As terras raras ganharam novo destaque no setor mineral brasileiro com a entrada da Lynas Rare Earths em um projeto localizado em Caldas, no Sul de Minas Gerais. Em outras palavras, a mineradora australiana, considerada a maior produtora desses elementos fora da China, anunciou um acordo para adquirir a Meteoric Resources, responsável pelo desenvolvimento do Projeto Caldeira.
O início de um novo projeto relacionado às terras raras no Brasil por uma mineradora australiana
A Lynas Rare Earths anunciou na quarta-feira, 30, um acordo vinculante para comprar 100% da Meteoric Resources, também australiana. Nesse sentido, a empresa desenvolve o Projeto Caldeira, localizado no município de Caldas, no Sul de Minas Gerais.
Valor da operação
Vale ressaltar que a operação recebeu uma avaliação de 968 milhões de dólares australianos, equivalente a cerca de R$ 3,5 bilhões pela cotação considerada na data do anúncio. O pagamento será realizado integralmente por meio de novas ações da Lynas. As duas companhias possuem ações negociadas na bolsa australiana, a ASX.
Projeto Caldeira ganha destaque
O acordo amplia a presença da Lynas no mercado de minerais estratégicos e coloca o Brasil em uma posição relevante dentro dos planos de expansão da companhia. Isso se deve ao fato de que o Projeto Caldeira possui um dos maiores recursos conhecidos de terras raras em argilas iônicas fora da China, considerando as regras do código australiano JORC, utilizado para estabelecer padrões de divulgação de estimativas minerais.
Importância das terras raras
As terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos utilizados em diferentes setores da indústria. Entre as aplicações estão ímãs de alto desempenho empregados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.
Do mesmo modo, a operação ainda representa uma etapa importante para a estratégia internacional da Lynas, que busca ampliar seus recursos fora da China. Para o Brasil, o projeto reforça o potencial do país no segmento de minerais críticos e pode estimular novos investimentos no setor de mineração e processamento mineral, além de contribuir para ampliar a oferta nacional de matérias-primas estratégicas.

Como funciona esse projeto relacionado às terras raras?
A operação entre Lynas e Meteoric fará com que os acionistas da empresa adquirida recebam ações da compradora. Em outras palavras, cada acionista da Meteoric receberá 0,0207 ação nova da Lynas para cada ação.
Com a conclusão do negócio, os acionistas da Lynas deverão deter aproximadamente 94,1% da companhia combinada, enquanto os acionistas da Meteoric ficarão com cerca de 5,9%.
O valor de 968 milhões de dólares australianos considera o preço médio ponderado das ações da Lynas nos 60 pregões, de A$ 15,29. Se considerar o fechamento de 30 de setembro, quando os papéis terminaram cotados a A$ 13,83, o valor seria de 876 milhões de dólares australianos. Dessa maneira, como a transação será paga com ações, o valor poderá sofrer alterações até a conclusão, dependendo da cotação dos papéis da Lynas.
Aprovação da operação
A Lynas estruturará a aquisição por meio de um scheme of arrangement, mecanismo previsto na legislação australiana para operações de aquisição amigáveis. Nesse modelo, a empresa adquirida conduz o processo, que passa pela supervisão judicial.
Para que o acordo avance, será necessário obter o apoio de 75% das ações presentes na assembleia e da maioria numérica dos acionistas participantes. Juntamente com isso, serão necessárias homologações judiciais.
Caso todas as etapas sejam aprovadas, o acordo terá efeito sobre todos os acionistas, inclusive aqueles que votarem contra. O modelo apresenta semelhanças com a incorporação de ações prevista na legislação brasileira.
É importante destacar que o conselho da Meteoric recomendou a operação por unanimidade, desde que não apareça uma proposta superior e que um avaliador independente conclua que o negócio atende aos interesses dos acionistas.
Finalmente, enquanto a aquisição não for concluída, a Lynas poderá conceder até 110 milhões de dólares australianos em empréstimos à Meteoric para garantir a continuidade do Projeto Caldeira. Desse total, a empresa disponibilizará 35 milhões na assinatura, enquanto poderá liberar outros 75 milhões após seis meses.
Mais detalhes desse projeto relacionado às terras raras
O diferencial do Projeto Caldeira está no tipo de depósito mineral que é possível encontrar na região. Diferentemente de jazidas em que os elementos estão presos em rochas duras, as terras raras de Caldeira estão presentes em argilas iônicas.
Esse tipo de depósito se formou ao longo de milhões de anos. O clima tropical contribuiu para a decomposição da rocha original e a formação de argila, deixando os elementos fracamente aderidos às partículas.
Tal característica permite uma forma diferente de extração. Em vez de depender de detonação e moagem, as terras raras podem ser extraídas por lavagem com solução salina, o que pode contribuir para reduzir custos. Depósitos desse tipo estão concentrados principalmente no sul da China e em Myanmar.
Recursos minerais de Caldeira
O Projeto Caldeira possui recurso mineral estimado em 1,631 bilhão de toneladas, com teor médio de 2.317 partes por milhão de óxidos de terras raras, aproximadamente 0,23%. A reserva é estimada em 151 milhões de toneladas, com teor de 3.524 partes por milhão.
Dentro do recurso estão aproximadamente 802 mil toneladas de NdPr, combinação de neodímio e praseodímio, usados na produção de ímãs permanentes. Também são estimadas 41 mil toneladas de DyTb, combinação de disprósio e térbio, elementos que ajudam os ímãs a manter o desempenho em temperaturas elevadas.
Previsão de produção
Vale ressaltar que o Estudo de Viabilidade Definitivo prevê investimento de US$ 498 milhões, vida útil de 23 anos e produção média anual de 12.500 toneladas de óxidos de terras raras. Nesse sentido, o custo caixa estimado é de US$ 11,68 por quilo. Da mesma maneira, o projeto recebeu a Licença Prévia do Copam em dezembro de 2025, e a expectativa é obter a Licença de Instalação em 2026.
Separação é uma etapa estratégica
Por fim, a separação dos elementos é uma das etapas mais complexas da cadeia, pois exige processos químicos para isolar cada componente. A China responde por aproximadamente 90% da produção mundial de ímãs de terras raras. Sendo assim, a Lynas pretende avaliar o potencial de desenvolver atividades de separação no Brasil após a operação, mas ainda não assumiu compromisso de investimento nesse sentido.
Próximos momentos desse projeto relacionado às terras raras
A conclusão da aquisição ainda depende de etapas regulatórias no Brasil. Uma delas está relacionada à Lei 15.506, sancionada em 16 de setembro, que criou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
Nesse sentido, a legislação estabelece autorização do governo para mudanças de controle em empresas com direitos de exploração desses minerais. A lei também prevê até R$ 5 bilhões em créditos tributários para empresas que processarem os minérios no país.
Vale ressaltar que Lynas e Meteoric reconhecem que a nova regulamentação pode influenciar o cronograma. As companhias já iniciaram conversas com representantes do governo federal.
Cronograma da aquisição
Pelo calendário indicativo, a primeira audiência judicial deverá ocorrer em novembro. Sendo assim, a assembleia de acionistas da Meteoric está prevista para janeiro de 2027, enquanto a conclusão da operação é esperada para março de 2027.
Origem do Projeto Caldeira
A Meteoric iniciou sua atuação em Caldas em 2023. Em março, assinou contrato para adquirir os direitos minerários do Grupo Togni, companhia familiar que atua há mais de um século na extração de argila na região de Poços de Caldas. O acordo previa US$ 20 milhões em quatro parcelas e royalty de 4,75% sobre a produção futura. Poucas semanas depois, a Meteoric ampliou a área com 21 licenças vizinhas.
Consolidação do setor
Finalmente, a movimentação ocorre em meio à consolidação dos minerais estratégicos. Em abril, a americana USA Rare Earth anunciou a compra da Serra Verde, única mina de terras raras em operação no Brasil, por US$ 2,8 bilhões. Na ocasião, o BTG Pactual citou a Meteoric entre empresas posicionadas para uma possível nova rodada de aquisições.
É possível que esse projeto relacionado às terras raras inspire outras iniciativas?
A aquisição da Meteoric pela Lynas pode aumentar a atenção sobre o potencial brasileiro para projetos envolvendo terras raras, especialmente em depósitos de argilas iônicas. O interesse está relacionado tanto à disponibilidade de recursos minerais quanto à necessidade de diversificação da cadeia de fornecimento desses elementos.
Paralelamente, o Projeto Caldeira também mostra que a presença de terras raras no Brasil pode atrair empresas estrangeiras interessadas não apenas na mineração, mas em diferentes etapas da cadeia produtiva. A possibilidade de desenvolver atividades de separação no país, ainda em avaliação pela Lynas, representa uma dessas frentes.
Simultaneamente, novos projetos dependerão de fatores como licenciamento, viabilidade econômica, investimentos necessários, infraestrutura e regulamentação. Devido a isso, o avanço da operação em Caldas poderá servir como referência para acompanhar futuras iniciativas relacionadas aos minerais críticos no Brasil.
Resumindo, com a aquisição ainda sujeita às aprovações previstas, o Projeto Caldeira passa a ocupar um espaço relevante nas discussões sobre produção nacional de terras raras. Para conferir novos desdobramentos sobre terras raras, projetos de mineração e minerais estratégicos, continue acompanhando as atualizações sobre o setor.
*com uso de inteligência artificial

