As urnas eletrônicas fazem parte do processo eleitoral brasileiro e contam com diferentes mecanismos de fiscalização. Nesse sentido, vale ressaltar que a auditoria dos votos não acontece apenas depois da votação, mas envolve procedimentos realizados antes, durante e após as eleições.
Dessa forma, as urnas eletrônicas passam por verificações destinadas a conferir a integridade dos sistemas e a correspondência entre os votos registrados e os resultados apresentados.
Como funciona a auditoria dos votos das urnas eletrônicas?
É importante destacar que a auditoria do sistema eletrônico de votação é realizada em diferentes etapas e pode envolver partidos políticos, entidades fiscalizadoras e instituições autorizadas pela Justiça Eleitoral. Os procedimentos abrangem desde a análise dos sistemas até testes realizados no próprio dia da votação.
Antes da votação
Uma das etapas ocorre antes mesmo da eleição. Isso se deve ao fato de que a Justiça Eleitoral disponibiliza os códigos-fonte dos sistemas para inspeção e fiscalização pelas entidades autorizadas.
Também é realizada a Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas, na qual os programas que serão utilizados no processo eleitoral recebem assinaturas digitais e são submetidos a procedimentos de segurança.
Essa etapa é importante porque permite verificar se os programas utilizados nas urnas correspondem aos sistemas que foram previamente analisados e lacrados. A legislação eleitoral também prevê mecanismos de conferência por meio de assinaturas digitais e resumos digitais, conhecidos como hashes.
Na véspera e no dia da eleição
Outra etapa envolve a escolha, por sorteio ou indicação conforme as regras estabelecidas, de urnas que participarão dos procedimentos de auditoria. No dia da votação, os Tribunais Regionais Eleitorais realizam, por amostragem, o Teste de Integridade e a verificação de autenticidade e integridade dos sistemas instalados nas urnas selecionadas.
No Teste de Integridade, utilizam-se cédulas previamente preenchidas. Os votos registrados nessas cédulas são digitados na urna eletrônica durante uma simulação realizada no mesmo dia e horário da votação oficial.
Depois, há a comparação do resultado que o equipamento apresenta com a contagem dos votos das cédulas. Nesse sentido, o objetivo é verificar se a urna contabiliza os votos de acordo com o que foi registrado.
Também existe o Teste de Integridade com Biometria. Nessa modalidade, eleitoras e eleitores voluntários que já participaram da votação podem ser convidados a utilizar sua biometria para habilitar a urna durante o procedimento de auditoria. As regras atuais também estabelecem procedimentos específicos para registrar e documentar essa modalidade.
Por sua vez, no Teste de Autenticidade dos Sistemas Eleitorais, é verificado se os sistemas instalados na urna correspondem aos programas que passaram pelos procedimentos oficiais de assinatura e lacração. A conferência envolve assinaturas e resumos digitais, além de outros procedimentos previstos pela regulamentação.
Zerésima, Boletim de Urna e outros registros
Outro mecanismo conhecido é a Zerésima. Emitido antes do início da votação, o documento comprova que não há votos registrados na urna naquele momento. Somente depois dos procedimentos iniciais é que a votação começa.
Após o encerramento da votação, a urna emite o Boletim de Urna (BU), documento que apresenta os votos registrados naquela seção eleitoral. É possível consultar o resultado publicamente e também utilizá-lo para conferência da totalização divulgada pela Justiça Eleitoral.
Por fim, a auditoria também pode envolver outros elementos, como o Registro Digital do Voto (RDV), a verificação de assinaturas digitais, a comparação entre boletins e os dados recebidos pelo sistema de totalização e a análise de arquivos e relatórios gerados pela urna.

Por que a auditoria dos votos das urnas eletrônicas chama a atenção?
A auditoria chama a atenção porque permite verificar diferentes etapas do funcionamento do sistema eletrônico de votação, em vez de concentrar toda a fiscalização em um único momento. Os procedimentos abrangem o software utilizado, a preparação dos equipamentos, o funcionamento durante a votação e os resultados produzidos após o encerramento.
Verificação durante a votação
Vale ressaltar que o Teste de Integridade é um dos mecanismos mais conhecidos justamente por estabelecer uma comparação direta entre votos previamente registrados em cédulas de papel e aqueles contabilizados pela urna. Em outras palavras, a auditoria cria uma situação controlada na qual é possível conhecer previamente os votos que serão inseridos e, depois, conferir se o equipamento apresentou exatamente aquele resultado.
Tal procedimento permite observar o comportamento da urna em condições semelhantes às de uma votação, mas dentro de um ambiente controlado. A conferência considera os votos registrados manualmente e o resultado apresentado pelo equipamento, permitindo verificar se há correspondência entre as duas etapas.
Acompanhamento e fiscalização
Juntamente com isso, o TSE regulamenta os procedimentos e sua realização acontece com possibilidade de acompanhamento e fiscalização. Nesse sentido, as normas atuais estabelecem que os trabalhos de auditoria de funcionamento das urnas e determinados procedimentos relacionados à transmissão dos Boletins de Urna são públicos.
A participação de entidades e representantes habilitados amplia o acompanhamento das etapas previstas, enquanto os registros produzidos durante os procedimentos ajudam a documentar o processo. Desse modo, a auditoria faz parte de um conjunto de mecanismos destinados a verificar o funcionamento da votação eletrônica em diferentes momentos.
A importância da transparência do processo de auditoria dos votos das urnas eletrônicas
É importante destacar que a transparência é um dos elementos fundamentais para que diferentes participantes possam acompanhar e fiscalizar o processo eleitoral. Por isso, a Justiça Eleitoral prevê oportunidades de auditoria antes, durante e depois das eleições, permitindo a participação de entidades fiscalizadoras em diferentes fases.
Acompanhamento dos resultados
A divulgação dos Boletins de Urna também tem papel importante nesse processo. Como o documento apresenta os resultados registrados em cada seção, seus dados podem ser utilizados para conferir se os números encaminhados para a totalização correspondem aos resultados produzidos localmente pelas urnas.
Essa característica permite a análise dos resultados a partir de informações geradas diretamente nas seções eleitorais. O Boletim de Urna funciona, portanto, como um registro que é possível consultar para acompanhar os números que se obteve ao final da votação.
Diferentes etapas de auditoria
Mais um ponto é que a auditoria não depende exclusivamente da conferência do resultado final. Existem mecanismos destinados a verificar os sistemas, as assinaturas digitais, os registros produzidos pelos equipamentos e o funcionamento das urnas. Tal combinação de procedimentos cria diferentes possibilidades de fiscalização ao longo do processo eleitoral.
A verificação distribuída entre várias etapas também permite a realização de análises sobre aspectos específicos do sistema, desde a preparação dos equipamentos até a divulgação dos resultados. Dessa maneira, a fiscalização não fica restrita a uma única conferência, mas envolve procedimentos complementares que abrangem diferentes componentes e momentos da eleição.
Participação das entidades fiscalizadoras
Por fim, a atuação de entidades fiscalizadoras é algo que contribui no intuito de ampliar o acompanhamento dessas etapas, dentro das regras e procedimentos estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
É possível que as urnas eletrônicas continuem evoluindo?
Os mecanismos de auditoria e segurança podem ser atualizados conforme novas tecnologias, normas e procedimentos são incorporados ao sistema eleitoral. Nesse sentido, um exemplo recente é a regulamentação, em 2026, de mudanças relacionadas ao Teste de Integridade com Biometria e aos procedimentos de fiscalização das urnas.
Paralelamente, a evolução também ocorre por meio de testes de segurança realizados antes das eleições. O sistema eleitoral possui mecanismos para que pesquisadores e entidades fiscalizadoras analisem os programas e identifiquem possíveis pontos que possam ser aprimorados. A Justiça Eleitoral utiliza essas etapas para avaliar e aperfeiçoar seus sistemas.
Sendo assim, a evolução das urnas eletrônicas não está limitada ao equipamento físico. Ela também envolve softwares, mecanismos criptográficos, procedimentos de auditoria, formas de fiscalização e maneiras de disponibilizar informações para conferência.
Tais mudanças buscam acompanhar as necessidades de cada eleição e incorporar novos procedimentos de verificação. Dessa forma, trata-se a segurança do processo eletrônico como uma atividade contínua, que envolve avaliações, testes e possíveis ajustes conforme se adotam novas tecnologias e regras.
Existem outros modelos de votação além das urnas eletrônicas?
Diversos países utilizam modelos diferentes para registrar e contabilizar votos. Entre eles estão sistemas baseados exclusivamente em cédulas de papel, equipamentos de votação eletrônica e modelos híbridos que combinam recursos eletrônicos com registros físicos.
No caso brasileiro, a urna eletrônica é utilizada dentro de um sistema que reúne diferentes mecanismos de segurança e auditoria. Em conjunto ao registro eletrônico, existem documentos e arquivos que permitem realizar verificações, como a Zerésima, o Boletim de Urna e o Registro Digital do Voto.
A existência de diferentes modelos de votação demonstra que cada país pode adotar procedimentos próprios para registrar os votos e fiscalizar os resultados. No Brasil, a estrutura foi desenvolvida para permitir auditorias em diferentes momentos, desde a preparação dos sistemas até a divulgação dos resultados.
Portanto, entender como funciona a auditoria ajuda a compreender que a fiscalização das urnas eletrônicas não depende de uma única conferência. O processo reúne testes, verificações técnicas, documentos e mecanismos de acompanhamento que se estendem por diferentes fases da eleição.
Logo, para saber mais sobre urnas eletrônicas, continue acompanhando informações sobre tecnologia, segurança e funcionamento do sistema eleitoral, além de novidades, auditorias e mecanismos de fiscalização adotados nas eleições.
*com uso de inteligência artificial

