Nos últimos anos, a tecnologia automotiva avançou a passos largos, especialmente com o crescimento dos carros elétricos. Sendo assim, um dos recursos mais inovadores e populares entre os condutores desses veículos é o modo “one-pedal”, uma funcionalidade que altera completamente a experiência de dirigir.
Entretanto, mesmo com os benefícios amplamente reconhecidos, essa tecnologia está sendo revista por autoridades reguladoras. A China, por exemplo, anunciou a proibição parcial desse recurso a partir do ano de 2026, o que levanta dúvidas sobre os riscos e os impactos desse recurso. Mas, afinal, o que é ele e por que está sendo limitado?
Logo, neste texto, iremos explorar o que é o modo “one-pedal” do carro elétrico, bem como explicar o motivo de sua proibição. Juntamente com isso, apresentaremos possíveis impactos desse contexto e também pensaremos se o mesmo pode ser revisto. Por último, iremos elencar algumas lições que podem ser aprendidas com ele.
O que é o modo “one-pedal” do carro elétrico?
Frenagem regenerativa e condução com um só pedal
O modo “one-pedal” (ou “modo de um pedal”, em tradução livre) é uma funcionalidade presente em muitos carros elétricos e híbridos modernos que permite ao motorista acelerar e desacelerar o veículo utilizando apenas o pedal do acelerador.
Em outras palavras, quando o condutor retira o pé do acelerador, o veículo elétrico inicia automaticamente um processo de frenagem regenerativa. Sendo assim, ele desacelera o carro ao mesmo tempo em que recupera parte da energia cinética, convertendo-a em energia elétrica e, posteriormente, armazenando-a na bateria.
Tal tecnologia tem ganhado destaque devido ao fato de ser responsável por tornar a condução mais intuitiva e eficiente, principalmente em trajetos urbanos. Em modelos como por exemplo os da Tesla, Nissan Leaf, Chevrolet Bolt e BMW i3, é possível até mesmo parar completamente o carro sem utilizar o pedal de freio, a depender do nível de regeneração que seja configurado pelo motorista.
Benefícios do modo “one-pedal”
Entre os principais benefícios associados ao uso do modo “one-pedal”, destacam-se:
- Eficiência energética: a recuperação de energia durante a desaceleração é algo que contribui para aumentar a autonomia do veículo elétrico;
- Conforto na direção: em ambientes urbanos e congestionados, dirigir com um só pedal é uma ação que reduz o esforço do condutor;
- Menor desgaste dos freios: como o sistema de frenagem convencional é menos exigido, as pastilhas e discos de freio tendem a durar muito mais, o que reduz os custos de manutenção a longo prazo.
Por que o modo “one-pedal” foi proibido?
A decisão da China e a norma GB 21670-2025
Apesar dos benefícios, o modo “one-pedal” será limitado na China a partir de 2026. O país asiático aprovou uma nova regulamentação (a norma GB 21670-2025), que entrará em vigor obrigatoriamente em 1º de janeiro de 2027.
Segundo a diretriz, os veículos elétricos não poderão mais sair de fábrica com o modo “one-pedal” ativado por padrão. Vale ressaltar que a função continuará disponível, mas exigirá ativação manual por parte do motorista.
Em conjunto a isso, a norma estabelece que as luzes de freio deverão acender automaticamente sempre que a desaceleração gerada pela frenagem regenerativa ultrapassar 1,3 m/s². Nesse sentido, o objetivo é alertar os motoristas que vêm atrás sobre a redução repentina de velocidade, o que poderá ajudar a evitar colisões traseiras.
Foco na segurança ativa
A principal motivação para a nova regra é a segurança ativa dos veículos eletrificados. Ou seja, embora o modo “one-pedal” seja considerado algo prático, os reguladores chineses entendem que ele pode:
- Comprometer a previsibilidade da condução, pois motoristas que seguem atrás podem não perceber a desaceleração se as luzes de freio não forem acionadas;
- Reduzir o uso da frenagem convencional, que ainda é mais segura e confiável em situações de emergência;
- Aumentar o tempo de resposta em momentos críticos, como por exemplo freadas abruptas ou obstáculos repentinos.
Portanto, todos esses fatores foram responsáveis por levar o governo da China a uma revisão da condução regenerativa, priorizando um padrão mais universal e seguro para todos os usuários da via.
Possíveis impactos da proibição do modo “one-pedal”
Mudanças na experiência de condução
A decisão da China terá efeitos significativos na indústria automotiva, principalmente nas montadoras que apostam fortemente no modo “one-pedal”, como Tesla, Nio, BYD, entre outras. Esses fabricantes deverão adaptar seus sistemas para seguir a nova norma, o que inclui:
- Remover o modo “one-pedal” como padrão de fábrica;
- Adicionar um botão de ativação manual no painel de controle;
- Reconfigurar os sistemas de luzes de freio no intuito de responder à desaceleração regenerativa.
Pensando na situação dos usuários, isso representará uma mudança perceptível na condução diária. Em outras palavras, muitos motoristas de veículos elétricos já se acostumaram a usar apenas o acelerador, especialmente em áreas urbanas. Ou seja, ter que usar o pedal de freio com mais frequência pode causar estranhamento ou desconforto, ao menos em um momento inicial.
Reflexo em outros mercados
Como a China é o maior mercado de carros elétricos do mundo, as regras que o governo estabelece por lá costumam influenciar fabricantes globais. Sendo assim, é provável que montadoras implementem sistemas similares em veículos vendidos na Europa, América do Norte e América Latina,
Isso deve ocorrer mesmo que tal aspecto não seja obrigatório nessas regiões. Ou seja, pode ser uma forma de padronizar a produção e evitar custos adicionais com versões diferentes para cada país.
A proibição do modo “one-pedal” pode ser revista?
China como reguladora de padrões globais
A China tem se posicionado como uma líder na definição de regras e padrões técnicos para veículos elétricos e tecnologias emergentes. Desse modo, com o rápido crescimento do setor, o governo chinês entende que precisa estabelecer diretrizes claras no intuito de garantir a segurança, a interoperabilidade e a confiança dos consumidores.
No caso do modo “one-pedal”, a norma GB 21670-2025 é um claro exemplo dessa abordagem. Com isso, ainda que exista pressão por parte de montadoras e entusiastas para manter a funcionalidade como padrão, o governo demonstra firmeza em priorizar a segurança viária.
Devido a tal contexto, especialistas afirmam que qualquer revisão da norma dependeria de novos estudos que comprovem que o modo regenerativo não compromete a segurança, o que ainda é um debate aberto.
Tecnologia e regulação caminham juntas
É importante destacar que a proibição parcial não significa o fim do modo “one-pedal”. A funcionalidade continuará disponível nos veículos, mas passará a depender de decisão ativa do condutor. Logo, tal medida busca responsabilizar o motorista e torná-lo consciente sobre os efeitos dessa forma de condução.
Ou seja, em um futuro próximo, é possível que sistemas inteligentes consigam ajustar automaticamente a frenagem regenerativa com base no ambiente ao redor, usando sensores, radares e Inteligência Artificial. Em vista disso, a segurança e a eficiência poderiam coexistir de forma mais equilibrada, o que abriria espaço para uma revisão das normas.

Lições a aprender com a proibição do modo “one-pedal”
Equilibrar inovação e segurança
O caso do modo “one-pedal” ilustra um dos maiores desafios do setor automotivo atual: equilibrar inovação com segurança pública. Em outras palavras, novas tecnologias são bem-vindas e podem transformar a mobilidade, mas também precisam passar por testes rigorosos e ser avaliadas com base em dados reais de segurança.
A decisão da China mostra que, mesmo diante de soluções inteligentes e sustentáveis, a segurança coletiva deve prevalecer. Fabricantes, governos e consumidores precisam entender que a tecnologia deve servir às pessoas, e não o contrário.
A importância da sinalização e da comunicação entre veículos
Outro ponto crucial evidenciado pela norma chinesa é a necessidade de comunicação clara entre os veículos. A exigência de que as luzes de freio acendam durante a regeneração mais intensa é uma medida simples, mas que pode evitar muitos acidentes. Em um cenário onde carros autônomos, conectados e elétricos compartilham as ruas, garantir uma linguagem universal de sinais se torna ainda mais importante.
Experiência do usuário e responsabilidade do condutor
A mudança na configuração do modo “one-pedal” reforça também a responsabilidade do condutor sobre a experiência de direção. Logo, a possibilidade de ativar ou desativar o recurso é algo que oferece liberdade, mas exige conhecimento técnico e atenção por parte do usuário. Isso demanda educação no trânsito e uma curva de aprendizagem para os novos condutores de veículos elétricos.
Concluindo, o modo “one-pedal” revolucionou a forma como os motoristas interagem com seus veículos elétricos, proporcionando conforto, eficiência energética e uma condução mais intuitiva. No entanto, a recente decisão da China de limitar seu uso evidencia que toda inovação precisa ser constantemente avaliada sob a ótica da segurança.
Embora o recurso continue permitido, sua ativação dependerá agora do discernimento do motorista, e as luzes de freio precisarão indicar qualquer desaceleração relevante. Isso demonstra que o futuro da mobilidade será cada vez mais uma combinação entre tecnologia avançada e regulação responsável.
Se você está interessado em saber mais sobre as inovações nos veículos elétricos e como o modo “one-pedal” pode afetar sua experiência ao volante, acompanhe o tema e fique por dentro das últimas tendências!

