Starlink ganhará concorrentes europeus em internet espacial

Constatou-se que a Starlink ganhará concorrentes europeus em internet espacial, em um movimento que pode transformar o mercado de conectividade via satélite nos próximos anos. A rede da SpaceX já domina esse segmento em escala global, com mais de 11 mil satélites em operação ou órbita, segundo levantamentos recentes.

Nesse sentido, agora, projetos desenvolvidos na Europa e na Rússia começam a criar alternativas para a internet espacial. Entre eles, estão o Rassvet, desenvolvido pela empresa russa Bureau 1440, e o IRIS², iniciativa da União Europeia.

Vale ressaltar que a comparação é interessante porque lembra o que já acontece no setor de posicionamento por satélite. A Europa possui o Galileo, enquanto a Rússia opera o Glonass, oferecendo alternativas ao GPS norte-americano. No segmento de internet, a tendência é semelhante: diferentes potências querem reduzir a dependência de uma única infraestrutura.

A Starlink não deverá permanecer sozinha no mercado de internet via satélite. Em outras palavras, o avanço de projetos próprios na Europa e na Rússia mostra que a conectividade espacial passou a ser considerada uma infraestrutura estratégica.

O avanço do Rassvet

O projeto mais avançado entre os novos concorrentes citados é o Rassvet, palavra que é possível traduzir como “amanhecer”. A iniciativa é conduzida pela Bureau 1440 e tem como objetivo criar uma constelação de satélites capaz de oferecer internet de alta velocidade. Em março de 2026, a empresa colocou 16 satélites em órbita em uma única missão.

Dados mais recentes indicam que a constelação já avançou além dos números iniciais divulgados. Em julho de 2026, 32 satélites Rassvet-3 haviam sido lançados, enquanto o planejamento apontava para 156 unidades até o fim de 2026, 292 em 2027 e até 900 em 2035.

O projeto europeu IRIS²

Na Europa, o principal projeto é o IRIS², sigla para Infrastructure for Resilience, Interconnectivity and Security by Satellite. O sistema é financiado por uma parceria entre instituições europeias e empresas privadas e terá tanto funções governamentais quanto comerciais.

Em agosto de 2026, a Comissão Europeia anunciou uma expansão do projeto. Sendo assim, a constelação passou a ser planejada com 348 satélites, sendo 330 em órbita baixa e 18 em órbita média. Os primeiros lançamentos estão previstos para 2029.

Disputa pela conectividade espacial

Portanto, ainda que Rassvet e IRIS² tenham características e objetivos diferentes, ambos representam uma tentativa de ampliar a competição dentro do mercado de conectividade espacial.

A Starlink ganhará concorrentes europeus no mercado de internet espacial em breve.
A Starlink ganhará concorrentes europeus no mercado de internet espacial em breve. | Foto: DALL-E 3

Os números ajudam a entender a diferença de escala entre os novos projetos e a atual liderança da Starlink. A rede da SpaceX ultrapassou a marca de 11 mil satélites em agosto de 2026. Um levantamento atualizado em 24 de agosto apontava 11.028 satélites Starlink em órbita e 11.012 considerados em funcionamento.

Sendo assim, a comparação deixa evidente o tamanho da vantagem acumulada pela empresa de Elon Musk. O Rassvet, por exemplo, ainda está em fase de expansão. Seu planejamento prevê 156 satélites até o fim de 2026 e 900 até 2035.

Altitude e desempenho do Rassvet

Juntamente com isso, também é importante corrigir uma diferença em relação às estimativas anteriores sobre a altitude do Rassvet. Informações recentes apontam que os satélites Rassvet-3 foram colocados em órbitas finais próximas de 511 quilômetros, e não nos 900 quilômetros inicialmente associados ao projeto. A empresa, porém, planeja uma arquitetura capaz de alcançar cobertura ampla.

Em termos de velocidade, a proposta é ambiciosa. Isso se deve ao fato de que a Bureau 1440 afirma que o Rassvet poderá alcançar taxas de transmissão de até 1 Gbps e latência inferior a 70 milissegundos.

A Starlink, por sua vez, informa que seus equipamentos podem alcançar mais de 400 Mbps em grande parte dos locais atendidos. Da mesma forma, a empresa também trabalha para ampliar as velocidades e levar a rede à faixa de gigabits.

A escala do IRIS²

Já o IRIS² terá uma escala diferente. A atualização anunciada pela União Europeia em agosto de 2026 elevou a constelação para 348 satélites, distribuídos entre órbitas baixas e médias. O projeto pretende oferecer conectividade segura para governos, empresas e cidadãos.

Isso significa que nenhum dos dois projetos começa em condições semelhantes às da Starlink. A empresa norte-americana construiu uma vantagem gigantesca em quantidade de satélites, experiência operacional, infraestrutura terrestre e frequência de lançamentos.

A chegada de novos concorrentes pode ser importante para consumidores e para a soberania tecnológica dos países. O crescimento de constelações próprias permite que governos tenham maior controle sobre uma infraestrutura relevante para comunicações, serviços públicos e atividades econômicas.

O papel estratégico do IRIS²

É importante destacar que a União Europeia considera o IRIS² uma ferramenta para fortalecer sua autonomia estratégica. O sistema foi planejado para oferecer conectividade segura a governos e ampliar o acesso à internet em áreas com pouca infraestrutura terrestre.

Sendo assim, isso ganha relevância em situações de crise. Redes de satélites podem continuar funcionando em regiões afetadas por desastres naturais, guerras ou falhas terrestres. 

Nesse sentido, possuir uma infraestrutura própria reduz a dependência de operadores estrangeiros. O IRIS² também terá uma dimensão comercial. A Comissão Europeia prevê serviços de banda larga para empresas e cidadãos, além das aplicações governamentais.

Benefícios para os consumidores

Para os consumidores, uma concorrência maior pode resultar em mais opções de planos, equipamentos e tecnologias. Também pode pressionar as empresas a melhorar velocidade, latência, cobertura e preços.

Mais um ponto importante é a segurança. O projeto europeu foi desenhado para aumentar a resiliência das comunicações e integrar tecnologias de segurança, incluindo componentes relacionados à comunicação quântica.

Uma disputa que extrapola o mercado

Devido a isso, a disputa não deve ser vista apenas como uma competição comercial contra a Starlink. Ela envolve também autonomia digital, segurança nacional e capacidade tecnológica. A existência de diferentes redes pode estimular investimentos e inovação, tornando a conectividade espacial mais diversificada e estratégica.

Sim. O mercado de internet via satélite ainda está em expansão e pode receber novos participantes. A própria escala alcançada pela Starlink mostra que existe demanda por conectividade espacial. Regiões rurais, áreas remotas, embarcações, aeronaves e locais com infraestrutura terrestre limitada podem se beneficiar desse tipo de serviço.

Juntamente com isso, outras empresas já desenvolvem projetos relacionados à conectividade por satélite. O mercado também está avançando para o modelo Direct-to-Device, no qual satélites podem trabalhar em conjunto com operadoras móveis para conectar dispositivos diretamente em áreas sem cobertura terrestre.

Desafios para novos concorrentes

Esse cenário pode favorecer novas parcerias entre empresas de telecomunicações, fabricantes de satélites e companhias de tecnologia. Também pode abrir espaço para soluções voltadas a mercados específicos, como transporte, defesa, agricultura e comunicação em regiões isoladas.

Apesar disso, competir diretamente com a Starlink exige investimentos enormes. Não basta colocar alguns satélites em órbita. É necessário construir uma constelação, desenvolver terminais para os usuários, manter estações terrestres e realizar lançamentos continuamente.

Vale ressaltar que a SpaceX possui uma vantagem significativa justamente nesse ponto. A empresa conta com foguetes Falcon 9 reutilizáveis e uma cadência de lançamentos muito elevada. Em 2026, a maior parte das missões da companhia tem relação com a expansão da própria constelação.

Uma disputa de longo prazo

Portanto, novos concorrentes podem surgir, mas alcançar a escala da Starlink será um desafio de longo prazo. A disputa dependerá de investimentos, capacidade tecnológica, frequência de lançamentos e oferta de serviços competitivos.

A principal lição desse contexto é que a internet via satélite deixou de ser apenas uma tecnologia de nicho. Ela passou a fazer parte da infraestrutura estratégica de conectividade de diferentes países e blocos econômicos.

O crescimento do Rassvet e do IRIS² mostra que governos estão interessados em desenvolver alternativas próprias. Isso ocorre porque depender exclusivamente de uma rede estrangeira pode representar riscos econômicos, tecnológicos e estratégicos.

Concorrência e escala

Mais uma lição está relacionada à escala. A Starlink construiu uma enorme vantagem ao lançar milhares de satélites e manter uma expansão constante. Sendo assim, os concorrentes precisarão encontrar maneiras eficientes de colocar suas próprias constelações em funcionamento.

Preços e inovação

Também será necessário observar a evolução dos preços. Uma disputa mais intensa pode beneficiar consumidores, principalmente onde a internet terrestre ainda apresenta limitações. Por fim, a concorrência pode acelerar a inovação, com satélites mais eficientes, terminais menores, melhores velocidades e soluções capazes de reduzir a latência.

Em resumo, a Starlink ganhará concorrentes europeus em internet espacial, mas isso não significa que perderá imediatamente sua liderança. Por outro lado, a empresa parte de uma posição muito confortável. O que muda é que o mercado começa a caminhar para um cenário mais competitivo, no qual diferentes redes poderão disputar usuários, empresas e governos.

Logo, se você quer conferir as próximas mudanças no mercado de internet via satélite e entender como a Starlink será impactada, continue acompanhando as novidades sobre a empresa.

*com uso de inteligência artificial

Artigos recentes