Nubank e stablecoins: entenda o movimento da fintech brasileira

O Nubank acaba de ampliar sua atuação no mercado financeiro internacional com o lançamento do Nu Global, uma conta internacional construída sobre stablecoins. A iniciativa acompanha uma tendência de utilização dessas moedas digitais como infraestrutura para produtos financeiros que precisam funcionar entre diferentes países, com foco em pagamentos, transferências e movimentação de saldos em moedas estrangeiras.

O movimento do Nubank em relação às stablecoins

O Nu Global foi desenvolvido como uma conta internacional baseada em stablecoins, seguindo um modelo que vem ganhando espaço no mercado financeiro. Na prática, os depósitos dos clientes podem ser convertidos em stablecoins denominadas em dólar ou euro, com rendimento automático.

Além disso, os clientes podem utilizar esses saldos para realizar pagamentos em diferentes partes do mundo por meio de cartões virtuais. Paralelamente, a proposta também permite enviar dinheiro instantaneamente para dezenas de países, com taxas de câmbio competitivas e sem a cobrança de outras tarifas.

Stablecoins em operações internacionais

O lançamento ocorre em um momento no qual grandes instituições financeiras passaram a considerar as stablecoins uma parte relevante da infraestrutura para produtos internacionais. Embora uma conta global possa funcionar sem utilizar esse tipo de ativo, as stablecoins podem simplificar determinadas operações que envolvem diferentes sistemas financeiros.

Para o consumidor, isso pode representar uma experiência com menos custos e maior velocidade. Em produtos financeiros internacionais, características como transferências rápidas, menor incidência de recusas em pagamentos, taxas de câmbio mais competitivas e possibilidade de obter rendimento sobre saldos em moedas estrangeiras podem fazer diferença.

Crescimento do mercado

O crescimento desse mercado também ajuda a explicar o movimento. Segundo estimativa da McKinsey apresentada no material de referência, os gastos realizados com cartões vinculados a stablecoins alcançaram US$ 4,5 bilhões em 2025, representando uma alta de 673% em comparação com 2024.

Um movimento recente do Nubank envolve as stablecoins.
Um movimento recente do Nubank envolve as stablecoins. | Foto: DALL-E 3

Mais detalhes desse movimento do Nubank

Para compreender por que as stablecoins podem oferecer vantagens em produtos internacionais, é possível comparar a infraestrutura financeira tradicional ao funcionamento da internet.

A internet é uma rede aberta e global, capaz de conectar dispositivos sem exigir uma conexão específica entre cada origem e destino. Já redes fechadas, como intranets, são usadas quando organizações precisam controlar o acesso aos seus sistemas.

Desse modo, é possível comparar as blockchains públicas à internet nesse aspecto. Elas são redes abertas e globais, enquanto as stablecoins funcionam como representações digitais de moedas tradicionais que circulam nessas redes.

Diferenças nas transferências

O dinheiro mantido em uma conta bancária tradicional segue outra lógica. Ele está inserido na infraestrutura de determinado banco ou em redes que conectam instituições financeiras por meio de acordos e integrações específicas. No Brasil, o Pix é exemplo de uma infraestrutura que conecta instituições em uma rede de pagamentos.

Tal diferença se torna importante quando uma transação precisa atravessar fronteiras. Em uma rede aberta, não é necessário criar uma conexão individual para cada operação entre dois pontos. Nos sistemas financeiros tradicionais, uma transferência internacional pode depender de intermediários, relações bancárias e mecanismos de liquidação.

Cada etapa adicional pode representar possibilidade de atraso, recusa ou cobrança. Uma transação que passa por várias instituições pode apresentar uma experiência diferente daquela realizada dentro de uma única rede.

Como as stablecoins podem atuar

É justamente nesse ponto que as stablecoins ganham espaço. Ao funcionarem sobre blockchains abertas, elas podem reduzir a quantidade de intermediários necessários para movimentações internacionais, permitindo que o dinheiro digital seja transferido entre diferentes pontos da rede.

Logo, a comparação com a internet ajuda a visualizar essa mudança. Um pacote de dados pode sair de São Paulo e chegar a Jacarta sem que seja necessário estabelecer uma conexão específica entre esses locais. A infraestrutura aberta permite que diferentes pontos da rede se comuniquem.

Aspectos que explicam esse movimento do Nubank

Vale ressaltar que as stablecoins procuram reduzir problemas associados à utilização de redes financeiras conectadas por intermediários. Nesse modelo, uma transação pode encontrar menos barreiras para chegar ao destino, dependendo da infraestrutura utilizada.

Menos barreiras nas transações

Um cartão recusado, por exemplo, pode ser entendido como uma situação em que rede financeira não reconhece ou não aceita uma transação. Da mesma forma, uma transferência internacional demorada pode envolver etapas de processamento antes que o pagamento seja concluído.

As taxas fazem parte desse processo. Quando uma operação precisa atravessar diferentes sistemas financeiros e envolver conversões de moedas, os custos podem aumentar. Sendo assim, a utilização de stablecoins pode alterar essa dinâmica em operações, quando o objetivo é movimentar valores entre países.

Aplicações para produtos internacionais

Para empresas como o Nubank, que buscam oferecer produtos financeiros com experiências simples, a utilização dessa infraestrutura pode abrir espaço para funcionalidades. Um exemplo é a possibilidade de manter um saldo em dólar que possa ser utilizado em países, sem que o cliente precise lidar com infraestrutura bancária diferente em cada destino.

Isso não significa, porém, que as redes financeiras tradicionais sejam ineficientes em todos os casos. O próprio sistema Pix demonstra que rede fechada ou delimitada pode oferecer experiência eficiente quando possui uma infraestrutura bem desenvolvida.

O alcance das redes

No Brasil, o Pix é responsável por permitir pagamentos rápidos e baratos entre instituições participantes. Entretanto, sua abrangência está vinculada à rede que o suporta. Um comerciante na Indonésia, por exemplo, não consegue receber um Pix de um consumidor brasileiro, porque seu banco não participa da infraestrutura brasileira.

Portanto, a diferença fundamental não está apenas na qualidade de rede, mas na quantidade de redes existentes e na necessidade de estabelecer conexões entre elas. A internet conecta diferentes pontos por meio de uma infraestrutura aberta, enquanto as redes tradicionais frequentemente dependem de pontes entre sistemas.

Possíveis momentos futuros desse movimento do Nubank

O avanço das stablecoins pode representar uma mudança na infraestrutura usada para movimentar dinheiro. Produtos financeiros internacionais vêm encontrando nessas moedas digitais uma alternativa para determinadas operações.

Uma nova infraestrutura financeira

Esse processo pode ser comparado à transformação provocada pela internet nas comunicações. O dinheiro precisou circular por redes financeiras fechadas porque não existia uma alternativa aberta e global capaz de movimentar valores.

Com o desenvolvimento das blockchains e das stablecoins, surgiu uma infraestrutura que permite transportar representações digitais de moedas por redes abertas. Isso cria possibilidades para produtos internacionais.

Nesse contexto, as stablecoins podem ser entendidas não apenas como produtos financeiros individuais, mas como infraestrutura. Pagamentos, negociações e empréstimos on-chain precisam de uma forma de dinheiro para realizar a liquidação.

O papel das stablecoins

Sendo assim, as stablecoins ocupam esse espaço ao representar dinheiro dentro das redes blockchain. Por isso, seu papel pode ir além de uma aplicação específica e se tornar parte da base sobre a qual serviços financeiros digitais são construídos.

Entretanto, existe um desafio para que essa infraestrutura seja global. No momento atual, boa parte das operações com stablecoins está concentrada em moedas denominadas em dólar. Isso ocorre pela importância do dólar no sistema financeiro internacional.

Uma infraestrutura aberta baseada predominantemente em uma única moeda, porém, não elimina todas as barreiras para consumidores estrangeiros. Economias como a brasileira continuam usando suas próprias moedas.

Expansão para outras moedas

Para que a chamada “internet do dinheiro” tenha alcance mundial, seria necessário ampliar a disponibilidade de stablecoins vinculadas a moedas fiduciárias. Usuários poderiam acessar redes abertas mantendo seus valores em suas próprias moedas, sem convertê-los para o dólar.

O dólar pode ser visto como uma das primeiras etapas desse processo. Então, o desenvolvimento de stablecoins vinculadas a outras moedas poderá determinar como essa infraestrutura evoluirá nos próximos anos.

Lições a aprender com esse movimento do Nubank

É importante destacar que o movimento do Nubank em direção às stablecoins mostra como a tecnologia blockchain pode deixar de ser usada apenas em produtos ligados às criptomoedas e passar a integrar serviços financeiros voltados ao consumidor comum.

A importância da infraestrutura

Uma das principais lições está na infraestrutura. Nesse sentido, para o usuário, uma stablecoin pode aparecer apenas como um saldo digital em dólar ou euro. Mas, por trás dessa experiência, existe uma rede capaz de movimentar e liquidar valores sem depender necessariamente das mesmas conexões do sistema bancário tradicional.

Operações internacionais

Outro ponto é a importância das operações internacionais. Quanto mais fronteiras um produto precisa atravessar, maior tende a ser a relevância de uma infraestrutura capaz de reduzir intermediários, etapas e integrações específicas.

Convivência com o sistema financeiro

As stablecoins não precisam substituir todo o sistema financeiro tradicional. Em contrapartida, elas podem coexistir com bancos, cartões e sistemas de pagamento, funcionando como uma camada adicional de infraestrutura para determinadas operações.

O lançamento do Nu Global, portanto, representa mais um exemplo de como instituições financeiras estão incorporando stablecoins a produtos destinados ao uso cotidiano. A evolução dessa tecnologia dependerá, entre outros fatores, da expansão para diferentes moedas, da adoção pelos consumidores e da capacidade de oferecer transações internacionais mais simples.

Logo, para quem acompanha a transformação do sistema financeiro, o Nubank e sua utilização de stablecoins ajudam a ilustrar uma possível mudança na forma como o dinheiro circula entre países. Siga as novidades sobre a fintech e entenda como esse movimento podem transformar os serviços financeiros internacionais.

*com uso de inteligência artificial

Artigos recentes