital

A postura do LinkedIn também mostra que as redes sociais estão entrando em uma nova fase de moderação digital. Nela, não basta apenas remover conteúdo nocivo, mas também identificar práticas que podem desvalorizar as interações dentro das plataformas. Tal futuro aponta para algoritmos cada vez mais sofisticados, capazes de diferenciar o que é genuíno do que é automatizado.

Em resumo, o LinkedIn anunciou medidas para combater o uso de Inteligência Artificial e automação na plataforma. A rede busca proteger sua credibilidade ao limitar a visibilidade de comentários de bots e desestimular pods de engajamento. O objetivo é preservar a autenticidade das interações, alinhando-se a um movimento global contra a poluição de conteúdos artificiais. 

Para criadores de conteúdo e profissionais, a lição é clara. Eles devem priorizar interações reais, investir em qualidade e evitar atalhos artificiais, pois o futuro da presença digital está na autenticidade. Continue acompanhando o tema para entender o uso do LinkedIn de uma forma estratégica!

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